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domingo, 16 de outubro de 2011

As Greves a Mídia

Até os manifestantes de Wall Street têm mais espaço na mídia do Brasil para divulgar pauta de reivindicações do que as categorias em greve .

Também pudera: sindicato não patrocina programa de TV!...

Já os patrões (de toda e qualquer categoria) não são confrontados em matérias que lhes desagradem, sob pena de minguarem os recursos que mantém no ar "jornais", novelas e toda uma sorte de programas recheados de macacas de auditório.

Assim, a "carta desabafo" transcrita abaixo é um libelo, que desafia não só o jornalismo da Rede Globo, mas das mídias no Brasil a não serem tão parciais.

Joserrí de Oliveira Lucena


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Carta desabafo de uma bancária á Rede Globo




De Tereza Roberto
Carta à Direção Globo de Jornalismo
Sr. Carlos Henrique Schroder,
É com grande insatisfação que escrevo aqui em nome de quase 500 mil bancários existentes no Brasil.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estamos indignados com o tratamento que os telejornais da Central Globo de Jornalismo, subordinada a sua Direção Geral de Jornalismo e Esportes (DGJE), estão dando a nossa greve.
Todos os dias suas reportagens altamente parciais (sempre do lado dos banqueiros, o capital de vocês) mostram nossa greve prejudicando clientes, idosos, etc. O que vocês não mostram é o quanto nós somos prejudicados o ano inteiro.
Sr. Carlos Henrique Schroder, aos 16 anos, quando entrei para a faculdade de jornalismo, eu achava que poderia mudar o mundo.
Aos 20, quando acabei a faculdade, percebi que o mundo é que havia me mudado.
Decidi ser bancária, que por sinal é uma profissão muito digna, talvez até mais digna do que aquela profissão que me fez passar quatro anos na universidade.
Sr. Carlos, nós, bancários, trabalhamos feito robôs. Em minha agência somos 24 funcionários e temos que atender em média 500 clientes por dia, em seis horas de trabalho, sendo no máximo 15 minutos para atender cada cliente, o que matematicamente torna-se uma conta impossível.
Nesses 15 minutos que temos para atender os clientes, em vez de resolver os problemas deles, temos que oferecer produtos que eles não precisam. Temos que empurrar seguros de vida a universitários; temos que vender (com muita dor no coração) títulos de capitalização e colocar cheque especial na conta de idosos que só ganham um salário mínimo. Fazemos empréstimos com juros absurdos para aposentados do INSS que não sabem nem ler. Fazemos tudo isso porque somos obrigados pela instituição capitalista que paga nosso minguado salário.
Trabalhamos de seis a oito horas contratuais fazendo tudo o que podemos para garantir o lucro da nossa empresa, sem contar as horas extras e também as horas “bestas” (fora do ponto eletrônico).
Em quantos e quantos meses já perdemos boa parte do nosso salário para pagar diferenças de caixa provocadas por dias de pico onde não conseguimos nem almoçar? Isso sem contar que só temos 15 minutos para engolir a comida e escovar os dentes!!! Em quantos e quantos dias deixamos de beber um copo de água sequer, ou mesmo deixamos de ir ao banheiro para necessidades lógicas?
Sr. Carlos, o Banco em que eu trabalho (BB) teve um lucro de mais de 6 bilhões só no primeiro semestre deste ano. O Itaú lucrou mais de 7 bilhões e o Bradesco mais de cinco.
Sr. Carlos, todo esse dinheiro daria para construir dezenas de escolas e hospitais em toda parte do nosso país, e o Sr. Tem que concordar que o Brasil é muito carente nessas áreas.
Quantos milhões de reais os bancos não gastam todos os anos com publicidade e propaganda na sua emissora? O Bom Dia Brasil tem o oferecimento do Banco do Brasil, o Jornal Nacional é patrocinado pelo Bradesco, fora os outros telejornais e os comerciais dos outros bancos que sua emissora veicula todos os dias.
Sr. Carlos, os escriturários do BB recebem R$ 1.400,00 líquidos para sustentar suas famílias. Temos um bom plano de saúde, graças a Deus, e um auxílio alimentação que dá pra abastecer uma casa, mas o Sr. Tem que concordar comigo que R$ 1.400,00 não dá pra manter o padrão que os bancários precisam para trabalhar.
Temos que nos vestir bem e ter uma boa aparência, afinal trabalhamos nas empresas que mais dão lucro no Brasil e precisamos ter uma boa apresentação.
O que nos deixa mais indignados é que seus telejornais nos mostram como vilões da sociedade, exterminadores de benefícios de velhinhos, grevistas baderneiros, como se nós não quiséssemos trabalhar,
Sr. Carlos Henrique Schroder, nós não estamos de férias, nós estamos exercendo um direito constitucional que nos foi dado; passamos em concurso público e nos classificamos entre milhares de pessoas. Acho que merecemos ganhar um pouco mais pelo que passamos todos os dias, o Sr. não acha?
Nossa greve não é só por nós, é principalmente pelos clientes. Os bancos têm estrutura suficiente para contratar mais funcionários, tirando assim o peso da carga que carregamos, pois cada um de nós trabalha por cerca de 10 pessoas que não existem. Com mais funcionários, os clientes ficarão menos tempo nas filas intermináveis e terão uma qualidade de atendimento muito melhor.
O que queremos é que seus telejornais e jornalistas prezem aquilo que de mais importante eu aprendi na universidade: a verdade e a ética jornalística.
Não deixem o capital se sobrepor aos valores éticos e à verdade nua e crua. Mostrem o que realmente acontece, não escondam nenhum dos lados.
Não acho correto mostrar apenas o lado ruim da greve, pois com toda certeza do universo, Sr. Carlos, o lado negro dessa história não é a greve, não é mesmo! A greve é nossa única chance cobrar o que nos é direito.
O Sr. sabe que a economia do país teve uma inflação considerável e nosso aumento real seria de apenas 0,56%, o que é absurdamente injusto se compararmos com o lucro que nós, funcionários, proporcionamos aos bancos de 2010 para 2011.
No governo FHC passamos 8 anos sem aumento nenhum, e a inflação cresceu a cada ano. Nosso salário estagnou.
O salário mínimo cresceu mais de 400% de 2002 a 2011, enquanto nosso salário aumenta a passos miúdos. Se continuar neste ritmo, daqui a uns anos vai valer mais à pena ganhar um salário mínimo do que trabalhar em um Banco.
Bom, Sr. Carlos, acho que já falei demais. Eu não o conheço, mas sei que o Sr. tem um currículo que muito jornalista gostaria de ter e ocupa uma posição respeitável. Quero parabenizá-lo por isso. Sei também que minha indignação não vai resolver nada e sei que seus telejornais continuarão parciais por toda vida, pois isto é política da emissora e não há o que se fazer. Mas desabafei o que estava engasgado na garganta de milhares de bancários de todo o país.
Saiba que vendo o que se passa hoje na televisão brasileira, me orgulho de ter optado por sofrer um pouco sendo bancária do que ter um pouco mais de dinheiro e não dormir à noite sendo jornalista da emissora a qual o Sr. faz parte.
Grata pela atenção,
Teresa Roberta Soares
Bancária, cidadã brasileira e cliente de banco, que apóia a greve.

Fonte: Sindicato dos Bancários do RN

quinta-feira, 17 de março de 2011

Caso Bianca Abinader: jornalista da CBN ensandecido...

Nassif mandou bem, carregando na tinta, com esse "reporter" do PIG:



Do blog O Caso Bianca Abinader
Na última terça-feira (15), precisamente às 12h15 da tarde, o radialista Ronaldo Tiradentes, dono da rádio CBN em Manaus, invadiu a unidade de saúde Amazonas Palhano, no São José, Zona Leste da cidade.
Visivelmente descontrolado, o radialista perguntava pela médica Bianca Abinader, contra quem iniciou uma campanha pessoal em janeiro de 2010. Desde o dia 7 de fevereiro de 2011, Bianca atende os pacientes da manhã, entre 8h e meio-dia.
Quinze minutos após saída da médica, munido de uma filmadora, Ronaldo iniciou “reportagem” questionando pacientes que aguardavam consulta para outros médicos, do horário da tarde. Ronaldo queria saber se eles conheciam a médica “que não trabalhava”. Chegou a confundir um dos pacientes, que achava que se tratava de uma médica de outra Unidade, na qual Bianca nunca trabalhou.
O dono da CBN gritava com os funcionários, insistindo que a médica era “gazeteira” e que não atendia seus pacientes. A equipe de saúde, colegas da médica que convivem com Bianca há pouco mais de um mês, saiu em defesa da médica.
Ronaldo não aceitou. Diante de pacientes diabéticos e hipertensos, chegou a dizer para um dos funcionários, Fernando Cabral, assistente de saúde,  que ele não precisava “encobrir” ninguém. O rapaz afirmou que não precisava encobrir ninguém, pois ele estava falando apenas a verdade.
Outros funcionários se manifestaram. Uma auxiliar do posto, Izabel Rosas,  se aproximou e questionou se ele sabia quem era o jornalista que perseguia a médica, porque ela já tinha ouvido falar que Bianca estava sendo perseguida há mais de um ano. Ronaldo afirmou que era ele mesmo, Ronaldo Tiradentes, e que ela podia avisar para a Dra. Bianca Abinader que ele tinha vindo ali procurá-la.
Ronaldo continuava alterado, invadindo as dependências internas do posto de saúde. Exigia a presença da diretora do posto, a Sra. Eurinete Santana. Eurinete foi encontrada pelo próprio Ronaldo, enquanto almoçava na copa da unidade. Filmada pelo radialista enfurecido durante sua refeição, a diretora foi cobrada sobre a presença de sua médica.
Ao contestar as acusações de Ronaldo, que persistia acusando a médica de não estar trabalhando, Eurinete desmentiu a informação, alegando que ela trabalha todos os dias, afirmando inclusive que ela era uma das poucas profissionais do posto que realmente cumpria o horário todo, além de atender todos os seus pacientes agendados.
Ronaldo então alegou que a médica deveria cumprir 6 horas/dia, quando Eurinete o desmentiu novamente, afirmando que todos os médicos de sua unidade deveriam cumprir, por contrato, apenas 20 horas semanais (4 horas/dia).
Ao menos uma dúzia de testemunhas presenciou o ataque do radialista, à medida que não encontrava sequer UM depoimento que sustentasse as acusações contra a médica.
A situação constrangeu servidores e pacientes, que aguardavam consultas com outros profissionais. Provando, mais uma vez, que sua perseguição obsessiva já está prejudicando o trabalho da profissional e dos outros funcionários que trabalham com ela.
Ronaldo gravou toda a sua humilhação pública em vídeo. Levou para casa, de onde, a partir das 13h20, passou a relatar o ocorrido no microblog Twitter. “@biabinader FALEI PARA VOCÊ NÃO ENCHER O SACO DO CAIO NUNES, VC NÃO OUVIU. MAIS TARDE VC ESTARÁ NO YOUTUBE.“, avisava o perfil do radialista, seguido por 42 pessoas na internet.
Quando começou sua campanha pessoal contra a médica, Ronaldo alegou que fazia uma série de reportagens sobre o atendimento das casinhas de saúde. Desde lá, a única profissional denunciada pela rádio CBN foi Bianca, que respondeu a uma sindicância em fevereiro de 2010, a pedido da rádio. O resultado dessa sindicância foi assinado em 23 de fevereiro, e atestava: Bianca Abinader era aprovada por 99% dos pacientes da casinha do Campo Dourado.
O resultado dessa sindicância nunca veio a público (leia mais em “A sindicância que a CBN cobrou, e o relatório que nunca divulgou). Em janeiro passado, Ronaldo Tiradentes teve acesso ao termo de posse da médica e ao seu histórico financeiro, documento cuja liberação só ocorre pela direção da SEMSA. Mas a sindicância, exigida, alardeada e comemorada por Ronaldo quando instaurada, nunca teve seu resultado publicado pela rádio.
Reincidência
Não é a primeira vez que Ronaldo é filmado em vídeo agredindo um servidor público. Em agosto de 2008, o radialista agrediu verbal e fisicamente a então secretária municipal de Meio Ambiente e um de seus assessores. O motivo era a retirada de uma árvore morta, nas imediações da rádio CBN, que corria o risco de cair e oferecia perigo a carros e pedestres.
O vídeo da agressão (assista aqui) ganhou o país quando o jornalista Luis Nassif repercutiu em seu site os ataques a Bianca, num artigo intitulado “A barra pesada da CBN Manaus”. O post de Nassif chocou leitores do país inteiro, e provocou uma avalanche de comentários indignados.
O vídeo gravado pelo radialista na tarde de terça, no qual absolutamente todos os funcionários rechaçam seus ataques, não foi publicado.
O Sindicato dos Médicos do amazonas – SIMEAM – já foi informado sobre o novo ataque de Ronaldo Tiradentes às equipes de saúde da Prefeitura Municipal de Manaus. Providências serão cobradas da SEMSA e da Justiça para que os funcionários das unidades de saúde e seus pacientes, abordados e constrangidos pelo radialista, sejam preservados.
A campanha da CBN contra Bianca Abinader chega ao seu 15º mês. A Prefeitura de Manaus, assim, contabiliza pacientes deixados sem médico no Campo Dourado (Zona Norte), no Morro da Liberdade (Zona Sul) e outros assustados no São José (Zona Leste).
Ronaldo e a CBN também moveram o aparato público, servidores e trâmites burocráticos (e isso custa dinheiro público) para conseguir sua sindicância em 2010. Com o relatório favorável a Bianca, a CBN conseguiu a instauração, em fevereiro deste ano, de nova sindicância.
Bianca, que atende seus pacientes entre 8h e meio-dia de segunda a sexta, precisou se ausentar do trabalho para depor à comissão de sindicância na última segunda. Novamente, pacientes deixaram de ser atendidos.
Sobre a nova sindicância instaurada pela SEMSA e as novas contradições do secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, o site O Caso Bianca Abinader trará detalhes em breve.
Ao final do escândalo da tarde de terça, Ronaldo Tiradentes desligou sua câmera, deixou a unidade de saúde Amazonas Palhano e anunciou: vai voltar atrás de Bianca novamente.
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