quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Aviões não pilotados: a violação mais covarde dos direitos humanos. Artigo de Leonardo Boff

Leonardo Boff

Aviões não pilotados: a violação mais covarde dos direitos humanos

Vivemos num mundo no qual os direitos humanos são violados, praticamente em todos os níveis, familiar, local, nacional e planetário.

O Relatório Anual da Anistia Internacional de 2013 com referência a 2012 cobrindo 159 países faz exatamente esta dolorosa constatação. Ao invés de avançarmos no respeito à dignidade humana e aos direitos das pessoas, dos povos e dos ecossistemas estamos regredindo a níveis de barbárie. As violações não conhecem fronteiras e as formas desta agressão se sofisticam cada vez mais.

A forma mais covarde é a ação dos “drones”, aviões não pilotados que a partir de alguma base do Texas, dirigidos por um jovem militar diante de uma telinha de televisão, como se estivesse jogando, consegue identificar um grupo de afegãos celebrando um casamento e dentro do qual, presumivelmente deverá haver algum guerrilheiro da Al Qaeda. Basta esta suposição para com um pequeno clique lançar uma bomba que aniquila todo o grupo, com muitas mães e crianças inocentes.

É a forma perversa da guerra preventiva, inaugurada por Bush e criminosamente levada avante pelo Presidente Obama que não cumpriu as promessas de campanha com referência aos direitos humanos, seja ao fechamento de Guantánamo, seja à supressão do “Ato Patriótico”(antipatriótico) pelo qual qualquer pessoa dentro dos USA pode ser detida por suspeita de terrorismo, sem necessidade de avisar a família. Isso significa sequestro ilegal que nós na América Latina conhecemos de sobejo. Verifica-se em termos econômicos e também de direitos humanos uma verdadeira latino-americanização dos USA no estilo dos nossos piores momentos da época de chumbo das ditaduras militares. Hoje, consoante o Relatório da Anistia Internacional, o país que mais viola direitos de pessoas e de povos são os Estados Unidos.

Com a maior indiferença, qual imperador romano absoluto, Obama nega-se a dar qualquer justificativa suficiente sobre a espionagem mundial que seu Governo faz a pretexto da segurança nacional, cobrindo áreas que vão de trocas de e-mails amorosos entre dois apaixonados até dos negócios sigilosos e bilionários da Petrobrás, violando o direito à privacidade das pessoas e à soberania de todo um país. A segurança anula a validade dos direitos irrenunciáveis.

O Continente que mais violações sofre é a África. É o Continente esquecido e vandalizado. Terras são compradas (land grabbing) por grandes corporações e pela China para nelas produzirem alimentos para suas populações. É uma neocolonização mais perversa que a anterior.

Os milhares e milhares de refugiados e imigrantes por razões de fome e de erosão de suas terras são os mais vulneráveis. Constituem uma subclasse de pessoas, rejeitadas por quase todos os países, “numa globalização da insensibilidade”, como a chamou o Papa Francisco. Dramática, diz o Relatório da Anistia Internacional, é a situação das mulheres. Constituem mais da metade da humanidade, muitíssimas delas sujeitas a violências de todo tipo e em várias partes da África e da Ásia ainda obrigadas à mutilação genital.

A situação de nosso país é preocupante dado o nível de violência que campeia em todas as partes. Diria, não há violência: estamos montados sobre estruturas de violência sistêmica que pesa sobre mais da metade da população afrodescendente, sobre os indígenas que lutam por preservar suas terras contra a voracidade impune do agronegócio, sobre os pobres em geral e sobre os LGBT, discriminados e até mortos. Porque nunca fizemos uma reforma agrária, nem política, nem tributária assistimos nossas cidades se cercarem de centenas e centenas de “comunidades pobres”(favelas) onde os direitos à saúde, educação, à infraestrutura e à segurança são deficitariamente garantidos. A desigualdade, outro nome para a injustiça social, provoca as principais violações.

O fundamento último do cultivo dos direitos humanos reside na dignidade de cada pessoa humana e no respeito que lhe é devido. Dignidade significa que ela é portadora de espírito e de liberdade que lhe permite moldar sua própria vida. O respeito é o reconhecimento de que cada ser humano possui um valor intrínseco, é um fim em si mesmo e jamais meio para qualquer outra coisa. Diante de cada ser humano, por anônimo que seja, todo poder encontra o seu limite, também o Estado.

O fato é que vivemos num tipo de sociedade mundial que colocou a economia como seu eixo estruturador. A razão é só utilitarista e tudo, até a pessoa humana, como o denuncia o Papa Francisco é feita “um bem de consumo que uma vez usado pode ser jogado fora”. Numa sociedade assim não há lugar para direitos, apenas para interesses. Até o direito sagrado à comida e à bebida só é garantido para quem puder pagar. Caso contrário, estará ao pé da mesa, junto aos cães esperando alguma migalha que caia da mesa farta dos ‘epulões’.

Neste sistema econômico, político e comercial se assentam as causas principais, não exclusivas, que levam permanentemente à violação da dignidade humana. O sistema vigente não ama as pessoas, apenas sua capacidade de produzir e de consumir. De resto, são apenas resto, óleo gasto na produção.

A tarefa além de humanitária e ética é principalmente política: como transformar este tipo de sociedade malvada numa sociedade onde os humanos possam se tratar humanamente e gozar de direitos básicos. Caso contrário a violência é a norma e a civilização se degrada em barbárie.

Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.

Fonte: http://www.mercadoetico.com.br/arquivo/os-avioes-nao-pilotados-a-violacao-mais-covarde-dos-direitos-humanos/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Orçamento doméstico

Nesta postagem, abordaremos o Orçamento Doméstico como tema.

 

O Orçamento, deve estar limitado a nosso salário (e não a nossos desejos), e se divide basicamente em RECEITAS e DESPESAS. Receitas é o quanto a gente ganha; Despesas, como a gente gasta, que pode ser dividido em alguns grupos:

1)      Custos Fixos Mensais obrigatórios:

a)      Moradia e serviços básicos – aluguel, água, luz, internet, telefone (comunicação em geral);

b)      Alimentação – feira, lanches,

c)       Educação – escola, livros, cursos (dos pais e filhos);

d)      Saúde – plano de saúde, farmácia, higiene e limpeza;

e)      Locomoção – transportes, gasolina, emplacamento, seguro (conforme o bolso e necessidades da pessoa) – para o trabalho;

f)       Estética – vestuário, cabelo, unha, etc.

g)      Lazer – esportes, academia, viagens e hospedagem, etc.

 

Não há hierarquia nessa lista, mas cada pessoa tem gastos fixos mensais com a maioria desses itens.

Podemos acrescentar uma série de itens, conforme o gosto da pessoa... tem coisas que são essenciais para uns e supérfluos para outros.

 

2)      Custos esporádicos, por bem estar ou por impulso:

a)      Presentes – aniversários, casamentos, datas comemorativas e festas de fim de ano) – amigos secretos, etc;

b)      Lojas e Shopping Centers – aquela entradinha “só prá olhar” e a gente sai cheio de sacolas (e dívidas em 10, 12 parcelas);

Desse modo, podemos dizer, resumidade, que o orçamento se divide entre:

1)      O dinheiro que já está comprometido no primeiro dia do ano (custos fixos) e que a gente vai trabalhar prá pagar. Não somos mais donos dele; somos apenas o caixa, mas esse dinheiro vai passar de nossas mãos para os seus verdadeiros donos;

2)      O dinheiro que a gente dispõe, se sobrar, depois de pagos os custos fixos, e que a gente usa para poupar, planejar uma viagem etc;

Um bom planejamento imprescinde de conhecer o tamanho de suas possibilidades e adequar seus gastos.

 

Artifício perigoso à Margem Consignável.

Utilização de até 30% do salário bruto para prestações de longo prazo – que somente deveriam ser utilizadas para aquisição de imóvel próprio, um veículo de trabalho (prioritariamente, e não um carrão, prá mostrar aos outros).

Tem até empresas que emprestam fora da Margem Consignável e sem consultas a quaisquer órgãos. Pode ser “corda prá pessoa se enforcar”, pois a taxa de juros beira os 20% ao mês.

 

Equivale a pagar apenas o mínimo do cartão de crédito. É uma bola de neve, que consome o seu salário, e pode até tirar boa parte de seu conforto (a pessoa não ter como pagar por saúde, moradia, educação... lazer!).

 

SE a pessoa chegar a esse nível, deve procurar ajuda imediatamente.

 

Tem gente que gosta tanto de comprar, que ao sair da loja nem lembra o que comprou... Tem gente que compra, guarda e nunca usa. É um vício, que precisa de tratamento. Primeiro admitir, depois se tratar.

 

Há até um grupo chamado devedores anônimos, que reúne compradores compulsivos...

 

Ferramenta de apoio, que não funciona sozinha (Se você comprar uma bicicleta, mas não usar, não vai conseguir efeito nenhum, só mais uma dívida)...

 

Eu recomendo algumas: a planilha do IDEC, é mais completa, a da Febraban (que é mais objetiva)....

A pessoa pesquisa no Google “orçamento familiar” , e vai clicando nos links, para visualizar os modelos disponíveis.

Se precisar, busque ajuda com alguém que entenda de informática, mas não se obrigue a isso, pois um caderno e caneta, já são mais do que suficientes, para quem quer fazer registros e conseguir um bom planejamento familiar.

 

Um site muito interessante é o www.meubolsoemdia.com.br . Lá tem várias outras dicas de como se organizar financeiramente; tem um link lá, chamado “contas na ponta do lápis”... esse site é nota 10!

A pessoa baixa a planilha mais adequada a seu perfil: família, estudante, aposentado...

 

Entretanto, seja qual for a ferramenta escolhida, o importante é você colocar as receitas e despesas mensais e ir juntando os comprovantes dos pagamentos (coisa muito importante, para não pagar uma conta mais de uma vez).

 

E todo ano usa uma agenda nova, um caderno novo... vai se organizando, para adequar seu estilo de vida ao seu orçamento... e paralelo a isso...

... Estuda muito prá conseguir um emprego que tenha a renda de seu estilo de vida desejado.

 

Ou então, vai empreender, que é mais difícil ainda, na área de afinidade de seus talentos... e fazer isso profissionalmente, cobrando um preço justo...

 

Não há solução mágica, nem rápida para a organização das finanças pessoais. Mas, com esforço e determinação, qualquer um pode conseguir seus objetivos.

 

O controle orçamentário visa conhecer nossa capacidade financeira para honrar os compromissos, mas a decisão é pessoal, e por isso, nem a melhor das ferramentas pode ajudar quem não respeita os limites.

 

Joserrí de Oliveira Lucena

MBA em Gestão Financeira

joserrilucena@gmail.com

 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Quem tem muito dentro, precisa ter pouco fora

Quando leio um texto bem escrito, releio e já imagino que devo levá-lo a outras pessoas.

 

O microblog é um bom auxílio, pois a gente pode multiplicar, registrar e deixa de ser dono.

 

É assim que compartilho o texto muito bem escrito abaixo.

 

Um abraço,

 

Joserrí de Oliveira Lucena

 

ENVELHECER

 

 

(Pachecão - Prof. de Física e Matemática,B. Horizonte)

 

Não importa sua idade. Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos! De que adianta, é assim mesmo. Isso é um processo natural. É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia. Essa lei diz que: A energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta. Portanto, tudo que foi composto será decomposto, tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar.

 

Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós. Com o tempo, os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam.   Sendo assim, relaxe e aproveite. Parafraseando Freud: "A morte é o alvo de tudo que vive". É isso que acontece a nós.

 

O conselho é: Viva! Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez. Como disse um dos meus amigos a sua esposa: "me use, estou acabando!". Hilário, porém realista.    

 

Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige. Já viveu essa fase. Reconcilie com a sua situação e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré-requisito da felicidade. "O passado é lenha calcinada. O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto", como já dizia Cícero. Abra  mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho, pra não se tornar caricatura de si mesmo. Fazendo isso ganhará qualidade de vida. Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado. Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar?! Guarde os bisturis e toque a vida.

 

Você sabe quem enche os consultórios dos cirurgiões plásticos? Os bonitos. Você nunca me verá por lá. Para o bonito, cada ruga que aparece é uma tragédia, para o feio ela é até bem vinda, quem sabe pode melhorar, ele ainda alimenta uma esperança. Os feios são mais felizes, mais despreocupados com a beleza.  Na verdade, ela nunca lhes fez falta, utilizaram-se de outros atributos e recursos. Inclusive tem uns que melhoram na medida em que envelhecem. Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las! Suas memórias estão salvas nelas. Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais. O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos.

Essa resistência em aceitar as leis da natureza acaba espalhando sofrimento por todos os cantos. Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna, as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos, as loucas alegrias e os desenfreados prazeres. Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e condena à ruína sua própria vida.         

 

Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase. Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu. Se não viveu na fase devida, o melhor a fazer é esquecer. A causa do sofrimento está no apego, está em querer que dure o que não foi feito para durar. É viver uma fase que não é mais sua. Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios. Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido. Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento. Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura. A vida é o que importa; concentre-se nisso. A sabedoria consiste em aceitar nossos limites.

 

Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero. Faça o que pode ser feito com o que está disponível. Quer um conselho? Esqueça. Para o seu bem, esqueça o que passou. Têm tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está. Coisas do passado não te pertencem mais. Se você tem esposa e filhos experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos, faça a festa, celebre a vida. Agora você tem mais tempo, aproveite essa disponibilidade e desfrute. Aceitando ou não, o processo vai continuar. Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora. Nada nos pertence.

 

Tive um aluno com 60 anos de idade que nunca havia saído de Belo Horizonte. Não posso dizer que pelo fato de conhecer grande parte do Brasil sou mais feliz que ele. Muito pelo contrário, parecia exatamente o oposto. O que importa é o que está dentro de nós. A velha máxima continua atual como nunca: "quem tem muito dentro precisa ter pouco fora".
Esse é o segredo de uma boa vida.

Forte abraço

 

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ação Penal 470 - Julgamento do Mensalão

A História do Brasil neste século será marcado pelo julgamento da Ação Penal 470, popularmente conhecida como "Julgamento do Mensalão".

Para quem é a favor, contra ou neutro, uma forma de entender os diversos tons e matizes que envolvem as acaloradas discussões, no presente momento, ou mesmo para quem for pesquisar o assunto na posteridade, não haverá melhor explicação do evento, de forma resumida, do que assistir as audiências do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos embargos declaratórios - reunião ocorrida em 13/11/2013.

Por isso, resolvi fazer esta postagem, replicando os vídeos com a íntegra da reunião... é extenso, mas vale a pena assistir cada minuto - são três partes.

Joserrí de Oliveira Lucena


Parte 1/3


Parte 2/3


Parte 3/3

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A doença da Normalidade

Quem disse que ser Normal é bom?

 

Numa sociedade que adora rótulos, o desafio é desrotular-se.

 

Abaixo, excelente matéria sobre a estereotipização de comportamentos, que muitos tratam como doenças...

 

Joserrí de Oliveira Lucena

 

A doença da normalidade

Em livro, psiquiatra americano diz que a medicina transformou comportamentos normais em doença

JULIANA VINES

DE SÃO PAULO

 

A "caixa da normalidade" está cada vez menor e a culpa é do excesso de diagnósticos de doenças mentais, diz o psiquiatra americano Dale Archer, autor do best-seller "Better than Normal", recém-lançado no Brasil com o título "Quem Disse que É Bom Ser Normal?" (Sextante, 224 págs., R$ 24,90).

Archer, 57, é psiquiatra clínico desde 1987 e fundou um instituto de neuropsiquiatria em Lake Charles, Louisiana (EUA). Em 2008, ele notou que havia algo errado com os seus pacientes: a maioria dizia ter um transtorno mental e precisar de remédios --só que eles não tinham nada.

"Estamos patologizando' comportamentos normais. E isso não é só culpa da psiquiatria", disse Archer, à Folha, por telefone.

Um quarto dos adultos americanos têm uma ou mais doenças mentais diagnosticadas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA. "Isso está errado. Há uma gama de comportamentos que não são doença."

Em um ativismo "pró-normalidade", Archer descreve oito traços de personalidade comumente ligados a transtornos, como ansiedade, e afirma que não há nada errado com essas características, a não ser que sejam muito exacerbadas.

"O remédio tem que ser o último recurso, e não é o que eu vejo. As pessoas entram em um consultório e saem com uma receita médica. A psicoterapia é subestimada."

De outubro de 2012 a setembro de 2013, o mercado de antidepressivos e estabilizadores de humor movimentou mais de R$ 2 bilhões no Brasil, segundo dados da consultoria IMS Health. Nos últimos cinco anos, o número de unidades vendidas desses remédios cresceu 61%.

Para Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, os diagnósticos aumentaram, sim, mas da mesma forma como aumentou os de outras doenças, de diabetes a câncer. "Isso é resultado da evolução da medicina e da facilidade de acesso."

O mesmo pensa o psiquiatra Fabio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro. "Também aumentou o número de prescrições de insulina e anti-hipertensivo. Isso ninguém questiona. Mas quando se fala de mente, da psique, todos têm uma opinião", afirma.

Segundo Silva, o problema é o subdiagnóstico. Para ele, há mais deprimidos sem tratamento do que pessoas sem depressão sendo tratadas.

Barbirato dá como exemplo o TDAH (transtorno do deficit de atenção e hiperatividade). "O número de crianças com prescrição de remédios não chega a 1,5% no Brasil, e a estimativa mais baixa de presença de TDAH no país é de 1,9%. Há crianças sem tratamento."

CRITÉRIO ANTIGO

Para a psicóloga Marilene Proença, professora da USP, a sociedade está "medindo" as crianças com réguas antigas. "Os critérios de diagnóstico de TDAH esperam uma criança que brinque calmamente, que levante a mão para perguntar algo. Isso não condiz com o papel da criança na sociedade. Ela está exposta a muitos estímulos e é tudo muito competitivo", diz.

Para a psiquiatra e psicanalista Regina Elisabeth Lordello Coimbra, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as pessoas estão menos tolerantes às emoções.

"Há pouco lugar para a tristeza. E a exaltação e excitação são confundidas com felicidade. Vivemos de uma forma mais estimulante, na qual emoções mais depressivas, reflexivas, não têm espaço."

De acordo com Silva, o que caracteriza a doença mental é a gravidade dos sintomas. "Deixa de ser normal quando a pessoa tem prejuízo, quando está tão triste que não consegue sair da cama."

Ele argumenta que "invariavelmente" encaminha os pacientes para a psicoterapia. E garante: nem sempre eles saem do consultório com uma receita médica.

 

 

Normal ou anormal?

Oito traços de personalidade e com quais transtornos eles se relacionam, segundo o psiquiatra Dale Archer

AVENTUREIRO
Se entedia com a rotina e é ousado. Quando o traço é superdominante, a pessoa não consegue se concentrar e pode ter transtorno de deficit de atenção e hiperatividade

HIPERALERTA
É superatento e precavido. Se o traço for exagerado, a pessoa pode sentir medo sem fundamento, sintoma do transtorno de ansiedade generalizada

DRAMÁTICO
Demonstra emoções sem medo e é carismático. Pode ser diagnosticado com transtorno de personalidade histriônica quando a dramaticidade é excessiva

MÁGICO
Age de acordo com a percepção, tem fé e consegue enxergar além. No extremo, relaciona-se com esquizofrenia, quando a pessoa perde o vínculo com a realidade

TÍMIDO
Prefere escutar a falar e fica ansioso antes de compromissos sociais. Passa a ser doença, a fobia social, se atrapalha a vida pessoal e profissional

AGITADO
Vive em ritmo acelerado, é criativo e produtivo. Vira doença se a pessoa ficar descontrolada e, depois, cair em depressão, o que caracteriza transtorno bipolar

PERFECCIONISTA
Preocupa-se com detalhes que passam despercebidos à maioria. Se a pessoa não consegue ignorar detalhes e cria rotinas obsessivas, pode ter transtorno obsessivo-compulsivo

AUTOCENTRADO
Tem orgulho de si mesmo e é um líder. Mas, se a pessoa é excessivamente autocentrada, pode ser diagnosticada com transtorno de personalidade narcisista

 

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/137350-a-doenca-da-normalidade.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/137351-normal-ou-anormal.shtml

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Incoerência, paga com dinheiro do povo!

Estudantes são transportados em paus de arara e em ônibus enferrujados, de forma precária e irregular - chamam isso de transporte escolar.

Pessoas são transportadas feito sardinha em lata, em ônibus albarrotados, nas grandes cidades - chamam isso de transporte urbano.

Outros milhões de brasileiros andam a pé, mesmo. Não são estudantes, nem assalariados, para terem o "direito" aos serviços básicos - gratuitos ou pagos.

Mas todos somos brasileiros, contribuintes, e é do tributo gerado pelo consumo de todos - de forma direta e indireta - que o Estado se aparelha para também se deslocar para o seu trabalho, ou em função dele.

Só não consigo entender a incoerência de não utilizarem os mesmos meios de transporte disponível para o público alvo - seja o escolar, o público, à pé...

Não entendo. Realmente não entendo porque enquanto andamos à pé, em paus de arara, nas latas de sardinha, ou em carro de segunda mão financiado em dezenas de prestações... os servidores públicos (que em geral recebem salários mais altos que a grande maioria da população), mereça o luxo de carros privativos, chapa branca, a se deslocarem entre nós, incólumes, imunes à crítica social...

Não deveria ser normal. Prá mim não é normal.

E não é só por R$ 0,20.

É incoerência, paga com dinheiro do povo.

Hoje, me deslocando na BR101, Natal-RN, vi, surpreso, este LINEA, chapa branca, carro que deve ter custado por volta de R$ 50.000,00... adesivado pelo MEC/UFRN.


Órgãos de Governo, em época de lisura, transparência, combate à corrupção e ao desperdício, deveriam seguir o modelo de austeridade do Papa Francisco, e se deslocar em um Fiat Uno.


O que você acha?

Joserrí de Oliveira Lucena



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Veja no rodapé como fazer download de livro sobre alimentação saudável para diabéticos DM1

Diabetes: uma batalha a cada dia

Se você conhece alguém com diagnóstico de diabetes tipo 1, repasse este link para download desse livro, que é um verdadeiro manual da alimentação.

http://www.sanofi-aventis.com.br

No quadro Search escrevam "Comida que cuida 2".
Se quiserem, podem fazer o download do livro em pdf.