terça-feira, 23 de abril de 2013

O que tem por trás das cortinas?

Muita gente gosta de teatro. A arte de representar exige vocação, dedicação e muito treino.

Mas quando a gente mergulha por trás das cortinas, pode se surpreender com o quanto é comum o improviso, diante do imprevisto (quase sempre mais certo que a rotina).

É ali, por trás das cortinas, que o mundo se descortina sobre os porquês.

Abaixo, duas reflexões sobre notícias recentes. Uma delas o brilhante texto de Daniel Dantas, potiguar de excelente verve, e em seguida, imagens com indagações intrigantes - sobre o desenrolar dos acontecimentos pós-atentado na maratona de Boston (2013).

Mentira tem pernas curtas. Mas, se quer motivos para questionar essa "verdade" conveniente, detenha-se um pouco na seqüência de informações e fotos abaixo.

Joserrí de Oliveira Lucena


A outra história do atentado em Boston: espetáculo em cinco atos


Uma bem possível versão dos fatos relacionados ao atentado em Boston uma semana atrás. Sem muito de teoria conspiratória.
Cai a cortina. E, como em qualquer espetáculo teatral, o público aplaude os atores. Eles desfilam em seus carros com luzes que piscam vermelhas e azuis, os tanques antibombas passam sob um frenesi de uma sociedade que, desde 11 de setembro de 2011 vive a frustração por não ter conseguido caçar os terroristas que abalaram o orgulho nacional
CAÇADA HUMANA,
ESPETÁCULO EM CINCO ATOS (OU, CINCO DIAS)
Roteiro, Direção e Sonoplastia – CIA, FBI, POLÍCIA DE BOSTON
Participação Especial – Sociedade Americana
Narração – Fox News
Era Boston, início da tarde de 15 de abril, numa primavera sonolenta e ainda fria, quando dois irmãos saíram de casa. Nas costas carregavam um elemento cada dia mais demonizado pela sociedade americana: mochila. E essa tinha seus perigos. Ela transportava uma bomba. Caseira, rudimentar, de baixo impacto, de fácil feitura, numa panela de pressão. Mas continuava sendo uma bomba. E bombas, de nêutrons ou caseiras, são construídas com o mesmo objetivo. Para matar. Sempre.
Os jornais da cidade de Boston naquela segunda-feira, dia da “segunda maratona do mundo” (a primeira continua sendo a grega) trazem notícias corriqueiras., além do assunto do dia, a maratona . Nas primeiras páginas do jornais de Boston, New York, Washington, Chicago, Miami, nenhuma linha sobre o que acontecera na véspera, domingo, 14 de abril. Naquele dia, 30 pessoas, entre elas oito crianças, foram mortas por um drone no Afeganistão. A máquina da morte confundiu uma cerimônia de casamento com ato terrorista. Há quem concorde.
São 2h17min da tarde de 15 de abril na bela e culta cidade de Boston. Correrias, sirenes, multidão em polvorosa. A bomba havia explodido. Três pessoas são envolvidas em sacos plásticos. Mortas. Outras 160 se espalham pela rua interditada e pelas calçadas. Feridas. Comoção nacional. Não pelo drone que matou 30 pessoas inocentes. Mas pelo “ato terrorista” que matou Três inocentes, entre eles um garoto e 160 feridos. Um deles, com pernas amputadas.
24 horas do atentado, nenhum suspeito. Nada. Nenhuma testemunha mas (as conjunções adversativas sempre mudam a história do mundo), surge a primeira imagem, um primeiro suspeito. Alguém que andava sobre os telhados na hora da maratona.
As especulações qual coriscos ensandecidos, riscam os céus de Miami, Chicago, Washington, New York e Boston. “Isso é coisa do Tea Party”, reclamam uns. “Parece que foi ação de quem é contra a alta de impostos”, bradam outros. Ninguém se lembra de que o Congresso dos EUA está, nesse momento, discutindo uma Lei de Migração menos draconiana. A discussão arrepia e traz pesadelos para a extrema direita e seu atual líder, senador pela Flórida, Marco Rúbio. Filho de cubanos fugidos da ilha nos 60.
Quarta-feira, 17 de abril. A câmera de um “anônimo” traz, finalmente, aquilo que mais de 300 milhões de americanos esperavam. A imagem de dois rapazes. Eles e suas e suas mochilas. Os dois próximo à lixeira onde a bomba fora deixada.
irmaos-atentado-boston1.jpg
Irmãos Tsarnaev, suspeitos de atentado em Boston (Foto: Divulgação)
Ainda é 17 de abril. A voz da âncora da Fox News ecoa pelos ares de um país em pânico. Mas, antes de qualquer pronunciamento oficial, a âncora da Fox News canal de televisão de Rupert Murdoch (a mesma que se recusou a acreditar na reeleição de Obama) deixa escapar o cheiro da panela. Um cheiro de Islam servido num samovar.
17 de abril, em Boston, a câmera com imagem dos dois irmãos, de nomes impronunciáveis no Ocidente, se junta a outras câmeras. A CIA entra em ação para ampliar as imagens que mais a interessavam A dos dois irmãos. A Polícia de Boston nega ter feito a captura de qualquer suspeito.
Já é quinta-feira, 18 de abril. CNN, com seu noticiário desbotado e Fox News exigindo vingança passam a centralizar o noticiário na busca dos “terroristas”. Às nove da noite desse dia, as imagens dos dois irmãos surge nas telas das redes sociais com a tarja “Wanted” (Procurados). A mesma tarja utilizada na colonização da costa Oeste do país para encontrar pistoleiros ou ladrões de gado, de banco…
Ainda é quinta-feira. Dez da noite. O lado Leste dos EUA já se entregou ao sono. A sociedade estadunidense dorme cedo. Mantém até hoje hábitos rurais, com algumas exceções. Na Fox News, uma voz embargada de emoção anuncia que uma loja de conveniências foi assaltada. Eram os dois irmãos. Eles também fizeram um refém, o dono de uma Mercedes SUV (Sport Utility Vehicule), um jeep possante. O refém escapa enquanto os irmãos assaltam a loja. Nem o FBI, nem a CIA, nem a Polícia de Boston mostra a loja do assalto e muito menos o cidadão sequestrado.
A partir daí, a tarja “Wanted” pode ser substituída pela tarja “Fiction”. Ou, acredite, se quiser. Porque, nessa tragédia, com cinco mortos (os três pela bomba, um policial e um dos irmãos pela polícia) a verdade de substantivo abstrato, torna-se substantivo volátil.
10h30min da noite de quinta-feira, os dois irmãos, mesmo num carro possante, não tinham se afastado tanto do local do sequestro seguido de roubo. A Polícia cerca o carro. Uma câmera imóvel filma o tiroteio. O som dos tiros são nitidamente de armas do mesmo calibre. Mas a versão oficial informa que a polícia foi recebida com bombas, embora o vídeo de câmara parada não mostre nenhuma explosão.
O mais velho dos irmãos é preso (ou se entrega, ninguém sabe). E morre “a caminho do hospital”. Ou vocês pensavam que só bandido brasileiro morre a caminho do hospital depois de “intensa troca de tiros”?
O irmão caçula, ferido, consegue escapar. Deixa um rastro de sangue, mas a polícia não segue as pegadas frescas. Desloca-se para uma pacata cidadezinha, Watertown para vasculhar a casa onde, afirmam as autoridades, viviam os irmãos. A essa altura, o telespectador já sabe que eles são estrangeiros. Vieram da sofrida Chechênia, país localizado numa região onde a morte chega pelas mãos das tropas de ocupação do Afeganistão. Ou, pela arma mais abjeta criada pela indústria armamentista dos Estados Unidos, o drone.
Os repórteres, âncoras e comentaristas se entreolham decepcionados. Por que Chechênia? Afinal de contas, Chechênia, é um país invadido pela Rússia. Seus imigrantes têm direito ao status de “refugiados”. Ou seja, os dois estavam fugindo do antigo inimigo número um dos EUA, a poderosa União Soviética. Um fantasma que por mais de cinco décadas povoou os pesadelos dos americanos. Não fazia sentido, bradavam os analistas e especialistas em Segurança e Terrorismo.
Helicópteros, carros antibombas, agentes com colete do FBI, Polícia de Boston, sirenes incessantes. A casa é cercada. São 10h30 da manhã de 19 de abril. A caçada fora iniciada doze horas antes. O movimento é acompanhado por centenas de jornalistas e canais de TV. As ruas da cidade foram fechadas. Ninguém entra ou sai. Os vôos, cancelados. Boston e seus arredores transformam-se em cidades sitiadas. “Estou no meio da guerra” dizia ao microfone um repórter da Fox News num cenário onde não se via carros ou pessoas.
Pé ante pé, rodeados por câmeras de grandes e pequenos canais de TV, batalhões de policiais, agentes do FBI, especialistas em desarmar bombas, helicópteros de guerra sobrevoam a pacata Watertown.
A âncora da Fox News baixa o tom de voz dramaticamente para dizer, “o procurado é uma pessoa de extrema periculosidade”. Ela está rouca e muito excitada. A polícia, qual seriado de TV, põe a arma em diagonal (nunca entendi porque as armas ficam na diagonal da mão quando a polícia busca criminosos). Chegam à casa onde viveriam os dois irmãos. Não se ouve nada. Nenhum som.
Frustração. Os policiais abandonam o interior a busca. E saem declarando que havia um verdadeiro arsenal dentro da casa vazia. E muitas bombas, algumas delas de alto poder destrutivo e que “exigem treinamento para sua fabricação. Não há imagens do arsenal.
Só um protesto diante da cena. A tia dos dois irmãos é advogada. Sem papas na língua. E vive no Canadá. Quando uma jornalista lhe pergunta o que acha do fato de seus sobrinhos terem bomba em casa, ela, voz firme, com forte sotaque do Leste europeu: “Evidências. Quero evidências de que havia bombas. Quem está informando sobre as bombas é o FBI e a CIA. Mas não há evidências”. E até agora as evidências continuam no anonimato.
Ninguém contesta a informação. Ninguém se pergunta por que os dois irmãos, “pessoas de extrema periculosidade” deixaram em casa bombas potentes e usaram uma outra de baixo impacto.
“Necessidade de treinamento para a fabricação”. A frase, parece solta ao acaso. Mas não se iludam. É o primeiro passo, o primeiro elo com o “terrorismo” (leia-se “terrorismo islâmico”).
14h30min de 19 de abril. A caçada continua sem pistas da pessoa de “extrema periculosidade”. A essa altura, na cozinha da Fox News, a panela de pressão assovia. Na tela o sinal de “Alert”, ou seja, vem notícia bombástica (sem trocadilhos).
E, para um público que, passivamente se deixa impregnar pelo noticiário como se fossem gansos alimentados para que seus fígados engordem e se transformem em paté de “foie gras”, a voz que alicia multidões diz que…tchan…tchan…tchan, o mais velho dos irmãos passou “seis meses na Chechênia.
Que absurdo! Como é que um checheno tem a ousadia de passar seis meses na Chechênia, mesmo morando no país mais rico e poderoso do planeta? Isso é crime. É sinal explícito de militância terrorista.
Mas ainda não era tudo. Os ponteiros do relógio avançavam. A caçada ia a passos de um velho celacanto. Nessa época do ano, o dia invade a noite. Só se deixa vencer quando não mais consegue provar o poder do sol.
As tropas tomam outra direção. Agora procuram um barco ancorado na terra. Lá está um adolescente. Ferido. Sangrando.
São 19h30 em Boston e seus arredores. A claridade é suficiente para encontrar filhotes de esquilo em mata fechada. Os helicópteros continuam vasculhando céu, terra. As tropas do país mais armado do mundo parecem perdidas. O bombardeio da Foz News sobre os gansos repete exaustivamente as mesmas informações. Em tons de filme macabro ou novela policial, os âncoras se revezam em adjetivos. Os gansos estão quase a ponto de virar patê de foie gras, explodindo de ódio contra os seguidores do Alcorão.
A luminosidade cede lugar às primeiras escuridões. A Fox News, num tom solene anuncia que o aparato policial “avança com cautela” porque quer pegar o irmão sobrevivente “vivo”. Como se fosse uma grande concessão.
21 horas. Já é noite de 19 de abril em Boston, em Watertown, Miami, New York e Washington. Em Chicago ainda há luz. A escuridão impede imagens nítidas mesmo para câmeras poderosas. E… “cantemos ao senhor”, a pessoa de “extrema periculosidade” é capturada. Está ferida. Perdeu muito sangue por quase 24 horas. Debruçados sobre um corpo magro, os paramédicos impedem telespectadores de olhar a cara do “terrorista” que é levado para o hospital. Os helicópteros com luzes infravermelho retornam à base.
Cai a cortina. E, como em qualquer espetáculo teatral, o público aplaude os atores. Eles desfilam em seus carros com luzes que piscam vermelhas e azuis, os tanques antibombas passam sob um frenesi de uma sociedade que, desde 11 de setembro de 2011 vive a frustração por não ter conseguido caçar os terroristas que abalaram o orgulho nacional.
O espetáculo que se encerra com os habitantes de toda uma cidade carregando flores ou velas protegidas por saco de papel cantando “God save America. My home, sweet home/ God save America/ my home sweet home, numa verdadeira catarse nacional.
Fonte: Nominuto.com

As imagens, podem ser acessadas em http://imgur.com/a/Nx8EU, ou na íntegra, coladas abaixo. 

User Prediction Made before the Events Happened

User Prediction Made before the Events Happened

Ignore these Two

Ignore these Two

Backpack identified

Backpack identified

Suspect 1 Surrendering

Suspect 1 Surrendering

Suspect 1 Being escorted Away

Suspect 1 Being escorted Away

How Suspect 1 ended up

How Suspect 1 ended up

How Suspect 1 ended up 2

How Suspect 1 ended up 2

Suspect 2 Not Injured

Suspect 2 Not Injured

Suspect 2 getting a breathing tube

Suspect 2 getting a breathing tube

While we were distracted

While we were distracted

Suspect still had his backpack

Suspect still had his backpack

Infographic on Mercenaries

Infographic on Mercenaries

Spot the agent

Spot the agent

Ignore these people

Ignore these people

Oops too soon

Oops too soon

Irony

Irony

Wrong Backpack

Wrong Backpack

What they mean to say

What they mean to say

Hat Identification

Hat Identification

Real Suspect With Bomb Backpack

Real Suspect With Bomb Backpack

segunda-feira, 15 de abril de 2013

The Witch is Dead: A bruxa está morta!

Como Margareth Thatcher para a Inglaterra, há muitos "bruxos" e "bruxas" pelo mundo.

Os trabalhadores são silenciados para pedirem e vibrarem com suas quedas, e agora tentam impedir que comemorem suas mortes...

... é o caso da censura à música-desabafo, elevada a hit nas rádios britânicas.


Ela foi a responsável por uma política nefasta, que gerou milhões de desempregados e transformou o poder dos sindicatos em fumaça.


Entenda melhor a polêmica, lendo a replicação da postagem abaixo, e não perca a oportunidade de assistir ao vídeo da música.

Joserrí de Oliveira Lucena

Fonte: Blog Limpinho e Cheiroso

Anti-Thatcher: A BBC não sabe o que fazer com a música mais vendida da Inglaterra 


Margareth_Thatcher11_Musica
Alegria, alegria…


Ativistas anti-Thatcher levaram a música A bruxa morreu ao primeiro lugar e a BBC sofre pressão para não tocá-la na tradicional parada de domingo.

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro do Mundo

Liberdade de expressão é uma coisa realmente complicada: é mais fácil falar dela do que praticá-la. Um episódio mostra isso exatamente neste momento no país que supostamente é o berço da liberdade de expressão.

No meio de uma controvérsia que se espalhou toda a mídia britânica, está a venerada BBC. O que aconteceu: ativistas deflagraram uma campanha para comprar uma música anti-Thatcher para levá-la ao topo das paradas. A música é do Mágico de Oz e se chama “Ding dong, the witch is dead!” (Dim dom, a bruxa morreu!).

Objetivo alcançado.

Neste momento em que escrevo, é a número 1 na Inglaterra. E é aí que entra a BBC com seu excruciante dilema. Tradicionalmente, aos domingos, a principal rádio da BBC, a 1, toca as músicas mais vendidas, a conhecida parada de sucessos.

A questão que se ergueu barulhentamente: a BBC deveria tocar o hino anti-Thatcher, a três dias de seu funeral? Os comentaristas conservadores da mídia saíram gritando que não. Que isso seria desrespeito com uma pessoa que sequer foi enterrada.

Mas um momento: isso é censura ou não?

É o entendimento da chamada voz rouca das ruas. Numa enquete noGuardian, quase 90% das pessoas disseram que sim, a rádio tinha que tocar a canção.

E a BBC, que fez?

Encontrou uma solução que foi a seguinte: subiu no muro. Não vai censurar a música, ao contrário do clamor conservador. Mas tampouco vai tocá-la inteira: decidiu dar, na parada de domingo, um fragmento de 4 ou 5 segundos.

O que parece claro, passados alguns dias da morte de Thatcher, é que a elite política e jornalística inglesa não tinha a menor ideia de quanto a Dama de Ferro era detestada. É uma demonstração espetacular de miopia e de desconexão com as pessoas.

A Inglaterra vive hoje não apenas uma crise econômica que não cede há anos, mas uma situação dramática de desigualdade que levou aos célebres riots – quebra-quebras — de Londres há pouco mais de um ano. Qual a origem da crise e da desigualdade?

Thatcher, é claro.

O real legado de um governante se vê depois que ele se foi. As desregulamentações, as privatizações e os cortes em gastos sociais de Thatcher, passados 30 anos, resultaram num país em que as pessoas têm um padrão de vida inferior ao que tiveram.

Como imaginar que as pessoas ficariam tristes com sua morte?

terça-feira, 19 de março de 2013

Jamais Apresente Uma Solução

Excelente artigo, de Stephen Kanitz, como reflexão aos que acham que pensar o problema e buscar soluções é gastar energia em coisas negativas.

Joserrí de Oliveira Lucena

 

Jamais Apresente Uma Solução

Stephen Kanitz

 

Quando a gente encontra um problema que ninguém ainda havia percebido na empresa, no governo, ou na sociedade, a nossa primeira reação é ficar quieto.

Embora o problema fique cada vez mais óbvio para você à medida que os dias passam, normalmente ficamos mudos.

Espantados com “Como é que ninguém viu isto antes?”, mas normalmente mudos.

Só iremos escrever um “paper” sobre o assunto, um artigo numa revista, ou dar uma entrevista a um jornalista quando acharmos uma solução para o problema que identificamos.

Isto porque na maioria das culturas não profissionais, ninguém aceita a apresentação de um problema sem a solução.

A Presidente Dilma lhe passará uma descompostura se você apresentar um problema sem uma saída.

“E qual a solução? “

Eu, com a sabedoria da idade, sei que apresentar uma solução a um problema que você identificou é o maior erro que se pode fazer em países como o Brasil.

Talvez no mundo, porque de fato valorizamos muito mais os que acham uma solução do que os que acham o problema.

Valorizamos quem dá as respostas e não quem faz as perguntas inteligentes. 

Refiro-me a países não profissionais, países que não entendem a importância da identificação do problema, países que acham que a solução é a parte mais importante da análise.

Talvez este tenha sido inclusive o maior erro que já cometi na minha vida, e a razão pela qual muitas das minhas análises não tenham tido mais repercussão, para o meu desespero.

Hoje, sou mais sábio.

Nunca mais forneço a solução no mesmo artigo, entrevista ou “paper” nos quais apresento ou identifico o problema. 

Vou por partes.

Primeiro, gasto o tempo necessário mostrando que temos um problema ou que o verdadeiro problema “é este”. A solução, se pedirem, vem depois. 

Todas as soluções de problemas errados são, por definição, erradas e só trarão problemas maiores.

Pior, a solução que você propõe poderá estar errada, mas a identificação do problema correta.

Aí, você corre o risco de colocar tudo a perder. Ninguém vai concordar contigo devido a sua solução, e a sua correta identificação do problema ficará perdida para sempre.

Antigamente eu identificava o problema, apontava uma solução, detalhava a implantação da solução, e até contratava quem melhor servia para o caso.

Quando tinha 38 anos, descobri que o problema da Dívida Externa Brasileira era o Nominalismo Econômico, que fazia com que pagássemos a dívida externa antecipadamente, e não na época certa.

Fui trabalhar no Governo Sarney, onde contatei meus colegas de Harvard, muitos em Fundos de Pensão, e criamos o que é hoje o TIPS americano.

Procurei a Standard & Poors para inciar um rating para o Brasil, contratei a Towers Perrin para identificar os 14.000 fundos de pensão que adorariam ter dívidas certas, mereci até um editorial da Revista Euromoney e uma matéria no Wall Street Journal.

Com o editorial da Euromoney me apoiando, abri uma champagne com meus amigos: “Consegui”.

Que nada!

Descobri que a maioria dos envolvidos do lado de cá, ainda nem sabia do problema.

Achavam que o problema eram os Bancos, a ganância, os juros e a corrupção.

Eu havia escrito 200 artigos em jornais brasileiros, mas a maioria dos que os leram, pelo jeito, haviam achado algum ponto na minha solução que discordavam, um erro de português, ou uma projeção de câmbio diferente daquela que eles possuíam.

Tudo no fundo era detalhe, até a minha solução.

A maioria dos jornalistas a quem dei entrevistas me acharam provavelmente arrogante, um trator, um sonhador maluco, porque estava apresentando uma solução completa, e eles não formados em nada além de jornalismo, ficavam na etapa número 1 e eu estava galopando para a etapa número 10.

Um erro monumental. 

Quando voltei do fundo de Pensão da IBM, com 1 bilhão de contrato novo na mão, ouvi do Presidente do BC, Fernão Bracher:

“Agora entendi, você só vai pagar o juro real a cada 6 meses, e a correção do principal só será paga no vencimento da dívida daqui 5 anos!”

Até aquele momento ele achava que pagaríamos o juro real mais a inflação a cada 6 meses, que é justamente o erro nominalista que acarretou nossa crise da dívida.

Perdi dois anos de conversas com alguém na minha frente que não estava entendendo nada, e não queria se incomodar. 

O erro foi meu, não do Bracher e todos os responsáveis pelas finanças deste país. Não expliquei corretamente o problema, deveria ter ficado somente nisto, mas esta não é a nossa cultura.

 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher: homenagem e protesto!


Neste DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, gostaria que as homenagens fossem não apenas teóricas, nem muito menos apenas motivo para movimentar a economia.

Gostaria de crer que as mulheres são tratadas com a dignidade, carinho e amor das mensagens em corrente que inundam as redes sociais.

Gostaria que as estatísticas de violência física, moral, psicológica contra as mulheres não recheassem o noticiário, e depois as salas de tribunais de júris de norte a sul do país - HOJE E NO RESTANTE INTEIRO DO ANO!

Essa violência migra dos lares para os demais espaços pretendidos pela mulher.

Faço minha homenagem em forma de protesto, em 3 tópicos:

1) As empresas não tratam as mulheres com ISONOMIA (salarial, encarreiramento, de gênero...);
      Não precisa de estatística para comprovar que mulheres ganham menos. Isso é visível na DISTRIBUIÇÃO das funções em comissão, cujos cargos de maior salário são ocupados generalizadamente por MACHOS.
      Até quando veremos os processos de seleção "a dedo" para funções de maior visibilidade e remuneração pelo critério da ESTÉTICA, e o desprestígio da qualificação, competência e habilidades?


2) As mulheres são as maiores vítimas de assédio moral e SEXUAL; 
      Muitos chefes são conhecidos por suas aventuras com as menininhas (estatutárias, celetistas ou mesmo terceirizadas), que até recebem a alcunha de "... é a comidinha do chefe..."

      Neste particular, ver matéria publicada hoje no site do UOL, que atesta que 52% das mulheres já foram vítimas de assédio sexual 

      Abaixo, ou clicando aqui, leia na íntegra.

      Não é brincadeira! É assunto sério! 

      Até hoje não vi estatística ou artigo que aborde casos de infidelidade conjugal, fim de matrimônio ou divórcios em função ou como requisito para a ascensão feminina. 

      É um tabu!?
     
     
3) Homenagem é apenas uma formalidade, um consolo
      Infelizmente, em pleno ano de 2013, ainda temos a data como uma mera formalidade, um consolo.

      Como cantava a potiguar Núbia Lafayette, “Não é só casa e comida, que faz a mulher feliz”. (relembre a música clicando aqui, ou no final da postagem).

      Urge que nos unamos para aproveitar a visibilidade do "dia internacional da mulher" para apresentar nossos protestos contra o tratamento desigual e pela vigência de práticas da idade média, na qual a mulher não passava de um acessório do homem.
     
      Chega de machismo! 
     
      Quando veremos a mulher, de fato, ser tratada IGUAL, conforme a Lei?

      Por um mundo com menos injustiças, e no qual a Mulher seja amada e respeitada todos os dias do ano.

Maria da Penha Maia Fernandes. Ícone da luta contra a violência à mulher, e nome da Lei 11.340/2006

      SE eu estivesse errado ou equivocado na minha leitura, não precisaríamos de uma Lei para defender as mulheres no Brasil (Lei Maria da Penha).


Joserrí de Oliveira Lucena



08/03/2013 - 06h00

52% das mulheres já sofreram assédio no trabalho; falta de provas dificulta condenações

Marcelle Souza
Do UOL, em São Paulo


Pode começar com cantadas e insinuações, evoluir para um convite para sair e chegar ao ponto de forçar beijos, abraços e outros contatos mais íntimos. Algumas vezes, ocorre mediante ameaça de demissão ou em troca de uma vantagem ou promoção. Em todo o mundo, 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego define assédio sexual como a abordagem, não desejada pelo outro, com intenção sexual ou insistência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa vantagem para obter favores sexuais de subordinados.

O assédio é crime no Brasil desde 2001, quando ficou estabelecida pena de detenção de um a dois anos para quem praticar o ato. Segundo a legislação, a conduta é caracterizada quando alguém for constrangido “com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual”, desde que o agente aproveite da sua condição de superior hierárquico.

“Existem dois tipos clássicos de assédio: por chantagem e por intimidação. No primeiro, a vítima tem que provar que foi coagida e que houve conjunção carnal. Para caracterizá-lo é preciso ainda que o ato tenha sido praticado por um superior hierárquico. No segundo tipo de assédio, não é necessário haver ameaça, pode ser um galanteio, uma cantada, uma brincadeira de mau gosto”, afirma Adriana Calvo, advogada e especialista em Direito do Trabalho.

O grande problema, diz Calvo, é que parte dos juízes só considera o primeiro tipo de assédio, o que, na prática, inviabiliza possíveis condenações. Isso porque a vítima tem que mostrar que foi chantageada e que houve contato sexual com o autor. “Há muita impunidade, não existem muitos processos na Justiça, a maioria das mulheres fica constrangida, opta por pedir demissão”, diz a advogada.

Não há levantamentos sobre quais profissões são mais afetadas, mas especialistas são unânimes em dizer que o ambiente mais propício ao assédio sexual é o da secretária. Diante da suspeita, o Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo realizou pesquisa na categoria e o resultado foi 25% responderam que já foram assediadas sexualmente pelos chefes.

 

Em outros países


A OIT define assédio sexual como atos, insinuações, contatos físicos forçados, convites inconvenientes, que apresentem as seguintes características: condição clara para manter o emprego, influência em promoções na carreira, prejuízo no rendimento profissional, humilhação, insulto ou intimidação da vítima. Trata-se, portanto, de condutas que não se restringem ao sexo, mas atos que prejudicam de alguma forma a vítima em seu ambiente de trabalho.

Os Estados Unidos, onde uma pesquisa da Langer Research Associates mostrou que 24% das profissionais já tinham sofrido assédio sexual, possuem as leis mais rígidas em relação a essa prática. França e Nova Zelândia tratam do assédio sexual em suas legislações trabalhistas. Assim como no Brasil, Espanha, Itália e Portugal abordam o tema no Código Penal.

Em boa parte dos países, são os acusados que precisam provar que não cometeram o crime. No Brasil, a apresentação de provas é dever da vítima.

Casos


No TST (Tribunal Superior do Trabalho), um banco privado foi condenado a pagar indenização por danos morais a uma bancária que foi estimulada a alcançar as metas da instituição mesmo que, em troca, tivesse que prestar favores sexuais. O fato ocorreu durante uma reunião com subordinados e a vítima argumentou que se sentiu humilhada e constrangida. Após a reunião, colegas da bancária realizaram uma denúncia no sindicato da categoria.

Em outro caso, o TST condenou uma empresa em que todas as funcionárias de um determinado setor foram assediadas sexualmente. No processo, elas comprovaram o tratamento desrespeitoso e ameaçador do chefe. A empresa teve pagar indenização por danos morais.

Fonte: Uolnotícias

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Casa e Comida

Núbia Lafayette

Desculpe, meu amor, o que eu lhe digo,
Mas meu bem, não é comigo, que você deve lamentar,
Você nunca foi um bom marido,
Não cumprindo o prometido que jurou aos pés do altar.

É triste confessar, mas é preciso,
Você não teve juízo em dizer que não me quis,
Perdoa, meu amor, não sou fingida,
Não é só casa e comida, que faz a mulher feliz,
Noites, quantas noites, eu passava,
Por você abandonada, a chorar na solidão,
E quando eu reclamava, você ria,
Me dizendo que ficava, no escritório, no serão.

Agora você tenha paciência,
Eu lhe peço, por clemência,
Deixe em paz meu coração.
Repito o que todo mundo diz:
Não é só casa e comida, que faz a mulher feliz.
Noites, quantas noites, eu passava,
Por você abandonada, a chorar na solidão,
E quando eu reclamava, você ria,
Me dizendo que ficava, no escritório, no serão.

Agora você tenha paciência,
Eu lhe peço, por clemência,
Deixe em paz meu coração.
Repito o que todo mundo diz:
Não é só casa e comida, que faz a mulher feliz.

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