domingo, 17 de novembro de 2019

A pena de vidro, o elevador panorâmico e lufadas de ar.


Parte 1:
A pena de vidro

Em maio de 2017 levei um dos maiores chutes de minha vida.
Eu me achava o melhor homem do mundo.

Não tenho metáfora adequada para explicar como me senti, mas foi como uma pena de vidro sendo jogada pela janela de um edifício de 48 andares, e com a gravidade do planeta Júpiter me chamando para o solo.

Eu não percebi em que momento o arremesso começou; me parece que fui pena arrancada ainda na trajetória da subida do prédio, lá pelo 28º andar, e levada andares acima como um bibelô.

O fato de me identificar como uma pena de vidro talvez tenha a ver com a minha formação emocional.

Ao longo da minha vida me pautei em tornar a vida das pessoas ao meu redor a melhor possível. O primeiro de uma família de 4 filhos, por causa das ocupações de meus pais, eu cuidei dos irmãos como “dono de casa” desde os 5 anos de idade. A meningite levou o caçula, antes do primeiro ano de idade dele, mas as imagens da gente brincando em casa, em boa parte os 4 sozinhos, ainda estão vívidas na minha memória. Tenho melancolia de imaginar que pessoa ele teria se tornado. Tenho saudades.

Cresci tendo a extrema responsabilidade em cuidar para evitar que eu e meus outros irmãos tivessem o mesmo destino precoce.

Como muito de vocês, não fui privilegiado com carinho dos pais, como colo, afago, elogios... e muito pelo contrário, lembro das broncas, e das surras que tomei. Uma delas, a mais injusta de todas (acusado do que não fiz), tomei banho de vinagre e sal por dias para sarar as feridas nas costas.

Apesar dos percalços, acidentes leves e graves, violência injusta com o assassinato de meu pai em 1981... conseguimos sobreviver, tanto minha mãe, eu, quanto os outros 2 irmãos (depois uma outra irmã se juntou ao time de sobreviventes, compondo a família).

Enfrentei a vida. Superei muita coisa. Constitui uma família. Dois filhos.

Venci desafios.

Vindo de uma família de poucos estudos, consegui 2 certificados de cursos profissionalizantes do ensino médio, e mais 5 diplomas de nível superior (entre graduações e pós-graduações).

Estava no auge de minha realização pessoal. Mas era um bibelô, e não tinha consciência.

Desorientado, surpreso e assustado no início da queda livre, olhei para baixo e vi o chão de concreto me esperando; olhei de volta ao prédio, vi um elevador panorâmico. Aquele rápido momento durou 100 dias.

Cair como uma pena de vidro em direção ao solo, sem ter em que me agarrar, me afetou de uma maneira brutal. Foi como se nada do que conquistei valesse a pena. A metáfora por pouco não se tornou uma realidade em Newton Navarro.

(continua)



quarta-feira, 24 de julho de 2019

A melhor Polícia do Planeta (adaptada)

Uma discussão sem fim tem se travado para saber quem vazou a Vaza Jato... e esse é um desafio para saber qual o órgão de inteligência mais eficiente do mundo: o dos Estados Unidos, o da Rússia ou o do Brasil.
Então, numa intensa caça aos “hackers” FBI, KGB e PF se esforçam para saber quem é mais eficiente, e propõem uma competição com o seguinte desafio:

Os organizadores soltariam um coelho na cidade de Araraquara e a polícia que achasse o bicho mais rapidamente ganhava.

O FBI foi o primeiro. Usando fotos de satélite, análise de DNA dos pelos encontrados, helicópteros, o escambau... o coelho foi encontrado em 3 horas e 17 minutos.

Depois foi a vez da KGB. Usando analistas de comportamento, psicólogos, estudiosos da espécie dos coelhos e cenouras com sonífero e trapos com feromônio de coelha, eles capturaram o bichano em 1 hora e 17 minutos.
O pessoal do FBI ficou arrasado.

Por fim, chega a vez da nossa PF. Sem necessidade de nenhuma tecnologia, a bordo de uma viatura ano 2013, porta-malas amarrado por uma corda (o fecho da tampa caiu em abril de 2016), 5 homens, 2 deles com o corpo pra fora do carro batendo nas portas em alta velocidade, adentram a cidade com a sirene ligada, e mandando todo mundo se recolher.

Voltam em 17 minutos, deixando todo mundo impressionado.
Abrem o porta-malas do Sandero sucateado (desamarrando a corda) e lá dentro estava um gambá, todo encolhido, cheio de hematomas, gritando:

– Eu sou um coelho! Eu sou um coelho! Eu juro que sou um coelho!



(Qualquer semelhança pode não ser coincidência).

segunda-feira, 11 de março de 2019

Nuca mais escrevi algo...

Nunca mais escrevi algo.

Quando as coisas vão bem, é assim; a gente se afasta de si mesmo.

Esse ensoberbecer-se de si mesmo é importante, mas nos faz cegar para coisas óbvias.

Tem dias que acho que se eu fosse cego, enxergaria melhor.
A gente se confia porque vê. Coitado.

Pra mim isso contraria o ditado popular; nele, "o que os olhos não vêem o coração não sente".
Na minha percepção, o coração é que não deixa os olhos verem.
Então, o que o coração não sente, os olhos não vêem, por mais deslumbrante que seja.

E assim, segue a vida.

Pretendo escrever mais. É uma questão de respeito a mim mesmo.

Me encontrarei mais vezes por aqui.

Um abraço prá mim.

Joserrí

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Por que não?!

Por que não?!


Quando foi a última vez que você teve motivo para olhar mundo de uma forma diferente?

Eu gosto de desequilíbrios cognitivos. Eles me fazem sair da rotina, tiram o foco de problemas e permitem perguntas como: Por que não?!

Há os dias em que eu resolvo ser O Motivo de as pessoas saírem da zona de conforto.

Não tenho como controlar reações às provocações, mas garanto que me divirto com o ínfimo resultado que posso observar (nem todo mundo vai demonstrar na minha cara seu espanto).

Hoje, 27/12/2018, do nada resolvi prender o cabelo com um pedaço de pano - um molambo mesmo - e saí para uma voltinha de 15 minutos.

Muito gostoso "contaminar" o trajeto com olhares, cutucadas e risinhos...

Mais gostoso receber o print do flagra, feito por um amigo (ex-aluno) que ocasionalmente estava no percurso, e saber que ele gostou: "Melhor Pessoa", me mandou na mensagem.

O resultado não podia ser melhor.
Não sei se ele prestou mais atenção a mim, ou ao olhar da transeunte que passou por mim, parou, virou-se, e mão na cintura expressa toda sua surpresa silenciosa, mas que quase conseguimos ouvir as palavras de interjeição (reação como a que você teria se me visse assim de perto).

Há coisas que você tem vontade de fazer mas paralisa diante da suposição de censura e reações adversas?

Ouse. Desenclausure-se. Acasule-se e deixe nascer a borboleta que há dentro de você.
O planeta precisa de pessoas como nós, que estão dispostos a colorir a vida.

Por que não?!



sábado, 27 de janeiro de 2018

Lá grimas

Lá grimas

São manifestações de sentimento

De lamento
de dor
de remorso
e as que a gente nem sabe o porquê

De saudade
de emoção
de lembranças
boas e ruins

Ocultas e públicas
acompanhadas ou não
de gemidos e soluços

Contidas
em gotas
abundantes
revigorantes
somem

Da escassez
da fartura
do abandono
coletivas
censuradas...

De medo
do livramento
de aperreio
as secas doem mais

De alegria
de comemoração
de liberdade
se eu pudesse, guardava pra chorá-las de novo...


Joserrí de Oliveira Lucena
25 de janeiro de 2018

O roubo dos patos de Rui Barbosa

O Roubo dos patos de Rui Barbosa

Como uma das histórias que se atribuem a Rui Barbosa, para enaltecer o domínio da língua culta, O Roubo dos Patos é quase um trava-línguas.

Consta que ao chegar em casa numa certa ocasião, Rui Barbosa ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.

Surpreendeu o indivíduo, que já estava prestes a pular o muro com uns patos debaixo do suvaco:

- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinqüagésima potência que o vulgo denomina nada.
O ladrão, confuso que só você e eu depois dessa sopa de letrinhas, diz:

- Dotô, resumino, eu levo ou deixo os pato?




texto adaptado por
Joserrí de Oliveira Lucena
professor e bancário
historiador, financista e bacharel em Direito

Relações oscilam

Tenho lido sobre relações interpessoais e passei a observar como pessoas se agrupam, desagrupam e  reagrupam em função de afinidades e interesses semelhantes; nesses ajuntamentos existe uma dinâmica pela qual se retroalimentam - não raro ultrapassando a tênue linha que "divide" interesses pessoais e profissionais, com reflexos em terceiros (propositalmente alheiados de tudo que acontece).

A tecnologia tornou mais fácil ampliar relações a um número quase ilimitado de "amigos". Com as redes sociais as pessoas se tornam e deixam de ser próximas com um clique (convidadas, bloqueadas ou banidas da amizade, tudo de forma virtual) num processo invisível, inodoro e "indolor".

Por vezes essa proximidade é coletiva e os contatos ocorrem praticamente sem interrupções. Estudantes, por exemplo, usam aplicativos para criar grupos para cada turma; mas dentro da turma criam subgrupos, para lidarem com questões específicas. Os contratempos surgidos no grupão, são discutidos nos grupinhos, e isso gera ou distenciona situações (extinguindo ou surgindo novos ajuntamentos). Já tive que intermediar situações em complicadas por causa disso.

Se perguntado como reagir a uma situação em que alguém da "rede" está sob fogo cruzado, uso uma das minhas premissas:

Para mim, o que define uma pessoa não é o que ela diz; tampouco o que dizem dela;
O que melhor define uma pessoa (inclusive eu e você), é como age quando outro ser está em apuros.

Um abraço a todos e boa semana!


Joserrí de Oliveira Lucena

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A serventia do encantamento no dia a dia

A serventia do encantamento no dia a dia
O cotidiano está cheio de descobertas e prazeres, mas precisamos saber reconhecê-los. Isso nos ajuda a ter uma vida mais feliz e a encontrar poesia onde antes parecia existir apenas cinza 
Márcio Vassallo - Revista Vida Simples - Julho 2017
  
                  Há pouco tempo soube pelos jornais que apareceria uma superlua e que ela seria a maior de todas em 68 anos. Será mesmo? Não tenho medidor de lua, mas a manchete de um portal dizia assim: “Quer registrar a superlua de hoje no seu celular? Veja aqui dez dicas”. Dez dicas para ver da mesma forma o que todo mundo acha que está vendo? Registrar a Lua no celular, em vez de olhar na cara dela? Que cansaço me deu pensar em selfies lunares... A Lua é súper todos os dias, mesmo quando não usa capa nem ganha manchetes nos jornais. É só botar reparo nela. Porém, para isso precisamos reaprender a sentir sem pressa tudo o que está à nossa volta. E, apesar de todos os embrutecimentos que nos cercam, acho que passar o dia todo sem ver, sem escutar, sem provar, sem cheirar, sem tocar o mundo, e sem permitir que ele nos toque, nos afete, nos desarrume por dentro, é viver sem sentido nenhum.
                 
            Nesse sentido, há mais de 20 anos, tenho viajado por todas as regiões do Brasil para falar da serventia do encantamento na vida da gente. Um dia, eu rabiscava algo sobre isso, antes de uma viagem. Dentro do avião, vi que quase todas as pessoas conversavam ao telefone, mandavam mensagens, batiam fotos, balançavam a cabeça com seus fones no ouvido. Mas não me senti tão sozinho quando reparei que uma mulher escrevia a lápis em uma folha de papel almaço e parava para contemplar o movimento dos passageiros e das comissárias. Nem sabia que ainda existem pessoas que escrevem a lápis em folhas de papel almaço. Senti vontade de saber o que ela tanto escrevia enquanto olhava, e o que tanto olhava enquanto escrevia. Entretanto, na maioria das vezes, imaginar me tenta ainda mais do que saber.
                  
            Para dar um pouco de descanso na imaginação, olhei pela janela, mas quase tive um troço quando li o que eu já havia lido tantas vezes, sem parar para refletir. Estava escrito lá: NÃO PISE NA ASA. E eu não sabia o que fazer com aquela perturbação. Afinal, eu pensava, para quem será que escreveram um aviso tão desatinado? Para um pelicano alfabetizado? Para um anjo leitor? Para uma alienígena viciada em pisadas de asa? Pensei em pedir à aeromoça que clareasse o meu tormento, mas achei que ela também poderia entrar em parafuso e espalhar desnorteio entre os passageiros. Ao meu lado, um homem fotografava a própria tela do computador, e a tela estava cheia de gráficos ainda mais assustadores que aviso para pelicano. Então tive mesmo que conviver sozinho com aquela frase, até o avião pousar.

           Dias depois, jantando com um velho amigo, perguntei se já havia reparado naquela história de não pisar na asa, e ele, rindo da minha angústia, me explicou: “Rapaz, não é possível que você não saiba... esse lembrete é para os caras da manutenção não pisarem naquele local específico, enquanto estiverem trabalhando”. Naquele momento, disse ao meu amigo: “Muito obrigado, você acaba de pisar na minha asa”.
          
            Esse episódio me leva a um poema do Mario Quintana chamado Crenças, publicado no livro Velório sem Defunto (Alfaguara). “Seu Glicínio porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego / É uma crença que ele traz da sua infância. / Não o desiludas com o teu vão saber. / Não o esclareça dos seus queridos enganos. / Não se deve tirar o brinquedo de uma criança. / Tenha ela oito ou oitenta anos.” Seu Glicínio porteiro me faz pensar: para que servem essas explicações de tirar brinquedo? Qual o gosto de passar uma caneta vermelha na fantasia alheia? Quantas vezes será que pisamos na asa de alguém com o nosso vão saber? Na realidade, mais do que tudo, acho que só tiramos o brinquedo de alguém quando não conseguimos enxergar a nossa própria asa, tão atrofiada por falta de uso. E, se não enxergamos a nossa própria asa, como vamos enxergar a asa do outro? Quantas vezes também será que nós pisamos, abrindo mão dos nossos desejos mais simples, mais legítimos, mais autênticos?
          
            No rastro dessas perguntas, há dois anos, passei uns dias com o meu filho, Gabriel, em Buenos Aires, capital portenha. Chegamos lá com roteiros que amigos nos fizeram de tudo o que não poderíamos deixar de conhecer, e realmente conhecemos lugares deliciosos, mas gostamos ainda mais de nos perder pela cidade, flanando, sem roteiros, sem mapas, de café em café, de uma praça a outra, de cena em cena, de pessoa em pessoa. Foram dias feitos de conversas, sentidos, silêncios, reparos. E, no meio de um desses reparos, quando estávamos prestes a fazer um passeio de ônibus pela cidade, escutamos um casal que conversava atrás de nós.
          
            Palavras da mulher, enquanto entrávamos no ônibus: “Ai, que cheiro de flor... Não gosto de cheiro de flor”. Ao meu lado, já sentado, Gabriel comentou a frase: “Dizer que não gosta de cheiro de flor é o mesmo que dizer que não gosta de vida, não acha? Para mim, foi pior que se ela dissesse: ‘Eu detesto cheiro de flor’. Eu acho que não gostar é pior que detestar”, me disse o meu filho, na época com 14 anos.
          
            Concordei com ele. Se ela dissesse que detesta cheiro de flor, poderia estar num mau dia, aborrecida por algum acontecimento, movida por alguma emoção de destrambelhar lucidez. Mas ela só disse que não gostava, com tranquilidade, sem raiva, sem escândalos, simplesmente como quem diz que não gosta de vida. “Não gosto de cheiro de flor”, a frase despetalava minha ideia, enquanto descíamos para ver a Plaza de Mayo e escutávamos mais resmungos da mulher e também do homem que estava com ela. “Meu Deus, que frio, meu Deus, como as coisas estão caras, meu Deus, que demora para descer do ônibus” – eles diziam. E eu pensava: meu Deus, por que não olham pela janela, meu Deus, por que não beijam na boca, meu Deus, por que não param de amolar Deus e aproveitam o dia?
          
            À noite, deitado na cama, fiquei pensando ainda mais. Quem sabe o cheiro das flores joga na cara daqueles dois toda a vida que eles não vivem? De fato, não é fácil sentir cheiro de vida perdida. Ah, o casal era também nosso vizinho de porta, no hotel. Não fomos de excursão, mas compramos o mesmo pacote que ambos. Sim, eles tinham o mesmo pacote, mas uma forma tão diferente de desembrulhá-lo... Depois que constatei isso, tive vontade de mandar para eles uns alfajores, um vinho e um texto pervertido da (escritora francesa) Anaïs Nïn, para ver se aqueles dois conseguiam encher a cara de sonho, mas não deu tempo.
          
            No dia seguinte, eles já estavam de malas nas mãos, partindo para outro lugar. E, antes de seguir para o café da manhã e comer todas as rodelas de pomelo rosado (toranja) do hotel, enquanto via que as malas do casal eram iguais e tinham a mesma cor, uma pergunta ficou me perturbando: o que vai na bagagem de quem não gosta de cheiro de flor?


            Há umas semanas, essa história me veio à memória, quando almocei no Biscui, restaurante que dá cheiro de flor ao meu dia. Sentada à minha frente, uma moça pediu ao gentil garçom Fábio: “Por favor, eu gostaria de uma água com gás e um pouco de gelo espremido... Me desculpe, gostaria de um limão espremido”, ela se corrigiu. E eu pensava, não se desculpe por essa beleza que você acabou de criar, não se desculpe, que eu vou passar a vida com inveja de você por nunca antes ter feito esse pedido.
          
            Na saída, a moça estava ao meu lado, na fila do caixa. Perguntei o seu nome, falei da minha inveja incontida, revelei que eu contaria essa história numa crônica, e ela riu da própria criação. “Foi sem querer que eu disse isso, mas logo depois eu vi que um gelo espremido não tinha sentido”, constatou a Meli. Não sei se é assim que se escreve o seu nome. Só sei que disse a ela que as coisas mais belas muitas vezes nascem sem querer e que a poesia não é para ter sentido. A poesia, que está disponível para nós, à nossa volta, é para provocar os sentidos, eu diria hoje à Meli, que depois saiu do restaurante puxando uma mala de rodinhas.
          
            Para onde a poesia mais me puxa? Por onde eu mais gosto de puxá-la? Para onde a vida mais tem puxado a Meli? Depois daquela experiência, fiquei com urgência de ir a um restaurante, só para puxar uma cadeira e pedir um copo de gelo espremido. Pensar em gelos espremidos me deu desejo de reler uma entrevista que fiz na década de 90 com o (escritor) Manoel de Barros, por conta do seu livro Exercícios de Ser Criança (Salamandra). Nessa entrevista, o poeta me disse que criar imagens e metáforas é uma maneira de aumentar o mundo e me explicou por que as crianças sabem fazer isso tão bem. “Se digo que me enferrujei de lata, criei uma coisa nova. Criei um ser humano que fica enferrujado, que nem um prego. As crianças criam essas imagens porque ignoram prescrições e regulamentos do sério. A criança não sabe o comportamento das coisas. E pode inventar. Pode botar aflição nas pedras, e assim por diante. Ela não sabe se pedra tem aflição, por isso cria”, me escreveu o Manoel, à máquina, com remendos feitos à mão. Por que será que pensar em remendos feitos à mão me amansa tanto e me dá tanta gana de desordem? “O gosto pela liberdade se manifesta nas desobediências. Andar de costas na chuva é sinal de liberdade”, Manoel também me disse nessa entrevista.
                  
            Na praça perto de casa, em Copacabana, num fim de tarde, vi uma menina de 6 anos que andava em zigue-zague, seguindo os desenhos das pedras, ou as aflições delas, quem sabe? Mas logo a mãe pisou na asa da filha: “Anda direito, Marcela!” E a menina passou a andar em linha reta, sem curvas, sem surpresas, sem criar imagens, de cabeça baixa. Que cena... Será que a Marcela jamais vai andar de costas na chuva? Tomara que ande, tomara que ande.
          
            Imagino a Marcela daqui a 30 anos fazendo um curso para reaprender a entortar os passos, subverter mesmices, viver e trabalhar com criatividade e honestidade intelectual. Acho que só quando desobedecemos é que criamos algo realmente nosso e exercitamos a nossa autenticidade. Também acredito que nem toda pessoa autêntica é feliz, mas que toda pessoa feliz, de alguma forma, é autêntica. No entanto, por medo de sermos rejeitados, criticados, corrigidos, censurados e esquecidos, passamos a vida presos a regulamentos do sério, abrimos mão dos nossos zigue-zagues mais íntimos, e deixamos de olhar, agir e pensar com originalidade. É assim que nos afastamos da fantasia e de tudo o que ela tem de mais humano, transformador, apetitoso, revelador, essencial. “PARE, OLHE, ESCUTE”, me manda a placa da estação ferroviária, à beira de um trilho, numa cidade do interior de São Paulo onde estive outro dia. Num mundo cada vez mais cheio de pressa, olhos embaçados, ruídos, e cobranças pragmáticas, obedecer à placa de uma pequena estação de trem é uma transgressão irresistível

sábado, 27 de maio de 2017

Velho Gagá! (Envelhecer)


Afronte seu medo de envelhecer.

A outra alternativa não é melhor: morrer.

Essa música me fez rir, ante a possibilidade ficar velho, um dia de cada vez, e se tiver sorte, ser chamado de velho gagá.

E danem-se as opiniões em contrário.

Um abraço,
Joserrí



Letra da música, logo abaixo:

Envelhecer


Compositor: Arnaldo Antunes; Ortinho; Marcelo Jeneci

a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer

eu quero que o tapete voe
no meio da sala de estar
eu quero que a panela de pressão pressione
e que a pia comece a pingar

eu quero que a sirene soe
e me faça levantar do sofá
eu quero por Rita Pavone
no ringtone do meu celular

eu quero estar no meio do ciclone
pra poder aproveitar
e quando eu esquecer meu próprio nome
que me chamem de velho gagá

pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé
com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não pára de crescer
não sei porque essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer

eu quero que o tapete voe…

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ter Opinião é Crime?

Já foi capitulado como punível o CRIME DE OPINIÃO?

Pelo que sei, o incisoIV do Art. 5o da Constituição Federal do Brasil, que dispõe que é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato ainda não foi revogado.

Mas não é assim que entendem alguns censores.

Em alguns dias publico documentos em que demonstro uma perseguição pessoal por APENAS ter sido fotografado com outras pessoas, durante as ocupações de escolas em 2016; nas fotos, entre outras inscrições a expressão #FORATEMER está evidenciada! Uma das fotos está na página do Mídia Ninja no Facebook.

Se eu, como professor de História, não puder "me misturar" com alunos que estão contextualizados com temas atuais... o que poderei fazer?

Se os "defensores" da liberdade, fazem isso em plena DEMOCRACIA, imagine o que farão se impuserem a ditadura que na verdade defendem...

Não sei que ilação querem criar, mas felizmente um grupo de amigos está me ajudando a não capitular.

Tão logo esclarecer o assunto, publico matéria com as fotos e documentos, da denúncia ANÔNIMA que foi feita a órgão público, em outubro/2016, e somente agora (maio/2017) tive acesso ao conteúdo que seria a "prova" do crime que supostamente cometi.

Em tempo, se a suposta vedação da Lei 8.112 para "promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição" for interpretada ipsis litteris, podem abrir processos contra TODOS os servidores públicos, pois a coisa mais simples e rotineira nos recintos das repartições são manifestações de apreço e desapreço.

Entre as manifestações de apreço, estão as comemorações de aniversários, de aposentadorias, as entregas de premiação e títulos por desempenho...

E entre as manifestações de desapreço, a língua ferina que fala pelas costas, que arquiteta puxar o tapete, que assedia, que promove e dissemina a intriga, a contenda e a porfia, e que se vale do aparato judicial para fazer DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA de forma covarde, garantido pelo pelo anonimato.

Enquanto a Lei da Mordaça não vigir, vou amolecer os beiços de dizer FORA TEMER - o primeiro presidente da História investigado pelo Supremo Tribunal Federal, em pleno mandato.

Não vivemos em estado de exceção, mas em um Estado Democrático de Direito, em que a LIBERDADE DE EXPRESSÃO é constitucionalmente resguardada.

Inté,

Joserrí de Oliveira Lucena
Historiador

Ps.: se este post chegar a 1000 visualizações, tiro minha barba.



terça-feira, 9 de maio de 2017

Comparações

Ri demais com a listinha abaixo.
Não sei quem criou, mas rende boas gargalhadas - principalmente nas situações que você já viu acontecer...

  1. Mais aborrecido que viado em zona.
  2. Mais afiada que língua de sogra
  3. Mais afiada que navalha de barbeiro caprichoso
  4. Mais agarrado que velha numa moto.
  5. Mais amontoado que uva em cacho.
  6. Mais angustiado que barata de barriga pra cima.
  7. Mais ansioso que anão em comício.
  8. Mais apertado que alpargata de gordo.
  9. Mais apertado que bombacha de fresco.
  10. Mais apertado que chapéu novo.
  11. Mais apressado que cavalo de carteiro.
  12. Mais apressado que cuspida de músico.
  13. Mais asqueroso que colherada de ranho.
  14. Mais asqueroso que vomitar correndo.
  15. Mais assustado que cachorro em canoa.
  16. Mais atirado que alpargata em cancha de bocha.
  17. Mais babado que boi com aftosa.
  18. Mais branco que perna de freira.
  19. Mais caro que alimentar elefante com bombom.
  20. Mais caro que argentina nova na zona.
  21. Mais chato que dançar com a irmã.
  22. Mais chato que gilete caída em chão de banheiro.
  23. Mais chato que pernilongo gordo.
  24. Mais complicado que calça de polvo.
  25. Mais comprido que cuspe de bêbado.
  26. Mais comprido que esperança de pobre.
  27. Mais comprido que suspiro em velório.
  28. Mais comprido que trova de gago.
  29. Mais comprido que xingada de gago.
  30. Mais conhecido que a reza do padre-nosso.
  31. Mais conhecido que andar pra frente.
  32. Mais constrangido que padre em puteiro.
  33. Mais contente que centopéia de sapato novo.
  34. Mais contente que cão com dois rabos.
  35. Mais corado que bund@ de mandril.
  36. Mais curto que coice de porco.
  37. Mais curto que estribo de anão.
  38. Mais demorado que enterro de rico.
  39. Mais desconfiado que cego que tem amante.
  40. Mais desorientado que alpargata em cima do piano.
  41. Mais desorientado que mortadela em salada de frutas.
  42. Mais difícil que cagar em tubo de ensaio.
  43. Mais difícil que fazer gargarejo de bruços.
  44. Mais difícil que se limpar a bund@ com papel picado.
  45. Mais difícil que varrer escada à cima.
  46. Mais divertido que peido na jacuzzi.
  47. Mais doído que chute no saco.
  48. Mais doído que que tropeçar descalço.
  49. Mais duro que salame de colônia.
  50. Mais eficiente que japonês na roça.
  51. Mais empoeirado que rato de moinho.
  52. Mais encolhido que tripa na brasa.
  53. Mais enfeitado que burro de cigano em festa.
  54. Mais enfeitado que penteadeira de put@.
  55. Mais enfiado que cueca em bunda de gordo.
  56. Mais enrolado que briga de polvos.
  57. Mais enrolado que cristal para viagem.
  58. Mais enrolado que linguiça de venda.
  59. Mais ensebado que telefone de açougueiro
  60. Mais escondido que peito de freira.
  61. Mais estreito que garagem de bicicleta.
  62. Mais faceiro que gordo de camiseta.
  63. Mais faceiro que guri de calça nova.
  64. Mais faceiro que mosca em tampa de xarope.
  65. Mais faceiro que pinto ciscando.
  66. Mais faceiro que sapo em banhado.
  67. Mais falso que nota de três.
  68. Mais fechado que baú de solteirona.
  69. Mais fechado que porta de submarino.
  70. Mais fedido que bebê cag@do.
  71. Mais fedorento que arroto de corvo.
  72. Mais feio que bater na mãe pelada.
  73. Mais feio que briga de foice no escuro.
  74. Mais feio que cag@r de pé.
  75. Mais feio que cagar de bruço.
  76. Mais feio que encoxar a mãe no tanque em sexta feira santa.
  77. Mais feio que indigestão de torresmo.
  78. Mais feio que sapato de padre.
  79. Mais feliz que puta em dia de pagamento.
  80. Mais fino que assobio de papudo.
  81. Mais fino que freada de bicicleta.
  82. Mais firme que catarro em parede.
  83. Mais firme que palanque em banhado.
  84. Mais firme que prego na polenta.
  85. Mais folgado que colarinho de palhaço.
  86. Mais forte que peido de burro atolado.
  87. Mais forte que sapato de padre.
  88. Mais fresco que peido de pinguim.
  89. Mais fácil que tabuada do um.
  90. Mais fácil que tirar doce de guri.
  91. Mais gasto que fundilho de tropeiro.
  92. Mais gordo que mosca de mercearia.
  93. Mais gostoso que beijo de prima.
  94. Mais grosso que cintura de sapo.
  95. Mais grosso que dedo de gringo.
  96. Mais grosso que dedo destroncado.
  97. Mais grosso que rolha de poço.
  98. Mais imprestável que assento ejetor de helicóptero.
  99. Mais imprestável que fósforo a prova de fogo.
  100. Mais informado que gerente de funerária.
  101. Mais intrometida que piolho na costura.
  102. Mais inútil que alvo inflável para dardos.
  103. Mais inútil que buzina em avião.
  104. Mais inútil que cinzeiro de moto.
  105. Mais inútil que leque de papel higiénico.
  106. Mais inútil que mijar em incêndio.
  107. Mais inútil que para-lama de barco.
  108. Mais inútil que sauna no deserto.
  109. Mais judiado que ovo de ciclista.
  110. Mais lento que desfile de mancos.
  111. Mais lento que tartaruga grávida.
  112. Mais ligado que rádio de preso.
  113. Mais ligeiro que enterro de pobre.
  114. Mais linda que camisola de noiva.
  115. Mais liso que bunda de santo.
  116. Mais longo que arroto de girafa.
  117. Mais longo que esperança de pobre.
  118. Mais magro e comprido que o mapa de Chile.
  119. Mais magro que criança com solitária.
  120. Mais magro que piolho de peruca.
  121. Mais metido que merda em chinelo de dedo.
  122. Mais nervoso que anão em comício.
  123. Mais nervoso que gato em dia de faxina.
  124. Mais nervoso que peixe na Semana Santa.
  125. Mais nervoso que potro com mosca no ouvido.
  126. Mais nervoso que viado com diarreia.
  127. Mais nojento que mocotó de ontem.
  128. Mais nojento que vomitar para acima.
  129. Mais ocupado que bombeiro do Titanic.
  130. Mais pelado que sovaco de santo.
  131. Mais perdido que Adão no dia das Mães.
  132. Mais perdido que azeitona em pão doce.
  133. Mais perdido que cachorro em dia de mudança.
  134. Mais perdido que cachorro na procissão.
  135. Mais perdido que cebola em salada de frutas.
  136. Mais perdido que cego em tiroteio.
  137. Mais perdido que cão que caiu do caminhão de mudança.
  138. Mais perdido que Jesus no dia dos pais.
  139. Mais perdido que marinheiro na Bolívia.
  140. Mais perdido que surdo em bingo.
  141. Mais perdido que Tarzan numa reunião de consórcio.
  142. Mais perfumado que mão de barbeiro.
  143. Mais perigoso que barbeiro com soluço.
  144. Mais perigoso que cirurgião com soluço.
  145. Mais perigoso que macaco com navalha.
  146. Mais perigoso que muleta com rodinhas.
  147. Mais perigoso que trombada de anão.
  148. Mais pesado que mudança de ferreiro.
  149. Mais pesado que pastel de batata.
  150. Mais pesado que porta-avião a remo.
  151. Mais pesado que sono de surdo.
  152. Mais pesado que sopa de mercúrio.
  153. Mais pobre que rato de igreja.
  154. Mais por fora que arco de barrica.
  155. Mais por fora que bunda de índio.
  156. Mais por fora que cabelo de côco.
  157. Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro.
  158. Mais por fora que quarto de empregada.
  159. Mais por fora que surdo em bingo.
  160. Mais por fora que umbigo de vedete.
  161. Mais preocupada que mãe de juiz.
  162. Mais preso que peido na frente do sogro.
  163. Mais quente que frigideira sem cabo.
  164. Mais rasteiro que umbigo de cobra.
  165. Mais ridículo que Tarzán com meias.
  166. Mais saltitante que manco em tiroteio.
  167. Mais sofrido que joelho de freira em semana Santa.
  168. Mais solto que peido em bombacha.
  169. Mais suado que freira atrasada.
  170. Mais suado que testemunha falsa.
  171. Mais sujo que pau de galinheiro.
  172. Mais surrado que joelho de sapateiro
  173. Mais sério que defunto.
  174. Mais tranquilo que água de poço.
  175. Mais util que seio nas costas.
  176. Mais vagabundo que arroto de mortadela.
  177. Mais velho que mijar pra frente.
  178. Mais velho que rascunho de Bíblia.
  179. Mais vermelho que pescoço de galo coió.
  180. Mais virado que bolacha em boca de velha.
  181. Mais áspero que língua de gato.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Diferença na vida das pessoas

No dia a dia dos ambientes de trabalho vemos diversas incoerências como a falta de isonomia, a falta de dignidade previdenciária e o não enfrentamento das questões de gênero, que têm como uma das consequências pessoas fazendo a mesma atividade, mas recebendo salários diferentes.
O Sindicato dos servidores do Ministério Público da União mapeou cenário de trabalho bancário, cujo resultado resume em cartilha em que destaca que os alvos mais frequentes de assédio são mulheres e trabalhadores doentes (se forem mulheres doentes, então...).
O forte componente cultural machista é um problema mundial, o que torna mais difícil e menos atraente certos ambientes de trabalho para as mulheres - principalmente nos cargos de comando.

Da recente pesquisa que fiz sobre Assédio Moral no segmento bancário no RN, destaco um dos depoimentos que faz um alerta para parte desse fenômeno silencioso; embora não seja uma regra, posto que se trata de depoimento pessoal, é sentido pelas colegas que o sofrem no ambiente de trabalho:
"... há duas maneiras de ser mulher:
ou você é a mulher fraca, que só leva na cabeça e ouve piadas e cantadas
ou você é "forte como homem"...

Discursos são e serão insuficientes para quebrar o paradigma das regras não escritas.

A foto abaixo é um desses exemplos e estampa praticamente unânime nos registros dos eventos, comuns no quotidiano das empresas:
a inexpressiva representatividade feminina nos cargos de gestão; nesse caso, há 01 mulher dentre 09 gestores do médio/alto escalão da empresa.

É preciso respeitar a decisão de colegas que optam por ser mães, companheiras, que preferem fugir dos holofotes;
Mas também precisamos da contribuição feminina com um olhar Humano para as Pessoas, nas empresas.
É imprescindível permitir, de fato, o encarreiramento e empoderamento da mulher, com oportunidades que reflitam o seu real potencial para gerir processos e pessoas.

Sei que corro o risco de também estar emitindo uma opinião machista, mas também gosto de criar meus filhos, de fazer atividades com eles, também me emociono e choro, também tenho medo de errar, mas sinto que em certos momentos o fato de ser homem significa uma vantagem (e não deveria significar).

A estrada é a mesma para todos, mas os instrumentos e oportunidades ainda são muito desiguais; a realidade atesta.





Joserrí de Oliveira Lucena
Bancário
Bel. Direito
Bel. História
MBA Gestão Financeira

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