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sábado, 12 de março de 2016

Jarará Má de Cascavé

A História não seria nada, sem seus fatos e fragmentos relevantes.

Um desses fatos aconteceu em Angicos/RN, e é desses Marcos Históricos que farão parte da história (e não só da Educação), de forma muito relevante por muitos séculos.

O texto "As 40 horas de Angicos" retrata parte desse episódio que mudou a forma de alfabetizar e criou um referencial para o Brasil e o Mundo.

Veja um breve resumo:

"Em fevereiro de 1963, acontece o lançamento do projeto 'Experimento de Angicos', Rio Grande do Norte, com a alfabetização de 380 moradores. A primeira palavra geradora é 'belota'. Na quarta aula, em 2 de abril, está presente o presidente João Goulart. Os alunos entregam cartas escritas por eles ao presidente da República. Consta que na ocasião o General Humberto de Alencar Castelo Branco, Comandante da Região Militar no Recife, presente, disse a Calazan Fernandes: "Meu jovem, você está engordando cascavéis nesses sertões".

Em 21 de janeiro de 1964, é instituído o Programa Nacional de Alfabetização, consagrando o 'Sistema Paulo Freire para alfabetização em tempo rápido', com a previsão de alfabetizar 1.834.200 analfabetos em 1964 e criação de 60.870 Círculos de Cultura.

Com o fim do Programa, Paulo Freire é preso em 16 de junho de 1964, acusado de 'subversivo e ignorante'. O Inquérito Policial Militar respondido por Paulo Freire diz:
"É um dos responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos". Em setembro de 1964, Paulo Freire parte para o exílio, retornando ao Brasil no final de 1979, com a Anistia.

Em 3 de setembro de 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente na cerimônia de entrega de certificado de alfabetização de três mil alunos do Projeto MOVA Brasil, em Angicos, Rio Grande do Norte.
Em 2012, a Lei nº 12.612 consagra Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira."



Cito esse episódio sempre que tenho oportunidade, pois ele me remete às memórias de meus tempos de infância, e depois, porque como aluno do Magistério, tive a oportunidade de conhecer a genialidade, ousadia e revolução da proposta de Paulo Freire.

Quando menino, por mais de uma vez fui passear no sítio de meu avô, o Poção, em Ouro Branco/RN, e ele sempre me alertava quando eu saía com ele pra explorar aqueles poucos hectares:
"- Coidado com a jarará má de cascavé!!!".

Passei tempos para entender o significado daquela expressão (esse jeito de falar, rápido, "engolindo" sílabas inteiras das palavras, deve ser herança indígena, de quem minha avó era neta).

O que ele estava dizendo, era:
Cuidado com a Jararaca "malha" de Cascavel!

P.S.: malha é a trama que dá cor às escamas nas serpentes - o nome científico desse cobra é: Bothrops erythromelas.

Sds,

Joserrí de Oliveira Lucena
Dinheiro público é da minha e da sua conta

Você tem sede de quê?  Você tem fome de quê?
Eu tenho fome e sede de Justiça.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O AI-5 digital

Você já ouviu falar em AI-5? 


Foi um "edito" dos golpistas de 1964, que, no final de 1968 (o ano que não acabou) anunciou o período mais obscuro da ditadura: fechou o congresso, depôs o presidente, e pelo qual 333 políticos tiveram direitos políticos suspensos em 1969. O Congresso só reabriu em outubro, para "eleger" Medici presidente.


Pois, bem, afeitos à censura e regimes ditatoriais, vejam o que articula o PIG (notícia do blog do Azenha):

Democracia tucana
27/10/2010
Na calada da noite, avança projeto de deputado do PSDB para censurar internet e quebrar sigilo de internautas
No início de outubro, em um Congresso Nacional esvaziado enquanto o Brasil discute as eleições, o Projeto de Lei (PL) 84/99 do senador Eduardo Azeredo, do PSDB de José Serra, foi aprovado em duas comissões na Câmara.
Também conhecido como “AI-5 digital”, uma referência ao Ato Institucional nº 5 que o regime militar baixou em 1968 para fechar o parlamento e acabar com a liberdade de expressão, o PL permite violar os direitos civis, transfere para a sociedade a responsabilidade sobre a segurança na internet que deveria ser das empresas e ataca a inclusão digital.
O projeto de Azeredo passa também a tratar como crime sujeito a prisão de até três anos a transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação. Isso pode incluir desde baixar músicas até a mera citação de trechos de uma matéria em um blog.
Conheça os principais pontos do projeto do Azeredo.
1. Quebra de sigilo
Ironicamente, o PL do parlamentar ligado ao partido que se diz vítima de uma suposta quebra de sigilo nas eleições, determina que os dados dos internautas possam ser divulgados ao Ministério Público ou à polícia sem a necessidade de uma ordem judicial. Na prática, será possível quebrar o sigilo de qualquer pessoa sem autorização da Justiça, ao contrário do que diz a Constituição.
2. Internet para ricos
Azeredo quer ainda que os provedores de acesso à Internet e de conteúdo (serviços de e-mail , publicadores de blog e o Google) guardem o registro de toda a navegação de cada usuário por três anos, com a origem, a hora e a data da conexão.
Além de exemplo de violação à privacidade, o projeto deixa claro: para os tucanos, internet é para quem pode pagar, já que nas redes sem fio que algumas cidades já estão implementando para aumentar a inclusão digital, várias pessoas navegam com o mesmo número de IP (o endereço na internet).
3. Ajudinha aos banqueiros
Um dos argumentos do deputado ficha suja reeleito em 2010 – responde a ação penal por peculato e lavagem ou ocultação de bem –, é que o rastreamento das pessoas que utilizam a internet ajudará a acabar com as fraudes bancárias. Seria mais eficaz que os bancos fossem obrigados a adotar uma assinatura digital nas transações para todos os clientes. Mas, isso geraria mais custos aos bancos e o parlamentar não quer se indispor com eles.
O que acontece agora?
Atualmente, o “PL Azeredo” tramita na Câmara de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara e aguarda a posição do relator Júlio Semeghini, do PSDB-RJ.
A má notícia é que foi esse deputado que garantiu, em outubro de 2009, que o projeto aguardaria o desenrolar dos debates para seguir tramitando. Mas, Semeghini fez o contrário do prometido e tocou o projeto adiante.
Com a provável aprovação, a última alternativa para evitar que vire lei e acabe com a democracia digital no Brasil será o veto do próximo presidente.
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