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domingo, 16 de outubro de 2011

As Greves a Mídia

Até os manifestantes de Wall Street têm mais espaço na mídia do Brasil para divulgar pauta de reivindicações do que as categorias em greve .

Também pudera: sindicato não patrocina programa de TV!...

Já os patrões (de toda e qualquer categoria) não são confrontados em matérias que lhes desagradem, sob pena de minguarem os recursos que mantém no ar "jornais", novelas e toda uma sorte de programas recheados de macacas de auditório.

Assim, a "carta desabafo" transcrita abaixo é um libelo, que desafia não só o jornalismo da Rede Globo, mas das mídias no Brasil a não serem tão parciais.

Joserrí de Oliveira Lucena


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Carta desabafo de uma bancária á Rede Globo




De Tereza Roberto
Carta à Direção Globo de Jornalismo
Sr. Carlos Henrique Schroder,
É com grande insatisfação que escrevo aqui em nome de quase 500 mil bancários existentes no Brasil.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estamos indignados com o tratamento que os telejornais da Central Globo de Jornalismo, subordinada a sua Direção Geral de Jornalismo e Esportes (DGJE), estão dando a nossa greve.
Todos os dias suas reportagens altamente parciais (sempre do lado dos banqueiros, o capital de vocês) mostram nossa greve prejudicando clientes, idosos, etc. O que vocês não mostram é o quanto nós somos prejudicados o ano inteiro.
Sr. Carlos Henrique Schroder, aos 16 anos, quando entrei para a faculdade de jornalismo, eu achava que poderia mudar o mundo.
Aos 20, quando acabei a faculdade, percebi que o mundo é que havia me mudado.
Decidi ser bancária, que por sinal é uma profissão muito digna, talvez até mais digna do que aquela profissão que me fez passar quatro anos na universidade.
Sr. Carlos, nós, bancários, trabalhamos feito robôs. Em minha agência somos 24 funcionários e temos que atender em média 500 clientes por dia, em seis horas de trabalho, sendo no máximo 15 minutos para atender cada cliente, o que matematicamente torna-se uma conta impossível.
Nesses 15 minutos que temos para atender os clientes, em vez de resolver os problemas deles, temos que oferecer produtos que eles não precisam. Temos que empurrar seguros de vida a universitários; temos que vender (com muita dor no coração) títulos de capitalização e colocar cheque especial na conta de idosos que só ganham um salário mínimo. Fazemos empréstimos com juros absurdos para aposentados do INSS que não sabem nem ler. Fazemos tudo isso porque somos obrigados pela instituição capitalista que paga nosso minguado salário.
Trabalhamos de seis a oito horas contratuais fazendo tudo o que podemos para garantir o lucro da nossa empresa, sem contar as horas extras e também as horas “bestas” (fora do ponto eletrônico).
Em quantos e quantos meses já perdemos boa parte do nosso salário para pagar diferenças de caixa provocadas por dias de pico onde não conseguimos nem almoçar? Isso sem contar que só temos 15 minutos para engolir a comida e escovar os dentes!!! Em quantos e quantos dias deixamos de beber um copo de água sequer, ou mesmo deixamos de ir ao banheiro para necessidades lógicas?
Sr. Carlos, o Banco em que eu trabalho (BB) teve um lucro de mais de 6 bilhões só no primeiro semestre deste ano. O Itaú lucrou mais de 7 bilhões e o Bradesco mais de cinco.
Sr. Carlos, todo esse dinheiro daria para construir dezenas de escolas e hospitais em toda parte do nosso país, e o Sr. Tem que concordar que o Brasil é muito carente nessas áreas.
Quantos milhões de reais os bancos não gastam todos os anos com publicidade e propaganda na sua emissora? O Bom Dia Brasil tem o oferecimento do Banco do Brasil, o Jornal Nacional é patrocinado pelo Bradesco, fora os outros telejornais e os comerciais dos outros bancos que sua emissora veicula todos os dias.
Sr. Carlos, os escriturários do BB recebem R$ 1.400,00 líquidos para sustentar suas famílias. Temos um bom plano de saúde, graças a Deus, e um auxílio alimentação que dá pra abastecer uma casa, mas o Sr. Tem que concordar comigo que R$ 1.400,00 não dá pra manter o padrão que os bancários precisam para trabalhar.
Temos que nos vestir bem e ter uma boa aparência, afinal trabalhamos nas empresas que mais dão lucro no Brasil e precisamos ter uma boa apresentação.
O que nos deixa mais indignados é que seus telejornais nos mostram como vilões da sociedade, exterminadores de benefícios de velhinhos, grevistas baderneiros, como se nós não quiséssemos trabalhar,
Sr. Carlos Henrique Schroder, nós não estamos de férias, nós estamos exercendo um direito constitucional que nos foi dado; passamos em concurso público e nos classificamos entre milhares de pessoas. Acho que merecemos ganhar um pouco mais pelo que passamos todos os dias, o Sr. não acha?
Nossa greve não é só por nós, é principalmente pelos clientes. Os bancos têm estrutura suficiente para contratar mais funcionários, tirando assim o peso da carga que carregamos, pois cada um de nós trabalha por cerca de 10 pessoas que não existem. Com mais funcionários, os clientes ficarão menos tempo nas filas intermináveis e terão uma qualidade de atendimento muito melhor.
O que queremos é que seus telejornais e jornalistas prezem aquilo que de mais importante eu aprendi na universidade: a verdade e a ética jornalística.
Não deixem o capital se sobrepor aos valores éticos e à verdade nua e crua. Mostrem o que realmente acontece, não escondam nenhum dos lados.
Não acho correto mostrar apenas o lado ruim da greve, pois com toda certeza do universo, Sr. Carlos, o lado negro dessa história não é a greve, não é mesmo! A greve é nossa única chance cobrar o que nos é direito.
O Sr. sabe que a economia do país teve uma inflação considerável e nosso aumento real seria de apenas 0,56%, o que é absurdamente injusto se compararmos com o lucro que nós, funcionários, proporcionamos aos bancos de 2010 para 2011.
No governo FHC passamos 8 anos sem aumento nenhum, e a inflação cresceu a cada ano. Nosso salário estagnou.
O salário mínimo cresceu mais de 400% de 2002 a 2011, enquanto nosso salário aumenta a passos miúdos. Se continuar neste ritmo, daqui a uns anos vai valer mais à pena ganhar um salário mínimo do que trabalhar em um Banco.
Bom, Sr. Carlos, acho que já falei demais. Eu não o conheço, mas sei que o Sr. tem um currículo que muito jornalista gostaria de ter e ocupa uma posição respeitável. Quero parabenizá-lo por isso. Sei também que minha indignação não vai resolver nada e sei que seus telejornais continuarão parciais por toda vida, pois isto é política da emissora e não há o que se fazer. Mas desabafei o que estava engasgado na garganta de milhares de bancários de todo o país.
Saiba que vendo o que se passa hoje na televisão brasileira, me orgulho de ter optado por sofrer um pouco sendo bancária do que ter um pouco mais de dinheiro e não dormir à noite sendo jornalista da emissora a qual o Sr. faz parte.
Grata pela atenção,
Teresa Roberta Soares
Bancária, cidadã brasileira e cliente de banco, que apóia a greve.

Fonte: Sindicato dos Bancários do RN

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Movimento Foramicarla conquista vitória no STJ

É alta madrugada do dia 16 de junho de 2011. Manifestantes acampados na Câmara Municipal de Natal ainda estão em êxtase, comemorando a vitória conquistada no STJ em Brasília, que lhes permite o DIREITO DE PROTESTAR.

No início da noite, por pouco não foram expulsos da casa, por determinação do desembargador Dilermando Mota, seguido por 13 dos 15 colegas do Tribunal de Justiça do RN, que autorizava inclusive o uso da força policial. Minutos antes da ação, um Habeas Corpus foi publicado no site do STJ que garantiu o direito dos manifestantes de continuarem acampados no prédio da Câmara.

A cada movimento da prefeita de Natal, Micarla de Sousa, para brecar o manifesto popular que pede seu impeachment, corresponde uma derrota em forma de Habeas Corpus aos manifestantes.


Seguidas tentativas de demonstrações de arroubo e força bruta, inclusive com pedidos de uso do aparato policial para retirar o POVO da casa do POVO, estão esbarrando em decisões favoráveis à permanência da ocupação da Câmara Municipal de Natal.

Numa tentativa desesperada de desacreditar o movimento, a prefeita chegou ao cúmulo de esbravejar que não admitiria ilações acerca de sua conduta ou de sua gestão... e chegou mesmo a invocar o nome do Ser Supremo em vão quando afirmou que estaria com ELE ao seu lado (sic), e ao lado da presidenta Dilma Roussef (conforme noticiado nos periódicos locais, como o Novo Jornal na sua edição de 15/06/2011). Ora, ela já não está mais ao lado de seu guru José Agripino Maia, o maior opositor de Dilma? Aliás, ela não foi candidata e apoiou a candidatura a governo exatamente contra o sistema Lulista?

Ao invocar o nome do Criador (em vão, contrariando os ensinos bíblicos), a prefeita demonstra o quanto está encurralada.

Ademais sua afirmação induz à retórica: Que ente estaria ao lado do POVO? O capeta?

Não. Quem está ao lado do povo é a Justiça. E Deus é Justiça e não cúmplice de maracutaias, arrumadinhos e muito menos de quem TEM O QUE ESCONDER.

No dia de hoje até chegou-se a armar todo o cenário para invasão da câmara, com interdição das vias de acesso (este blogueiro não conseguiu se aproximar do prédio no início da noite), mas tudo foi normalizado, e o POVO teve vitória no STF, que concedeu Habeas Corpus por prazo indeterminado para continuar na sede do legislativo municipal – circo todo desmontado e brados de vitória dos integrantes, que estavam todos abraçados, esperando a ação policial que fatalmente os despejaria.

A prefeita confunde vitória nas urnas para governar com carta em branco para casar e batizar, sem ter que dar satisfações aos eleitores ou ao Poder Público.

Essas pequenas GRANDES vitórias do movimento FORAMICARLA são uma demonstração do que ela enfrentará quando as investigações comprovarem o que os reinos animal, vegetal, mineral e até o éter já sabem: "tem algo de podre no Reino da Dinamarca!" Quem sabe agora não se esclarece a informação de que estaria construindo um empreendimento particular nas terras Além-mar!? (pesquise no google..."Micarla construindo hotel em portugal").

É bom a governadora Rosalba Ciarlini ficar atenta; pela trajetória, tende a ser a próxima a conseguir a ojeriza dos eleitores que a conduziram ao cargo.

A mídia social conseguiu visibilidade ao movimento e agora os jornais locais não conseguem mais esconder da mídia nacional a dimensão das denúncias e a organização do protesto popular que contagia os natalenses.

Leia cobertura dos últimos acontecimentos em matéria logo abaixo, publicada no Jornal Tribuna do Norte, e acompanhe o evento em todos os detalhes no endereço virtual foramicarla.com.

A tinta vai ser pouca e o prelo vai trabalhar com nunca para dar as notícias do histórico 15 de junho de 2011 na capital potiguar.
Parabéns a todos os que fazem parte da resistência e geram investigações e manchetes como as acima.

Joserrí de Oliveira Lucena


STJ reconhece que protesto é legal


Ricardo Araújo
Júlio Pinheiro
repórteres

Natal, 15 de junho de 2011. Um dia histórico, uma nova página escrita na política potiguar. O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Hermann Benjamin, deferiu habeas corpus cassando os efeitos da ordem do TJRN para desocupar o prédio da Câmara Municipal com o uso de força policial. 
Júnior SantosManifestantes estão há 10 dias ocupando o pátio da Câmara Municipal. Direito de protestar foi reconhecido por ministros do STJManifestantes estão há 10 dias ocupando o pátio da Câmara Municipal. Direito de protestar foi reconhecido por ministros do STJ

A saída dos manifestantes com uso da Polícia Militar, caso fosse necessário utiliza-la, havia sido determinada pelo desembargador Dilermando Mota. De acordo com o documento assinado pelo ministro do STJ, cabe à Prefeitura e à Câmara Municipal de Natal, negociarem a saída dos ocupantes. Hermann Benjamin não determina até quando isto poderá ser feito.

Na decisão do ministro relator constam as seguintes determinações: "Defiro parcialmente a liminar pleiteada para cassar os efeitos da ordem de desocupação mediante reforço policial, sem prejuízo de a administração ingressar em juízo com as medidas adequadas para fazer valer a pretensão". O comunicado foi feito às partes envolvidas no processo logo após a decisão.

Às 18h32min, os telegramas MCD2T-143 e MCDT2T144, foram expedidos ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte e à Câmara Municipal, respectivamente. A decisão está prevista para ser publicada no  Diário Oficial da União hoje.

Com a determinação do ministro Hermann Benjamin, cabe à Prefeitura e Câmara Municipal de Natal entrar com uma ação de reintegração de posse no juiz de primeiro grau, esclareceu o conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB RN), Daniel Pessoa. "Porém, como a Câmara Municipal é um prédio público a ação não cabe, não tem razão de ser", ressaltou o conselheiro. Daniel Pessoa definiu os estudantes acampados como baluartes da "nossa constituição".

Para o vice-presidente da OAB no Rio Grande do Norte, Aldo Medeiros, a decisão do STJ é técnica. "Existiam duas possibilidade que poderiam ter sido analisadas: o mandado de segurança ou reintegração de posse. A Câmara optou pelo mandado", destacou. Aldo comentou que para a OAB é uma pena que a situação tenha chegado ao STJ. "No final, teve que haver a decisão judicial devido à intransigência das partes".

Já Paulo Eduardo Pinheiro Teixeira, presidente da entidade, afirmou que a determinação do ministro foi mais uma fase nesta história - a ocupação da Câmara Municipal. No entendimento dele, o ministro interpretou que o "remédio utilizada pela Câmara e Prefeitura não foram os corretos". Paulo reafirmou que a OAB defenderá os jovens enquanto o movimento #ForaMicarla mantiver o foco nas reivindicações sem radicalizar ou deteriorar o patrimônio público.

O vereador do PRB, Raniere Barbosa, ressaltou que a decisão legitimou o movimento e mostrou que a população foi respeitada. "A prefeita deveria renunciar. Quem não representa a população é quem defende esse governo. Se fosse independente, não seria assim", declarou Raniere.

Às 18h01min, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça foi publicada no site do órgão. Às 18h04min a líder sindical Soraia Godeiro recebeu uma ligação e gritou. Todos pararam, sem entender o que estava acontecendo. "Não acredito! Nós vencemos em Brasília", esbravejava a sindicalista. Ao comunicar a decisão do ministro aos acampados, iniciou-se a festa.

Um misto de felicidade e alívio tomou conta dos acampados que esperavam ser retirados pela Polícia Militar de dentro da Câmara Municipal. Entre abraços, beijos e gritos de guerra, os jovens, adultos e idosos presentes, compartilhavam de um momento sem precedentes na história política natalense. Para comemorar, cantaram o Hino Nacional Brasileiro embalados pelo som dos tambores de plástico.

A TRIBUNA DO NORTE tentou, durante várias vezes ao longo da quarta-feria, um contato com o vereador Edivan martins, presidente da Câmara, para ele comentar as duas decisões judiciais do dia. Sem sucesso. O vereador não retornou nenhuma das ligações.

Decisão do TJRN era por desocupação

Durante a manhã, o pleno de desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado negou o recurso dos manifestantes para permanecerem acampados no pátio da Câmara Municipal. A maioria dos magistrados acompanharam o voto do relator Caio Alencar e decidiram pelo cumprimento da decisão de desocupação. Na sessão, que se estendeu por mais de duas horas, houve divergências quanto ao horário da retirada e a utilização da polícia.

No total, treze dos quinzes desembargadores votaram contra o recurso dos estudantes e fizeram valer a decisão do colega Dilermando. Saraiva Sobrinho e Cláudio Santos não acompanharam o voto do relator Caio Alencar e deferiram o recurso. Houve divergências quanto ao horário de cumprimento da decisão. A presidente Judite Nunes seguiu o voto da maioria e aprovou a desocupação para ocorrer até às 18h - três magistrados requeriam a retirada imediata dos estudantes.

Antes de entrar  no cerne do julgamento, os magistrados negaram outro pedido da defesa. Dessa vez, os manifestantes apontavam irregularidade no fato de o procurador-geral do município, Bruno Macedo, fazer parte do processo que pede a desocupação da CMN. Os desembargadores, em sua maioria, sustentaram a interferência como legal pelo fato de o procurador responder pelos interesses da cidade e não da Prefeitura.

"Espero que prevaleça o bom senso e a serenidade. A OAB estará até o último minuto buscando uma forma pacífica de desocupação". A frase é do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Paulo Renato Teixeira, que intermedia o contato entre as partes envolvidas na manifestação. Para ele, a decisão do STJ dá mais tempo para prevalecer o diálogo na resolução do conflito.

Tarde foi de preparativos para resistir à PM 

Clima de despedida. Assim foi a  tarde de ontem na Câmara Municipal do Natal, onde os manifestantes ocupam o pátio interno da Casa desde a terça-feira (7). Depois da decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, os manifestantes discutiram desde formas de dificultar a possível ação da Polícia Militar em desocupar o local, até no habeas corpus que ainda não havia sido julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, garantindo a permanência do grupo na CMN. A única convicção que os integrantes tinham era de que o movimento, mesmo que tivesse acabado ontem, já teria entrado para a história.

Mantendo a rotina normal do acampamento, os manifestantes brincaram de peteca, tocaram violão e montaram a trilha sonora local com reggae e músicas que marcaram a época de resistência a ditadura, com composições de Chico Buarque e Geraldo Vandré. Alguns membros do movimento discutiam formas de dificultar a desocupação, planejando uma corrente humana e até cantar o hino nacional quando a Polícia Militar entrasse no pátio da CMN. Aos poucos e com o passar das horas, a CMN ia recebendo cada vez mais gente. Eram líderes políticos, populares e sindicalistas que chegaram para apoiar os manifestantes.

O ex-vereador e professor Hugo Manso foi um dos que elogiou a atitude dos manifestantes em protestar na CMN. Relembrando a ocupação da Reitoria da UFRN em 1984, quando quase 800 universitários invadiram o prédio para protestar contra o aumento do preço do bandejão no restaurante universitário e permaneceram por seis dias acampados, o petista disse que a iniciativa do grupo mostra a união em torno de um objetivo comum, que é mostrar a insatisfação com a Prefeitura e cobrar investigação aos contratos firmados na gestão de Micarla de Sousa. "São várias tribos reunidas aqui, gente de classe média, mostrando que o movimento é plural. Já é um marco na história da cidade, seja lá o que venha a acontecer", disse Hugo Manso, que também aproveitou para disparar contra o presidente da CMN, Edivan Martins. "É uma incompetência política sem precedentes. Discutiu com os manifestantes, todos gostaram da conversa, mas depois levou uma 'chave de roda' e voltou no que havia combinado", criticou.

Mesmo com as conversas demonstrando que o movimento faria de tudo para permanecer no pátio da CMN, os ânimos só ficaram exaltados quando restavam 30 minutos para as 18h, prazo dado pela Justiça potiguar para que o grupo deixasse o prédio. Cantos contra a prefeita foram entoados, na maioria com bom-humor e nenhum com mensagens pejorativas. A ordem era "persistir e resistir" depois que houvesse a notificação oficial para a desocupação.

No entanto, quando o oficial de Justiça chegou ao Palácio Padre Miguelinho, acompanhado por três policiais militares, e informou a decisão judicial, já era tarde. A notícia sobre a resposta positiva do STJ já havia sido repassada aos manifestantes, que comemoravam a chance de permanecerem no prédio pelo menos até nova decisão da Justiça - ou o cumprimento das reivindicações.

Fonte: Tribuna do Norte

domingo, 12 de junho de 2011

Até o vice-prefeito é a favor do #Foramicarla

Não dá para concluir outra coisa.

O fato de os estudantes estejam acampados na Câmara Municipal de Natal em protesto à administração da "borboleta" Micarla de Sousa pode até ser ignorado pelo poder público, pelos vereadores aliados (maioria), pela imprensa (refém da publicidade oficial para sobreviver), mas ninguém pode desconversar do comentário do vice-prefeito, Paulo Freire quanto à administração de Natal-RN.

Embora ele tenha dito o que todo mundo já sabe e está careca de saber, por sentir os problemas da administração na pele e no dia a dia, tem peso a afirmação publicada nos jornais no dia de hoje, conforme se pode ler no Tribuna do Norte, por exemplo.


"Como cidadão, não posso aprovar"

Paulo Freire, Vice-prefeito de Natal, sobre a administração de Micarla de Sousa.


Leia a notícia na íntegra, inclusive entrevista, logo abaixo.

Joserrí de Oliveira Lucena


"Como cidadão, não posso aprovar"


Anna Ruth Dantas
Repórter

Como vice-prefeito de Natal Paulinho Freire se mantém aliado da prefeita Micaral de Sousa e apresentar um discurso de otimismo frente aos problemas administrativos. Já como cidadão, Paulinho Freire admite que não tem como aprovar a gestão. Afirma que a prefeita deveria ter priorizado os serviços básicos, mas pondera que "respeita as decisões tomadas". Na gestão Micarla de Sousa, o vice se mantém de forma discreta. O único momento em que ganhou destaque foi quando assumiu o Executivo, na licença da titular. Naquela situação, mostrou que tem um modo de gerir diferente da prefeita.  Diante do movimento "Fora Micarla" ele diz respeitar os manifestantes, mas também exige respeito à gestão. Para justificar os altos índices de rejeição da prefeita, o vice aponta que esse é um problema comum nas capitais nordestinas diante da delicada situação financeira dos municípios. Ao responder sobre 2012, Paulinho Freire confirma que deverá disputar uma vaga na Câmara e admite que o PP, partido do qual é presidente municipal, mantém-se aliado da prefeita. Cauteloso, o vice evita defender ou sugerir a reeleição de Micarla de Sousa. Para ele, os próximos seis meses serão determinantes para a prefeita reerguer (ou não) a gestão. Sobre política administrativa, sucessão municipal e PP, Paulinho Freire concedeu a seguinte entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

Qual o olhar do senhor sobre o movimento "Fora Micarla"?

Temos que respeitar qualquer tipo de movimentação da população. Até porque a população reage da maneira que acha certo no momento, mas acho que não existe nenhum fato concreto para que se venha a pedir um impeachment da atual administração. Qualquer movimento é legítimo, a gente tem que respeitar. Mas temos que ver também a situação pela qual passa os municípios. Natal está dentro de um contexto nacional. Se você for ver a situação de Fortaleza, Recife e Maceió, tantas outras capitais passam por esse mesmo problema. Por isso que urge uma reforma tributária. Hoje o dinheiro está na mão do Governo Federal e nos municípios há um aumento das demandas por serviços públicos. Hoje o que é arrecadado não é suficiente. Acho que existem dificuldades, ninguém pode negar. Há serviços que não estão sendo a contento. Mas nós não podemos esquecer a situação atual de quase todos os municípios, não só da capital, como também do interior. É um momento delicado.

Foi comentado, nos últimos dias, que o senhor poderia estar por trás do movimento "Fora Micarla". ...

Acho isso uma leviandade. Até porque, quem conhece minha história, sabe que eu jamais me meteria em uma ação dessa. Acho que isso são adversários políticos. Infelizmente anteciparam a eleição de 2012. Quem quiser que diga não, mas anteciparam sim a eleição de 2012 e querem jogar todo mundo na mesma larva. Eu não participo de traição, não faz parte do meu histórico. Inclusive entrei com ação judicial, uma interpelação contra o deputado Paulo Wagner (PV). Ele vai ter que dizer quem foi que disse que eu estava por trás disso. Ou ele diz ou fica feio para ele. O deputado Paulo Wagner será convocado para dizer quem foi que disse. Não posso concordar com isso. Não faço política dessa forma, isso não constrói. O processo político tem que ser respeitado. A prefeita tem legitimidade para governar a cidade, até porque foi eleita. E, daqui a um ano, o maior impeachment que a pessoa pode sofrer é ser derrotada na eleição. Está muito perto do povo dizer se aprova ou não a administração atual. 

Quando o senhor esteve à frente da Prefeitura, no início do ano, conseguiu se dissociar da administração de Micarla...?

Cada um tem seu jeito de administrar. Eu não posso dizer que concordo com todas as decisões administrativas que foram tomadas, mas você sabe que existe uma hierarquia. Vice é vice. E prefeito é prefeito. Quem toma as decisões é o prefeito. Mas a gente não pode deixar de fugir a realidade financeira que está nos municípios. É uma realidade muito difícil, com muita necessidade de serviços. E outra coisa, na folha todo mês há um crescimento. É o crescimento vegetativo. Exige muita, muita habilidade, mas principalmente eu não acredito que você consiga administrar se não tem recurso.

O que delineou ou demarcou para levar a rejeição dessa gestão administrativa?

Fortaleza e Recife ultrapassam os índices de rejeição de Natal. Mas veja também que Micarla priorizou o plano de cargos e salários, que há 18 anos o servidor queria ter o plano. Isso foi um aumento de R$ 10 milhões por mês. Isso tira o poder de investimento do município. Cada administração tem sua prioridade. Ela priorizou a valorização do servidor. Acho que o servidor do município, se for entrevistado, talvez diga que a melhor prefeita para o funcionário público foi Micarla. Era um sonho que eles tinham, já de muito tempo, e agora conseguiram (o reajuste de salário). Pode ter ocorrido um erro de avaliação, porque a sociedade clama por obras. Sociedade não quer ver buracos na rua, não quer que o posto de saúde não funcione. E isso nós estamos vendo. Apesar de que há um início de trabalho de tapa-buraco em Natal. Estamos vendo algumas ruas sendo já consertadas. Acredito que, nas obras de mobilidade que virão para a Copa do Mundo, várias avenidas de Natal serão recapeadas. A cidade ganhará uma nova forma.

O cidadão Paulinho Freire aprova ou não a administração Micarla?

Eu, como cidadão, não posso aprovar até porque existem vários serviços que deixam a desejar. Agora a gente tem que ressaltar bem: Existe o problema financeiro muito sério. Qualquer gestor, não tenho dúvida, se não houver reforma tributária, vai passar por sérias dificuldades e talvez com seis ou sete meses esteja com o mesmo desgaste. Não existe mágica para você governar sem recursos.

Se o cidadão Paulinho Freire não aprova, onde está o maior problema da gestão visto pelo cidadão (Paulinho Freire)?

Acho que a Prefeitura poderia ter diminuído o número de secretarias. Poderia ter enxugado o número de secretarias. Começado pelos serviços essenciais. São mais de 80 postos de saúde, a gente sabe que não tem como funcionar mais de 80 postos de saúde, até porque não existem médicos no município suficiente. Tinha que haver uma redução dos postos de saúde, mas os que ficassem, realmente, funcionassem. Tinha que haver um transporte social para que nos bairros onde não houvesse posto de saúde. O transporte social poderia levar ao posto de saúde mais próximo. A AME e UPA é uma grande iniciativa do Governo Micarla. Eles ultrapassaram barreiras. Era para ter começado a cuidar primeiro da saúde básica para ter depois ido para AME e UPA. O que estou dizendo aqui eu já disse à prefeita. A gente tem um diálogo aberto. Não sou obrigado a concordar com tudo. A gente tem um relacionamento bom, onde eu posso concordar ou discordar. Mas a última palavra é sempre de quem está no comando, que é a prefeita.

Micarla de Sousa lhe consulta?

Nós temos conversado. Ela é uma pessoa muito aberta. Está sofrendo muito com a situação atual do município.  

Foram 45 secretários em 31 meses. A que o senhor credita isso?

Isso tudo faz parte da crise financeira que passa o municio. É muito estressante ser secretário sem dinheiro para fazer o que a população deseja. As vezes as pessoas se esgotam. A situação hoje é difícil e requer muita habilidade, determinação e entrega. Em qualquer governo há erros de escolha. Ninguém escolhe para errar. Você escolhe com as melhores intenções. No Governo Dilma, em seis meses, dois ministros saíram. 

Se a prefeita lhe consultasse hoje sobre os rumos da administração, o que o senhor diria para ela?

A gente tem que fazer o máximo para terminar essa gestão com dignidade. E ela tem trabalhado muito para isso acontecer. Sou testemunha do empenho dela, apesar de todo sofrimento. Não é fácil estar administrando e estar com esse movimento (Fora Micarla) nas ruas, até com coisas pessoais... Acho isso uma coisa que não deveria estar acontecendo. É hora do enxugamento mesmo, ver onde pode diminuir despesa. E que a gente possa transformar esses serviços essenciais, limpeza, educação, saúde, dar uma prioridade mesmo para que os serviços tenham a funcionar a contento e a sociedade possa ter resposta dos serviços. Natal vive um momento difícil, mas alguns serviços funcionam. A UPA é referência. Hoje precisa pensar na administração, política faz ano que vem, ver como vai ser. Tem que pensar exclusivamente administrativamente.

O senhor acha que há como Micarla ser candidata à reeleição?

Micarla é a primeira prefeita das redes sociais. Na hora em que ela possa dar a reviravolta e os serviços passarem a andar, a própria rede será a favor dela. Não acredito que a situação esteja decidida. Pode existir uma reversão. Agora ninguém pode negar que não é fácil chegar a um ano e meio de acabar a gestão e ter um índice de reprovação grande. Como cidadão, não dá para esconder o sol com a peneira. Mas se os serviços funcionarem, a gente, como qualquer cidadão, tem que ter a humildade de reconhecer. 

O senhor é candidato a vereador?

Pretendo ser candidato a vereador. Estou consultando amigos, vendo espaços, discutindo dentro do diretório do PP.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

#Foramicarla #Riogrevedonorte - Natal não é na Líbia...


Natal não é na Líbia. Mas o povo daqui é igual ao de lá: sabem organizar e fazer protestos pela queda de seu líder corroído...

Foto: Tribuna do Norte

... a borboleta Micarla de Sousa - prefeita de Natal - saiu do casulo (faz tempo) mas utiliza seu precioso tempo para viagens, cosmeticidades e na busca de cidadania cosmopolita - não se espantem quando forem divulgados seus investimentos fora do Brasil.

O povo já cansou de esperar as tão prometidas melhorias da cidade, que está ficando cada dia pior de transitar (cadê os R$ 300 milhões) aprovados pela Câmara para as obras de mobilidade urbana.

Junte-se á insatisfação popular o fato de que há mais de uma dezena de categorias de servidores em greve (daí a hastag #rioGREVEdo norte estar nos top trends do twitter). A governadora alega que não consegue implementar e pagar os Planos de Cargos e Salários dos servidores. Curiosíssimo é que todos foram aprovados na gestão do atual vice-governador, quando presidente da Assembléia Legislativa do Estado - o que terá ele a declarar?

Cansados, o povo invadiu as ruas da capital, exigindo a saída das duas chefes do executivo (capital e governo do estado), num evento que mobilizou um multidão e transformou a noite de 25/05 em um caos urbano. Não pense que os motoristas ficaram indignados - apesar dos transtornos - muito pelo contrário, ao passar pelos manifestantes, muitos desceram de seus veículos e juntaram-se ao movimento - somente ambulâncias conseguiam passar pelo bloqueio das avenidas Salgado Filho, Bernardo Vieira e trechos da Romualdo Galvão e Antônio Basílio.

O movimento iniciou-se por volta das 18 horas. Após as 21 horas, a turba saiu em passeata, promovendo apitaço, buzinaço e gritando palavras de ordem, como "foramicarla".

Mais detalhes da cobertura do evento, contada por quem estava de dentro, pode ser lida no blog
http://fora-micarla.blogspot.com/2011/05/inicio-da-marcha-para-o-nordestao-lagoa.html; lá você também pode ver várias fotos da manifestação.

Aguarda-se pronunciamento de ambas as chefes do executivo (municipal e estadual) acerca dos protestos, e o que farão para evitar que o movimento cresça e que o povo resolva acampar até sua saída dos palácios.

Aqui não é a Líbia, não é. O povo daqui cansa mais rápido.

Estranhamente os fotógrafos famosos de Natal, que não perdem nem queda de motoqueiro, não apareceram para fazer a cobertura do evento... por que será?



Joserrí de Oliveira Lucena
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Se fizer citação, favor indicar a fonte.

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