segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bancários em Greve - 2012!

Bancários reunidos na Escola Winston Churchill, agora há pouco, decidiram por unanimidade iniciar greve a partir desta terça-feira (18/09/2012).

A categoria aguardou até até as 19h de hoje (17/09), por uma proposta, que não veio. Sindicatos bancários de todo o país confirmaram greve nacional por tempo indeterminado - assembléias em todo o país, realizadas desde a semana passada já decidiam nesse sentido.  

Os bancários da maior parte dos sindicatos reivindicam aumento salarial de 10,25%, mais participação nos lucros de três salários mais R$ 4.961,25, piso salarial do Dieese (R$ 2.416,38) e vales alimentação e refeição de R$ 622, entre outras solicitações específicas com cada banco. No principal ítem, os bancos ofereceram 6% (aumento real de 0,58%), o que está muito distante da proposta da categoria, que acumula perdas históricas.

Veja abaixo fotos do momento da votação, em Natal-RN

Joserrí de Oliveira Lucena








sábado, 15 de setembro de 2012

Foto Histórica "colorizada"

Replico na íntegra. Me impactou.

O que você acha de a fotografia original abaixo ser a em preto e branco? Pois é, e a maior grandeza DESSA foto não é ter sido colorizada. Leia o relato e entenda o significado do momento histórico que ela representa.

Momentos históricos nem sempre são grandiosos, cheios de pompa e glamour. As vezes passam rápido, quase despercebidos, mas têm um significado indescritível e enorme - principalmente para os seus protagonistas. É preciso coragem para sair do "momento" com o status de derrotado, mas pontuar a história com um marco inamovível e dar seu nome para a posteridade.

Joserrí de Oliveira Lucena





"Ao ver um site de fotografias clássicas em P&B que foram coloridas por uma artista, uma foto me chamou a atenção. Fui pesquisar do que ela se tratava e achei a história muito interessante da atitude de uma mulher que mudou muita coisa nos EUA.

Dorothy Counts foi a primeira estudante negra admitida numa escola pública americana (de brancos). A fotografia retrata seu primeiro dia de aula na Universidade de Harry Harding, na Carolina do Norte (EUA), em 1957.


O vestido de Dorothy foi feito por sua avó especialmente para seu primeiro dia de aula. Cuspiram nele.

Centenas de alunos seguiram e acompanharam sua chegada à escola. De vez em quando alguns jogavam coisas em sua direção enquanto outros faziam gestos obscenos. Os estudantes gritam para ela voltar para casa. Dorothy foi em frente sem reagir.


Este absurdo momento de violência prosseguiu nos dias seguintes. Foram 4 dias de perseguições e insultos. Jogavam lixo durante a sua refeição e seu armário era saqueado. Depois surgiram ameaças telefônicas agravando ainda mais a situação. Por fim, os seus pais consideraram que a sua vida poderia estar em risco e optaram por tirá-la da escola.


Pode parecer pouco mas os quatro dias em que Dorothy tentou frequentar a Harry Harding High School foi de grande importância para o Movimento dos Direitos Civis e fim da segregação racial nos Estados Unidos.

O preconceito torna o cérebro ignorante e as pessoas cegas."

por Nando Scofield

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Campanha Salarial 2012 - Bancários em Greve!

Os bancários iniciaram o movimento da campanha salarial 2012, tendo em vista que sua data-base é setembro de cada ano.

Após analisar a proposta da FENABAN, que oferece apenas 6% de reajuste, vários sindicatos regionais já votaram por deflagrar greve geral a partir do próximo dia 18/09/2012 - o movimento grevista é nacional e inclui os bancários da rede pública e privada. A proposta da FENABAN representa um retrocesso na retomada de perdas históricas, com "ganhos reais" acima da inflação do período.

Ganho real é um conceito para quanto o salário aumenta acima do índice de inflação oficial medida nos últimos 12 meses. É um termo inadequado, neste caso, pois a categoria dos bancários tem perdas históricas criadas por GOLPES como o plano Bresser, os planos Verão 1 e 2, o famigerado plano Collor e tantos outros da Era FHC, que gerou perdas salariais irreparáveis - estas perdas são admitidas mas não reconhecidas pelos governantes, e sobretudo são sentidas no bolso não só dos bancários, mas também de toda a massa trabalhadora do país - um exemplo de perda histórica é o da inflação de março de 1989, que chegou a 81% e foi solapada dos reajustes dos trabalhadores.

Na atual proposta de reajuste salarial (2012), a FENABAN sinaliza com míseros 0,6% de GANHO REAL. Dá prá acreditar?

Como forma de contribuir para ampliar o debate sobre o tema "GREVE", compartilho um artigo enviado pelo colega bancário Kennedy Wanderley de Sousa (Por que a Greve se prolonga).

Um abraço, e vamos à luta!

Joserrí de Oliveira Lucena


POR QUE A GREVE SE PROLONGA...


            O piso salarial do bancário é cerca de metade do piso no Paraguai, Chile e Argentina; que junto aos comissionados passam o ano todo sofrendo com a exploração das metas abusivas.   Diante disso é preciso ter claro que a campanha salarial é o momento mais adequado para lutar por melhorias.   Tem alguns colegas que se esquecem do desrespeito dos bancos e ficam com pena do patrão na hora de aderir à greve, que é a nossa única forma de defesa; e ainda se valem de desculpas equivocadas, que na verdade só interessam ao patrão:

- não estou atendendo clientes; só fazendo serviços internos;
- não tem ninguém que faça meu serviço; se eu não fizer o banco vai se prejudicar;
- eu só estou processando envelopes (que é um grande ataque a luta dos bancários);
- eu não sei se a greve resolve nossos problemas; etc.
- não veio ninguém fazer piquete aqui;

            Agir assim é contrariar todo objetivo da greve, que é diminuir os exorbitantes lucros do patrão.   Não tenham dúvidas companheiros, esse é o  escopo fundamental de uma greve; pois greve que não causa problemas ao patrão, que não lhes causam preocupações, será sempre greve demorada e derrotada.   A greve é o momento do trabalhador pensar exclusivamente em si; sem ter pena do patrão (pra isso ele teve e terá o ano inteiro).   Na verdade, não há justificativa aceitável para o trabalhador que fura uma greve justa de sua categoria.   Seria bom que só ficasse na agência o gerente geral; mas temos aceito mais uma pessoa, para ajudar na compensação e para abastecer máquinas de saque e atender as exigências míninas da legislação.

            Outro equívoco é achar que a greve é contra os clientes; a greve deve ser contra o patrão e deve interromper seus negócios, causar-lhes problemas e reduzir seus lucros; pois só assim ele vai negociar.   Em auto-atendimento e em sistemas já são feitas cerca de 90% das transações, mesmo assim a greve ainda surte efeito; isso mostra a importância do trabalho do bancário.   No entanto, um dos maiores equívocos da greve é permitir que se processem envelopes de depósitos, que é o único serviço do auto-atendimento que é  verdadeiramente interrompido na greve; do contrário todos os serviços bancários estariam sendo feitos.   Portanto, fazer depósitos é um ataque à greve e uma tentativa de anular o seu efeito.

            É uma vergonha que ainda seja preciso ter piquete em banco público para que alguns colegas não furem a greve.   O fura-greve é o motivo da greve se alongar e de ser derrotada, pois se serviços do tipo análises e deferimento de pleitos, concessões de LRCs, balancetes, audiências, custódia, depósitos, etc., são feitos, não há por quê o patrão ter pressa ou necessidade de negociar.   Ou seja, o fura greve dá fôlego ao patrão para derrotar a ele próprio e a seus colegas.   Furar a greve é um equívoco que contraria a lógica secular da luta dos trabalhadores e uma agressão aos escritos daqueles que dedicaram toda uma vida a mostrar como se processa efetivamente a exploração de uma classe por outra; é uma atitude na maioria das vezes, egoísta,  pusilânime, sem espírito coletivo e desprovida de consciência social e política, que indica uma covardia inexplicável contra a sua própria classe.

            Alguns gestores ignoram que não adianta ter crescimento econômico se não for também para mehorar a vida de todos; e portanto não sentem nenhum pudor de serem capatazes da exploração dos bancos, inclusive durante a greve.   Porém muitos ao se aposentarem tentam tardiamente se redimir, mas o tempo é cruel e não volta atrás; visto que já perderam o bonde e com certeza serão castigados por suas próprias consciências.


TER PENA DO PATRÃO PROLONGA A GREVE E ENCURTA AS CONQUISTAS...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os 5 Generais Presidentes

A internet é palco prá todo tipo de baboseira; mais recentemente as pessoas passaram a divulgar textos e atribuí-los a outros (com mais credibilidade) para dar um ar de verdade às informações.

 

No caso do texto abaixo, duvido que o jornalista Carlos Chagas o tenha escrito.

 

Além de incoerente com seus posicionamentos, é extremamente parcial e está eivado de suposições apócrifas.

 

Resolvi publicá-lo, não por concordar com as afirmações, senão para provocar uma reflexão acerca do tema.

 

Sempre procure um referencial para checar se as informações que chegam até você não passam de brincadeiras de mau gosto ou de má fé.

 

Joserrí de Oliveira Lucena

 

                                                                                                  Os 5 Generais Presidentes.

Os 5 Generais Presidentes - Autor : jornalista CARLOS CHAGAS

"Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos
difíceis. Claro que, no reverso da medalha, foi promovida ampla
modernização das nossas estruturas materiais. Fica para o historiador
do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos."

Mas uma evidência salta aos olhos: a honestidade pessoal de cada um!

 

Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os
herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e
umas poucas ações de empresas públicas e privadas.

Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o
privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras,
deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em
construção, em Copacabana.

Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de
gado em Bagé, mas quando adoeceu precisou ser tratado no Hospital da
Aeronáutica, no Galeão.

Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o
Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder
manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.

João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado de lamentável conservação.

OBS: foi operado no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio.

Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem
ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram
nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus
governos.

Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou
agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente
remuneradas.

Bem diferente dos tempos atuais, não é?


Pois é... o pior é que ninguém faz nada !

Acrescento: nenhum deles mandou fazer um filme pseudo biográfico, pago com dinheiro público, de auto-exaltação e culto à própria personalidade!

Nenhum deles usou dinheiro público para fazer um parque homenageando a própria mãe.

Nenhum deles usou o hospital Sírio e Libanês.

Nenhum deles comprou avião de luxo no exterior.

Nenhum deles enviou nosso dinheiro para "ajudar" outro país.

Nenhum deles saiu de Brasília, ao fim do mandato, acompanhado por 11 caminhões lotados de toda espécie de móveis e objetos roubados.

Nenhum deles exaltou a ignorância.

Nenhum deles falava errado.

Nenhum deles apareceu embriagado em público.

Nenhum deles se mijou em público.

Nenhum deles passou a apoiar notórios desonestos depois de tê-los chamado de ladrões.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A CASQUINHA DE SORVETE - por Frei Betto

Frei Betto é daquelas pessoas contundentes, que quase sempre se antecipam em percepções de mundo que a maioria jamais vai compreender. Também é irrefutável, por seus comentários retóricos bem construídos e fundados com informações públicas e coletivas, que não foram e nem podem ser influenciadas a bel prazer do interlocutor.

Seu texto "A Casquinha de Sorvete" é desses artigos cuja simplicidade nos cala e nos conduz à reflexão sobre nosso papel no mundo.

Um abraço,

Joserrí de Oliveira Lucena


A CASQUINHA DE SORVETE
Frei Betto

      Você conhece a casquinha abiscoitada de sorvete: a bola é colocada acima e, enquanto derrete, um pouco do sorvete se espalha pela parte inferior. Ao comer a casca, a ponta inferior do cone costuma estar seca, sem sorvete.

      Assim é a distribuição da riqueza no mundo, segundo a ONU: 20% da população mundial, o equivalente a 1,320 bilhão de pessoas, concentram em suas mãos 82% da riqueza mundial. Fartam-se com a bola de sorvete. Na ponta estreita do cone, os mais pobres – 1 bilhão de pessoas – sobrevivem com apenas 1,4% da riqueza mundial.

      Mede-se o indicador de riqueza de uma economia pelo PIB – o Produto Interno Bruto. Quanto maior o PIB, maior o crescimento de um país. Tanto que o governo Lula lançou o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Deveria ter lançado o PADS – Programa de Aceleração do Desenvolvimento Sustentável.

      Um país cresce quando sua economia total ganha mais cifrões. O que não significa que se desenvolveu, ou seja, imprimiu mais qualidade de vida e felicidade à sua população. Crescimento tem a ver com produção agropecuária, industrial, e expansão da rede de serviços. Desenvolvimento significa escolaridade, saúde, saneamento, moradia, cultura e preservação do meio ambiente.

      O economista Ladislau Dowbor, da PUC-SP, tem um bom exemplo para mostrar a diferença: a Pastoral da Criança favorece, com a sua rede de 450 mil voluntários, milhares de crianças até 6 anos de idade. Assim, contribui com a redução de 50% dos índices de mortalidade infantil e 80% das hospitalizações. Se menos crianças adoecem, menos medicamentos são comprados, menos serviços hospitalares são utilizados, e as famílias vivem mais felizes.

      Ótimo, não? Não para o governo e os economistas com mania de PIB. "O resultado, do ponto de vista das contas econômicas, é completamente diferente: ao cair o consumo de medicamentos, o uso de ambulâncias, de hospitais e de horas trabalhadas por médicos, reduz-se também o PIB", afirma Dowbor. Ao obter saúde com um gasto de apenas R$ 1,70 por criança/mês, a Pastoral da Criança faz cair o PIB. Porém, sobe a felicidade geral da nação.

      Comemorar o crescimento do PIB não significa o país estar na direção certa. Vide a China, cujo PIB é o que mais cresce no mundo. Nem por isso a qualidade de vida de sua população nos causa inveja. Se o desmatamento da Amazônia – careca, hoje, em 17% de sua área total – aumenta, mais se introduzem ali o agronegócio e imensos rebanhos. O que fará crescer o PIB. E reduzir o equilíbrio ambiental e a nossa qualidade de vida.

      O problema número 1 do mundo não é econômico, é ético. Perdemos a visão de bem comum, de povo, de nação, de civilização. O capitalismo infundiu-nos a perversa noção de que acúmulo de riqueza é direito e consumo de supérfluo, necessidade.

      Compare estes dados: segundo a ONU, para propiciar educação básica a todas as crianças do mundo seria preciso investir, hoje, US$ 6 bilhões. Apenas nos EUA são gastos por ano, em cosméticos, US$ 8 bilhões. Água e saneamento básico seriam garantidos a toda a população mundial com um investimento de US$ 9 bilhões.

      O consumo/ano de sorvetes na Europa representa o desembolso de US$ 11 bilhões. Haveria saúde básica e boa nutrição às crianças dos países em desenvolvimento se fossem investidos US$ 13 bilhões. Ora, US$ 17 bilhões é o que se gasta por ano, na Europa e nos EUA, em alimentos para cães e gatos; US$ 50 bilhões em cigarros na Europa; US$ 105 bilhões em bebidas alcoólicas na Europa; US$ 400 bilhões em narcóticos no mundo; e US$ 780 bilhões em armas e equipamentos bélicos no mundo.

      O mundo e a crise que o afeta têm sim solução. Desde que os países sejam governados por políticos centrados em outros paradigmas que fujam do cassino global da acumulação privada e da irrefreável espiral do lucro. Paradigmas altruístas, centrados na distribuição de renda, na preservação ambiental e na partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.

      Preste muita atenção nos candidatos que, este ano, merecerão o seu voto a vereador e a prefeito. Investigue o passado deles para saber com quem, de fato, estão comprometidos.

      Ah, você não gosta de política? Não seja ingênuo: quem não gosta de política é governado por quem gosta. E tudo que os políticos corruptos querem é que sua omissão assegure a perpetuação deles no poder.
Com um abraço



A miséria moral de ex-esquerdistas (emir sader)


Uma coisa é um ser humano manter-se coerente com seus princípios e valores, e discordar de práticas travestidas no "bom-mocismo" que não enganam ninguém. Outra coisa é esse mesmo ser humano ter um discurso frágil, apenas para conseguir vantagens e espaço na negociação de seu caráter.

Emir Sader expõe essa contradição, ao abordar em "a miséria moral de ex-esquerdistas", um fato muito comum em nossos dias: o esquerdista de ocasião.

Joserrí de Oliveira Lucena
Esquerdista e Cristão


A miséria moral de ex-esquerdistas

Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: "Eu sabia, você nunca me enganou", etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.

O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.

O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele "veneno" que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem "conheceu o monstro por dentro", sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.

Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a "dialética", a "luta de classes", a promessa de uma "sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado". Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do "socialismo", do "totalitarismo", do "stalinismo". 

Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.

Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o "totalitarismo", em cada política social a "mão corruptora do Estado", do "chavismo", do "populismo".

Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a "democracia" contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o "perigo comunista" – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – "uma vez terrorista, sempre terrorista".

Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.

Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.
Emir Sader




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