Do Blog Balaio do Kotscho:
Não posso deixar de registrar aqui mais um caso grave de desrespeito à liberdade de expressão praticado por quem deveria defendê-la, e o faz com estardalhaço para atacar o governo, sem qualquer razão concreta, mas não cumpre a sua parte em casa.
Sim, refiro-me à demissão da colunista Maria Rita Kehl pelo Estadão, o mesmo jornalão que se faz de vítima de censura. Por ter defendido o Bolsa-Família em sua coluna no último sábado, e criticado a “desqualificação” do voto dos pobres que recebem o benefício, a respeitada analista foi sumariamente “descontinuada”.
“Fui demitida por um delito de opinião”, denunciou Maria Rita, em entrevista ao meu amigo Bob Fernandes, do Terra Magazine. Também em entrevista ao Bob, o diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, negou que tenha havido censura e demissão. Vejam só que meiguice, quanta hipocrisia:
“Não é demissão… Colunistas se revezam, cumprem ciclos. O jornal tem 92 colunistas, e esse ano saíram três e entraram três ou quatro. O que estava havendo aí era a simples gestão de uma coluna específica”.
Ah, bom! O diretor só esqueceu de dizer que os 92 colunistas do jornal _ 92 colunistas! _ só continuam escrevendo lá porque obedecem religiosamente o pensamento único do jornal, com a honrosa exceção de Luiz Fernando Veríssimo, que é hors-concours. Ou seja, só repetem com outras palavras o que está escrito nas sagradas escrituras _ quer dizer, nos editoriais da família Mesquita.
A Maria Rita Kehl, minha solidariedade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário