quinta-feira, 31 de março de 2016

Vice é vice, visse?

O PMDB fora do governo? Piada pronta.

O que o PMDB quer é ser mais governo do que nunca.

SE acontecer, será a terceira vez que teremos um presidente do PMDB, sem ter sido eleito na "cabeça de chapa".
É nisso que são especialistas: derrubar os titulares e assumir a cadeira.
Fizeram isso com Tancredo, com Collor e agora, pretendem fazer com Dilma.
Sarney, Itamar e agora Temer, repetem a fórmula golpista de sabotar os governos a partir da sala do Vice, para assumirem o posto de mandatários.

FHC e LULA, que de besta não têm nada, não tiveram um Vice da legenda e governaram por dois mandatos consecutivos inteiros.


E uma pergunta aos que comemoram (antecipamente o sucesso do Golpe):

Que dia mesmo o Brasil vai virar o Jardim do Éden que vocês prometem?

Vice é vice, visse?


Joserrí
A casa grande surta quando a senzala aprende a ler

sábado, 26 de março de 2016

FEBEAPÁ

FEBEAPÁ

O FEBEAPÁ, Festival da Besteira que Assola o País foi criado na década de 1960 por Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto (1923-1968), espirituoso cronista, humorista e radialista carioca.

O cronista assim definiu o festival...:

"É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País.
Pouco depois da "redentora", cocorocas de diversas classes sociais e algumas autoridades que geralmente se dizem "otoridades", sentindo a oportunidade de aparecer, já que a "redentora", entre outras coisas, incentivou a política do dedurismo (corruptela de dedo-durismo, isto é, a arte de apontar com o dedo um colega, um vizinho, o próximo enfim, como corrupto ou subversivo — alguns apontavam dois dedos duros, para ambas as coisas), iniciaram essa feia prática, advindo daí cada besteira que eu vou te contar".


No seu livro FEBEAPÁ 2 (1967), temos essa pérola:

– Helvídio Barros, “governador escalado para o Piauí”, tinha um problema: dois dos seus correligionários da ARENA disputavam as indicações para as diretorias de um hospital e de um ginásio na cidade de Raimundo Nonato. Um deputado de nome Nazareno “… lá esteve e encontrou a solução. Sabem qual foi? Para não desgostar os dois deputados, mandou fechar o hospital e o ginásio.”




Boa Páscoa!

Joserrí
A casa grande surta quando a senzala aprende a ler

domingo, 13 de março de 2016

Cuspiram em mim hoje!!! texto de Rodger Richer

CUSPIRAM EM MIM HOJE!!!
Lá estou eu caminhando pela Esplanada dos Ministérios no final desta manhã e vejo manifestantes do ato anti-Dilma hostilizarem a mim e a colegas meus no meio do ato apenas pelo fato de "aparentarmos ser petistas": das seis pessoas que estavam comigo, quatro eram negras, das quais duas estavam com camisas estampadas "A casa grande surta quando a senzala aprende a ler", uma com a estampa de Exu e eu estava com uma camisa estampada com a imagem dos panteras negras. Todos nós somos militantes do Coletivo Enegrecer e do Movimento Negro Unificado, sendo que eu e Bruna Rocha Diretores da União Nacional dos Estudantes.
Eles não sabiam se eramos petistas, mas o simples fato de sermos negros e estarmos com essas camisas, nossa presença incomodou e os conservadores reagiram agressivamente contra nós. Eu passei a filmar a ação de um manifestante que agia agressivamente e ele reagiu literalmente dizendo que a bandeira do Brasil jamais será vermelha e cuspindo em mim! Nunca me senti tão humilhado!
O que está nessas marchas golpistas é um verdadeiro ódio de classe e de raça, anti-petismo, ódio aos partidos e à própria política. Essa elite não aguenta mais ver negros e negras nos aeroportos, nas Universidades e ascendendo socialmente.Eu sinto nojo desse cara que está aí estampado nesse vídeo! Nós não queremos um Brasil de antigamente, que era pra poucos. Queremos um Brasil para todas as pessoas, negros e negras, mulheres, LGBTS, trabalhadores e trabalhadoras. Por isso, reafirmamos que a nossa luta é por mais amor, mais igualdade e mais democracia!
A marcha que nós vamos é em defesa e pelo aprofundamento da democracia!
RACISTAS, FASCISTAS, NÃO PASSARÃO!
(texto replicado da internet. Original publicado em 13/03/2016)

sábado, 12 de março de 2016

Jarará Má de Cascavé

A História não seria nada, sem seus fatos e fragmentos relevantes.

Um desses fatos aconteceu em Angicos/RN, e é desses Marcos Históricos que farão parte da história (e não só da Educação), de forma muito relevante por muitos séculos.

O texto "As 40 horas de Angicos" retrata parte desse episódio que mudou a forma de alfabetizar e criou um referencial para o Brasil e o Mundo.

Veja um breve resumo:

"Em fevereiro de 1963, acontece o lançamento do projeto 'Experimento de Angicos', Rio Grande do Norte, com a alfabetização de 380 moradores. A primeira palavra geradora é 'belota'. Na quarta aula, em 2 de abril, está presente o presidente João Goulart. Os alunos entregam cartas escritas por eles ao presidente da República. Consta que na ocasião o General Humberto de Alencar Castelo Branco, Comandante da Região Militar no Recife, presente, disse a Calazan Fernandes: "Meu jovem, você está engordando cascavéis nesses sertões".

Em 21 de janeiro de 1964, é instituído o Programa Nacional de Alfabetização, consagrando o 'Sistema Paulo Freire para alfabetização em tempo rápido', com a previsão de alfabetizar 1.834.200 analfabetos em 1964 e criação de 60.870 Círculos de Cultura.

Com o fim do Programa, Paulo Freire é preso em 16 de junho de 1964, acusado de 'subversivo e ignorante'. O Inquérito Policial Militar respondido por Paulo Freire diz:
"É um dos responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos". Em setembro de 1964, Paulo Freire parte para o exílio, retornando ao Brasil no final de 1979, com a Anistia.

Em 3 de setembro de 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente na cerimônia de entrega de certificado de alfabetização de três mil alunos do Projeto MOVA Brasil, em Angicos, Rio Grande do Norte.
Em 2012, a Lei nº 12.612 consagra Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira."



Cito esse episódio sempre que tenho oportunidade, pois ele me remete às memórias de meus tempos de infância, e depois, porque como aluno do Magistério, tive a oportunidade de conhecer a genialidade, ousadia e revolução da proposta de Paulo Freire.

Quando menino, por mais de uma vez fui passear no sítio de meu avô, o Poção, em Ouro Branco/RN, e ele sempre me alertava quando eu saía com ele pra explorar aqueles poucos hectares:
"- Coidado com a jarará má de cascavé!!!".

Passei tempos para entender o significado daquela expressão (esse jeito de falar, rápido, "engolindo" sílabas inteiras das palavras, deve ser herança indígena, de quem minha avó era neta).

O que ele estava dizendo, era:
Cuidado com a Jararaca "malha" de Cascavel!

P.S.: malha é a trama que dá cor às escamas nas serpentes - o nome científico desse cobra é: Bothrops erythromelas.

Sds,

Joserrí de Oliveira Lucena
Dinheiro público é da minha e da sua conta

Você tem sede de quê?  Você tem fome de quê?
Eu tenho fome e sede de Justiça.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Aprega no Chão!

Sempre achei fantástico o "time" (percepção de tempo) dos vendedores ambulantes dos semáforos.

Eles conseguem em 3 minutos o que vendedores de magazines e grandes lojas de varejo não conseguem em horas:

Anunciam, demonstram o produto, lidam com a resistência, argumentam e reargumentam, convencem (às vezes, constrangem), dão descontos, fecham o negócio, entregam, instalam, recebem o pagamento, dão troco, e injetam uma mensagem de otimismo no pós-venda.

TUDO EM MENOS DE 3 MINUTOS!

Nesse mesmo tempo, um vendedor tradicional de loja mal teria tirado o olhar da tela do celular, ligado no WhatsApp ou Facebook, e, caso o cliente tenha cogitado um desconto, já teria dito que não pode, e te sugerido ir falar com o chefe - uma figura tão mítica quanto o cacoete que usa: o sistema tem uma trava, e não permite descontos...

E o comércio de cruzamentos vende de tudo: desde o guarda-chuvas e limpadores de pára-brisas, apenas 5 minutos depois de cair a primeira garoa do verão, a todo tipo de quinquilharia que alguém precise (ou nunca venha a precisar), e que possibilite àquele vendedor conseguir uns trocados para a sobrevivência. E que aula de sobrevivência eles dão todos os dias!

É antiderrapante: ou seja, aprega no chão!
Ontem, não resisti a comprar um tapete de porta com os dizeres "BEM VINDO", a preço módico, negociado com 10% de descontos sem nenhuma burocracia, e o mais inusitado foi o argumento de vendas, quando perguntei se era antiderrapante.

O vendedor, de pronto, demonstrando que entendeu e que fala a língua que vende, disse:

- Aprega no chão!

Mais objetivo, impossível.

Parabéns a nossos ambulantes, que dão uma lição de vida em muito acomodado em zonas de conforto, esperando virar estatística de desemprego no Jornal Nacional... e divulgar a novidade numa das redes sociais que hoje utilizam em pleno horário de trabalho...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sim, sim! Não, não!

Você já deve ter ouvido esta expressão diversas vezes. É bíblica. É de um dos trechos do Sermão da Montanha, proferido por Jesus a seus seguidores, conforme narrado no Evangelho de São Mateus (capítulos 5, 6 e 7).

É bíblica, mas não é apenas religiosa.

Você deve também conhecer uma pá de gente 'duas caras', cuja palavra vale menos que um risco n'água. São pessoas nas quais a gente não pode confiar, pois o seu “sim” ou o seu “não” não significam nada; suas ações não confirmam suas palavras.

O “não” mecânico dessas pessoas é sinônimo de falta de empatia; por vezes é expressado antes mesmo de o interlocutor terminar sua fala… Apressado em negar qualquer atenção às necessidades alheias, o insensível e sonoro “NÃO!” é frio e cortante no coração de quem o ouve.

Ainda que o 'não' por vezes vire um 'sim' (pelo agir), seu resultado naquele que o ouviu pode ser marcante a ponto de diminuir ou mesmo anular o efeito pretendido, pois essa 'mudança' a tentativa de 'consolo'. Um 'não' deveria ser um 'não'.

Entretanto, o 'não' pode produzir reflexões naquele que o sentenciou. É o 'não' que produz mudança de atitude, compaixão, arrependimento, ante o quebrantamento do outro. SE for eficaz, pode se converter em algo positivo e bom, principalmente quando mover-se na direção do 'sim'.

O 'sim' fácil, por sua vez, pode significar apenas a chance de postergar o 'agir'; há muitos que dizem 'sim', mas não movem-se na direção de fazê-lo acontecer; não convertem o verbo em prática.

Os palanques e gabinetes estão cheios do 'sim' protocolar, do 'sim' da boca pra fora. É o 'sim' do elogio gratuito e fútil, da técnica de ganhar tempo para não fazer nada – apenas para dispensar o 'importúnio' do momento.

O 'sim' descompromissado é o 'sim' da preguiça; é o 'sim' de quem não irá fazer nada mais do que apenas isso: dizer o 'sim'.

A dupla que se completa é composta de falar-agir, prometer-fazer, criar expectativas e atendê-las; isso requer um único ditongo possível: “Sim, sim; Não, não”.

Ser “Sim, sim!; Não, não!” é ser honesto; é não defraudar o outro com promessas vãs.

Verdade e Justiça, Fé e Obras, prometer e cumprir são exemplos de situações em que o 'sim, sim!' ou o 'Não, não!' fazem toda a diferença no resultado.

Nessas situações, ainda que a primeira sentença seja a desejável, e que ouví-la crie boas expectativas, é na segunda parte da sentença que deve estar o foco principal. Vale pouco dizer 'sim' ou 'não' se as atitudes não confirmarem o enunciado. As nossas ações é que realmente confirmam ou negam o que nossa boca professa.

“Sim, sim!” ou “Não, não!” não podem ser classificadas em bem ou mal. O “Não” para o que é errado, ilícito ou injusto deve ser seguido por ações de repúdio (ao errado, ilícito ou injusto). Dizer “Não” para o ilícito em público, mas abraçá-lo no reservado, é tão incoerente quanto dizer “Sim” na promessa de pé-de-ouvido mas decepcionar na hora de ter que honrar a palavra empenhada.

Que nossas atitudes sejam tão marcantes e inequívocas, que não precisemos declarar o primeiro 'sim' ou o primeiro 'não', mas que eles (quando necessários) sejam apenas e tão somente a expectativa que nosso agir confirmará (a história de vida é um bom termômetro para verificar o 'modus operandi').

“Sim, sim; Não, não” firmes, indicam ética, caráter, coerência, personalidade forte, respeito a si mesmo e ao próximo, e sintetizam um ensinamento tão importante que deveria ser objeto de conversas entre amigos e repassados de pais para filhos…

Sim, sim!; Não, não!” podem ser compreendidos como o ditongo Fé o Obras; sem Obras, a Fé é morta (conforme descrito em São Tiago). As Obras expressam Fé – ainda que negada – pois Fé não é um atributo apenas de religiosos.

Que as nossas atitudes falem tão alto e claro que nem precisemos do primeiro 'sim' ou 'não', e que se a eles recorrermos sejam para honra mútua, confirmada no segundo 'sim' ou 'não'.


Joserrí de Oliveira Lucena

(o texto acima foi a base para uma conversa no Caminho da Graça em Natal-RN, no sábado 29 de agosto de 2015 - conforme ilustração).


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