sábado, 4 de outubro de 2014

Dilma e os votos que perdeu...

Eu votei no PT durante 25 anos, mas quero mais mudanças na forma de fazer política.

Meu filho Jesiel Lucena, por sua vez, votaria em Dilma, se estivesse no Brasil: está nos Estados Unidos, pelo Ciências Sem Fronteiras.

Nas razões dele, há uma leitura lúcida da trajetória que nos trouxe até aqui. E foi uma luta árdua.

Dilma perdeu muitos votos como o meu e o dele (por razões diferentes).

Mas, se houver um segundo turno, levarei a opinião dele em conta na hora de decidir minha posição.

Joserrí

Jesiel, em Worcester - EUA


Dilma merece meu voto - por Jesiel Lucena

Dilma Rousseff merece meu voto. Principalmente por que no próximo dia 5 de Outubro eu não poderei votar nela.

Estou nos Estados Unidos fazendo um mestrado em Desenvolvimento de Jogos, a área que eu sempre sonhei estudar, com tudo pago pelo meu governo.

Nasci um menino do interior do Rio Grande do Norte. Minhas perspectivas de passar no vestibular eram mínimas. Ter um curso superior era considerado luxo na minha infância. Algumas noites meus pais não sabiam com que dinheiro iam comprar comida pra mim no dia seguinte, e comer vem antes de estudar. Nunca passei fome: meus pais (Joserrí e Joana Darc) lutaram muito pra não me deixar sofrer com as condições precárias que minha família enfrentou durante os anos 90. O Bolsa Família não existia na época, mas teria evitado muitos apertos e momentos difíceis.

O improviso e a precariedade deram lugar ao conforto na década de 2000. Meus pais passaram em concursos públicos (e eles trabalham muito, não me venham com a falácia de que ser concursado é moleza). A essa altura, minha família já estava bem localizada na classe média. Vi a vida de muitas pessoas no Nordeste mudando junto, durante as gestões do presidente Lula.

Consegui passar no vestibular aos 17 anos, e me mudei pra Natal. Cursei Engenharia da Computação e comecei a trabalhar cedo, no meu segundo semestre. Nunca me faltou emprego. Testemunhei a UFRN dobrando de tamanho em número de alunos e instalações durante meu curso superior. Tive uma educação gratuita e de qualidade. Vi grandes investimentos no Prouni, Projovem, Pronatec, institutos técnicos federais, ENEM, bolsas da CAPES, FIES e mais um monte de programas ajudarem pessoas que não tinham as mesmas oportunidades que eu.

Acompanhei o nascimento do Ciência sem Fronteiras. Bolsas de graduação-sanduíche em universidades incríveis ao redor do mundo. Não pude me inscrever por que estava muito próximo de concluir meu curso superior. Apesar disso, participei do primeiro edital de bolsas pra Mestrado Profissional do CsF. Passei, e hoje estudo Interactive Media & Game Development noWorcester Polytechnic Institute (WPI), uma das melhores universidades particulares dos EUA. O governo pagou U$ 130.000,00 adiantados pra a faculdade. Em troca, eu voltarei para o Brasil depois dessa pós-graduação com bastante experiência pra fomentar o mercado de Games, e o farei com imensa gratidão.

Não consigo descrever em palavras o quão grato eu sou por ter vivido numa época em que pude não só vislumbrar, mas participar do desenvolvimento econômico e educacional do meu país. Nunca, nos últimos 514 anos, ninguém se importou tanto com todos os brasileiros. Nunca, aos 10 anos de idade vivendo em Caicó/RN, eu me imaginaria nesse lugar, tendo as oportunidades que eu tenho hoje.

Eu sou infinitamente grato a Lula, Dilma e os governos do PT por terem me tirado daquela falta de perspectiva e me posto onde estou hoje. Se eu tivesse que descrever minha vida em uma palavra, eu falaria "inimaginável".

No próximo dia 5 de Outubro eu não poderei votar. Votaria em Dilma se pudesse. Se você ainda estiver lendo esse texto até aqui, espero que compartilhe da imensa alegria que sinto quando penso em tudo que mudou durante meus 23 anos de vida. Dilma merece o meu voto, e o de vocês também.
 — em Worcester Polytechnic Institute (WPI).

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A gente pode mudar o mundo... um pouco de cada vez!

Um dia pensei em dar minha contribuição como candidato, uma opção para pessoas que, como eu, estão cansados de ser enganados pela megaestrutura político-partidária.

Cheguei a escolher um partido político; na pressa, me filiei ao que me pareceu conveniente (muito rápido descobri que nossas ideologias não se afinavam) mas dei um stand by antes de tornar a relação mais profunda.

Sou coerente com minhas posições, e fiquei feliz em ver que me identifiquei, ao longo dessa campanha, com outro partido, de pessoas como Luciana Genro (presidente), Robério Paulino (Governador pelo RN), Marcos Tinoco (Federal) e alguns outros.

É bom descobrir que há pessoas que pensam parecido com a gente, no aspecto ideológico, e que se dispõem a nos OUVIR e nos representar.

Me prometi conhecer mais de perto as propostas do PSOL ao longo dos próximos anos, por que ainda teremos muitas outras oportunidades de manifestar a opinião, através do Voto, e de escolher porta-vozes que constroem o debate de idéias por uma Sociedade mais justa, não apenas em 3 meses de campanha eleitoral, mas ao longo da vida.

Entre desistir e ter esperança, eu escolho continuar lutando para mudar a realidade, para melhor. Sei que mundo Justo é um sonho distante; por isso comemoro parar a Injustiça, sendo a representação um instrumento pelo qual as minorias se inserem nas megaestruturas para implodí-las e construir algo novo.

Leva tempo, mas a gente consegue mudar o mundo, com um voto de cada vez.


domingo, 28 de setembro de 2014

Família saindo do armário...

Faz tempo que buscamos palavras para dizer que saímos do armário, a família toda - há tempos... 
O pastor John Pavlovitz disse tudo que gostaríamos de ter dito, e resolvemos subscrever o texto dele, embora sabendo que ele fala apenas subjetivamente.
Um cheiro no coração nos que não entenderem. Uma pena. 
Leiam o texto logo a seguir...

https://www.facebook.com/johnpavlovitzofficial 

Às vezes eu penso se terei filhos gays.
Eu não sei se outros pais pensam sobre isso. Mas eu penso. Muito frequentemente.
Talvez seja porque eu tenha muitos gays na minha família e círculo de amigos. Está em meus genes e em minha tribo.
Talvez seja porque, como pastor de estudantes, eu tenha visto e ouvido as histórias de horror de crianças cristãs e gays, dentro e fora do armário, tentando fazer parte da igreja.
Talvez porque, como cristão, eu interaja com tantas pessoas que acham a homossexualidade a coisa mais repulsiva de se imaginar e que fazem questão de deixar isso abundantemente claro a cada oportunidade.
Qualquer que seja a razão, eu penso nisso frequentemente. Como pastor e como pai eu quero fazer algumas promessas a você e aos meus dois filhos.
1) Se eu tiver filhos gays, todos vocês saberão disso.
Minhas crianças não serão nosso mais bem guardado segredo familiar.
Eu não vou desconversar com estranhos. Eu não vou falar em linguagem vaga. Eu não tentarei colocar um venda nos olhos de todos e eu não pouparei as emoções dos mais velhos, ou dos que se ofendem facilmente ou dos desconfortáveis. A infância já é difícil o suficiente e a maioria dos gays passam sua existência se sentindo horríveis, excruciantemente desconfortáveis. Eu não colocarei os meus filhos em mais desconforto desnecessário só para fazer o jantar de Ação de Graças mais fácil para um primo de terceiro grau rancoroso.
Se meus filhos saírem do armário, sairemos do armário como família.
2) Se eu tiver filhos gays, eu orarei por eles.
Eu não orarei para que eles sejam “normais”. Já vivi o suficiente para saber que, se meus filhos forem gays, este é o normal deles.
Eu não orarei para Deus curá-los ou consertá-los. Vou orar para que Deus os proteja da ignorância, do ódio e da violência que o mundo despejará sobre eles simplesmente por eles serem quem são. Vou orar para que Deus lhes coloque um escudo de proteção contra aqueles que os desprezam e querem machucá-los, que os amaldiçoam ao inferno e que os colocam como condenados sem nem mesmo conhecê-los. Eu orarei para que eles apreciem a vida, o sonho, que sintam, que perdoem e amem a Deus e a humanidade.
Acima de tudo, orarei para que meus filhos não recebam o tratamento nada cristão de suas ovelhas mal guiadas a ponto de afastá-los de seus caminhos.
3) Se eu tiver filhos gays, eu os amarei.
Não estou falando de um amor distante, tolerante e cheio de reservas. Será um amor extravagante, de coração aberto, sem desculpas. Aquele tipo de amor que constrange na porta da escola.
Eu não vou amá-los apesar de sua sexualidade nem vou amá-los por causa dela. Vou amá-los simplesmente por serem quem eles são: doces, engraçados, carinhosos, inteligentes, legais, teimosos, originais, lindos e… meus.
Se meus filhos forem gays, eles poderão ter milhões e milhões de dúvidas sobre si mesmos, sobre o mundo, mas nunca terão um segundo de dúvida sobre o amor que o pai deles sente por eles.
4) Se eu tiver filhos gays, basicamente, terei filhos gays
Se meus filhos forem gays – e eles já são bem gays… [gay em inglês significa, antes de tudo, alegre] Bem, isso quer dizer que Deus já os criou e os moldou e colocou neles a semente de quem eles são dentro deles. O Salmo 139 diz que Ele “os costurou no útero de sua mãe”. Para mim isso quer dizer que as incríveis e intricadas coisas que os fazem almas únicas na história foi colocado em suas células.
Por isso, não há um “deadline” para a sexualidade deles pela qual eu e sua mãe estejamos orando fervorosamente. Eu não acredito que haja alguma data de expiração mágica se aproximando quando eles “se tornarão héteros”.
O que há hoje é uma simples e jovem versão de quem eles serão; e hoje eles são incríveis.
Muitos de vocês podem se ofender com tudo isso. Eu percebo totalmente. Eu sei que isso deve ser especialmente verdade se você é uma pessoa religiosa, que acha esse tópico totalmente nojento.
Conforme vocês foram lendo isso, podem ter revirado os olhos ou selecionado trechos das escrituras para enviar ou orado para que eu me arrependa ou se preparado para deixarem de ser meus amigos ou me chamado de pecador, mau, herege condenado ao inferno… Mas da forma mais gentil e compreensiva que eu possa ser, digo uma coisa: não dou a mínima.
Isto não diz respeito a você. Isto é muito maior que você.
Você não é a pessoa que eu esperei ansiosamente por nove meses. Você não é a pessoa pela qual eu chorei de alegria quando nasceu. Você não é a pessoa a quem dei banho, alimentei, balancei para dormir durante as noites. Você não é a pessoa a quem eu ensinei a andar de bicicleta e cujo joelho esfolado eu beijei ou cuja mão eu segurei enquanto levava pontos. Você não é a pessoa cuja cabeça eu amo cheirar, cujo rosto ilumina quando eu chego em casa à noite e cuja risada soa como música para minha alma.
Você não é a pessoa que diariamente me dá significado e propósito e que eu adoro mais do que jamais imaginei adorar algo. E você não é a pessoa com quem eu espero estar quando der meus últimos suspiros neste planeta, olhando para trás agradecido por uma vida de tesouros compartilhados, sabendo que eu te amei da maneira certa.
Se você é pai, eu não sei como você responderá caso seus filhos sejam gays, mas eu oro para que você considere isso.
Um dia, a despeito de suas percepções sobre seus filhos ou de como foi sua paternidade, você talvez tenha que responder para uma criança assustada e ferida, cujo sentido de paz, identidade, aceitação, na verdade seu próprio coração, serão colocados em suas mãos de uma maniera que você nunca imaginou. E você terá de responder a isso.
Se este dia chegar para mim, se meus filhos saírem do armário para mim, este é o pai que eu espero ser para eles.
* Nota do autor: A palavra “gay” usada neste post se refere a qualquer um que se identifique como LGBT. Embora em conheça e respeite as distinções e diferenças, escolhi esta palavra porque ela é a mais simples e facilmente comunicável para o contexto deste artigo. Foi a maneira mais clara de me referir aos indivíduos não heterossexuais, usando uma palavra comum que ressoaria facilmente para o leitor comum.

sábado, 13 de setembro de 2014

"Gay bom é gay no armário"

GAY BOM É GAY NO ARMÁRIO
A ética da 'santa hipocrisia'.
by Dilson Cunha
Nessa cultura judaico-cristã, nossa moral é extremamente relativa. Convenientemente relativa e seletiva. Não é de hoje que a hipocrisia é a lâmina que nos nivela. Melhor que ser um pária assumido é fingir nossas virtudes. Mas isso só vale a partir de mim mesmo. A gente odeia nossos pecados nos outros.
Esse post é um exemplo disso. Ele elege o que deve ser o que chamaríamos de "moral gay". O apóstolo dessa moral é, ninguém mais, ninguém menos que - acreditem! - Clodovil! Sim, o Clô. Estranho, porque, até onde sei, o Clô nunca se assumiu gay. Estranho, não. Justificado!
Justificado?
Sim. Justificado. Porque gay bom é no armário, senão morto. A questão é que vão para o armário não somente os gays, mas toda a sociedade. Armário é um lugar cômodo onde nosso moralismo esconde nossa "roupa suja". 
Então, Clodovil, que viveu uma vida inteira em um armário de vidro, é "o cara", porque o que vale no reino da hipocrisia são nossas confissões. Somos "católicos" não praticantes. Somos "evangélicos" não praticantes. Somos "qualquer-coisa-boa-não-praticante". Mas, e daí? "Somos". Somos o que confessamos ainda que não confessemos o que de fato somos. Nosso confessionário também foi para o armário. Aliás, ele é o próprio armário.
Armário que, etimologicamente, é o lugar onde se guardavam armas. É lá que escondemos nossas munições.
Gay bom é gay hipócrita. Na hipocrisia, todo pecado é tolerado. A hipocrisia é a garantia de que nossa moral será respeitada. A reputação mascara nossa reputaria. Re-putados estando, reputados ficamos. A homossexualidade confessada não será tolerada. Por isso Clodovil está a um passo da canonização. Pois Clodovil, apesar de todas as evidências que dispensava confissões, posava de "gay não praticante".
Os adúlteros praticantes mas não confessantes ficaram horrorizados quando Jesus os chamara de "adúlteros". "Que coisa, não?" - devem ter pensado - "Como ele ousa dizer que somos o que recusamos confessar?"
Ficaram mais horrorizados ainda quando ele resolveu tratar uma adúltera praticante com uma ternura jamais dispensada aos não confessantes. Como perdoar algo tão flagrante?
Nossa religião deveria ter como prática o bem e como confissão nossos pecados. Mas ela é justamemte o contrário. Nossa prática é o pecado, e o bem, apenas nossa confissão e credo. É no credo que nos credenciamos ao posto de "bons mocinhos". E é nosso credo que credencia a nós, os bons, ao céu e a "eles", os maus, ao inferninho. Cruz, credo!
É por isso que os gays praticantes e ativistas perturbam tanto o sossego dos santos e, como as bruxas medievais, eles catalisam tanto ódio. "Nada contra os gays. Só contra serem praticantes confessados e ativistas". Bom mesmo era o Clô que nunca foi nem uma coisa nem outra.
Àquilo que não passa de um direito básico de querer existir se torna uma "exacerbação". Gayzismo, na fala dos homofóbicos praticantes, mas jamais confessantes. Sim, "esses gayzistas querem destruir a família tradicional!" Nao, não é o celibato - tanto o praticado como o não praticado - que pode destruir a família, não! Nem a proibição do uso de preservativos. Nem o adultério nos bastidores dos púlpitos. Não! São esses gayzistas sem coração.
Minha leitura dos evangelhos mostra um Cristo completamente diferente da grande maioria dos cristãos. Qualquer generalização é um erro, por isso não são todos, mas a grande maioria. Os evangelhos me mostram um Cristo 'marginal'. Que, por muito menos que a loucura 'cristã' de nossos dias, esmerilou a moral de ocasião dos religiosos. Sim, pôs em relevo suas idiotices, incoerências, moralismos, proselitismo, sectarismos etc. Nunca pensou em ética de grupo. Nada de "Nós" contra "Eles". Nunca fez uso da força para se fazer ouvido. Nunca se impressionou com os arroubos dos santarrões. Nunca cooptou o Estado em favor da imposição de sua "filosofia". Nunca usou sua família como exemplo, até porque afirmar ter sido ele fruto de uma gravidez do Espírito Santo não seria lá grande exemplo de família.
Não, minha família não depende dos gays, como nunca dependeu dos divorciados, dos poligâmicos, dos amasiados, dos celibatários ou dos mórmons. Nunca!
Quem inventou o 'cristão não praticante' foi o cristianismo, não Cristo. Por isso se vê tantos cristãos não-cristãos e tantos não-cristãos, cristãos. Por isso, o maior cristão do século XX não foi um cristão, mas um hindu: Mahatma Ghandi. Isso dói no ouvido de um cristão confessante, mas não de um praticante. Não doeu no ouvido de Bonhoeffer nem no ouvido de Luther King, ambos praticantes do que confessavam. A Angeline Jolie julgará alguns 'confessantes piedosos'. Os Médicos Sem Fronteiras também. Talvez digam: "Senhor, quando te vimos nu, faminto, refugiado e com ebola? Quando?"
Ao perdoar escandalosamente aquela prostituta, Jesus fez mais que perdoar uma prostituta. Ele fez uma equivalência dolorosa entre puristas e pecadores. Todos se perceberam desgraçadamente 'prostitutas' e hipócritas. Ninguém atirou a primeira pedra. Mas também ninguém a tirou do bolso. Foram embora com o brio ferido, mas não sem o brio. Foram eles e não os "pecadores" que o crucificaram.
É isso que explica como é possível a a alguém receitar amor ao próximo com tanto ódio na veia. É tudo discurso. É o "amor" não praticante, só confessante. Amor virou um credo doutrinário. A ortodoxia venceu a ortopraxia.
A fé cristã foi massivamente abraçada no mundo porque foi mal compreendida. Como observou Baudelaire, geralmente concordamos com aquilo que não compreendemos. Deixe claras suas implicações e você verá a debandada que vai acontecer. O evangelho é um tapa na cara desse cristianismo que aí está. É uma afronta. Mal compreendido fez-se imcompreendido por outros que não o compreenderam pelos motivos certos. Ou seja, recusaram-no por entenderem que aquilo a que chamam de evangelho é uma aberração humana. Essa incompreensão é compreensível.
O post em questão é intelectualmente desonesto, para dizer o mínimo. Evocar o cadavérico 'Clodovil do armário' como modelo de gay tolerável é reduzir o armário a criado-mudo.
Dilson Cunha*
13/09/14


* Dilson Cunha é arquiteto, casado com a engenheira Rosângela Diniz;
 escreve textos contundentes sobre o cotidiano; participa do movimento Pacto pelo Brasil e da equipe que apresenta o programa Papo de Graça (www.vemevetv.com.br). 

sábado, 16 de agosto de 2014

Tem trabalhador que pensa que é patrão

Quem não é patrão, é trabalhador.

Mas tem trabalhador que interpreta o patrão melhor que o próprio - até descobrir-se usado...

... tarde demais tentará recuperar amigos, colegas e as vezes a família (perdidos ao longo do sucesso efêmero)...

O vídeo "Vida de Jornalista: a demissão" alerta para os riscos a que estão sujeitos TODOS os trabalhadores.

Só a Luta Muda a Vida!


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quebrando Paradigmas

Você lembra da reação que teve quando viu o primeiro homem com brincos?

Certamente um olhar atravessado, duvidoso... curioso: será que ele é?

Numa sociedade extremamente eivada de preconcepções aprendidas sem questionamentos de porquês, vamos reproduzindo geração após geração expressões do tipo:

Homem não chora; azul é homem, róseo é mulher; mulher dirige mal; isso é coisa de mulher, isso é coisa de homem... e muitas outras falas que vamos repassando para nossos filhos, e em nada contribuindo para uma sociedade menos preocupada com estereótipos e mais afeita a princípios, valores, caráter...

Estávamos semana passada na casa de parentes, e as mulheres realçando as unhas quando meu filho pequeno (5 anos) pegou um dos esmaltes e queria ajudar a pintar as unhas da mãe... como em qualquer outro ambiente, alguém diz:

- Isso é coisa de mulher!

E ele veio até mim, como que para confirmar aquela máxima.
- Pinte as minhas, eu disse.
E ele: Pode?
- Pode, sim, meu filho! Não tem nada.

Aquele momento não foi planejado. Foi totalmente espontâneo. Depois, no entanto, resolvi deixar e aparecer em público, para ver a reação das pessoas e discutir sobre esse tabu, quando necessário e possível. Após o espanto comum, a maioria das pessoas que me conhece “dá um desconto”, ou pergunta se “suspendi o remédio”... ou seja, reagem com bom humor e naturalidade.

Hoje, num desses encontros casuais, um amigo fez uma cara de espanto, arregalou os olhos e subiu as sobrancelhas:
- Huuuuuummmmm!!!!!

Começamos um diálogo sobre a “situação”, até que eu disse:
- Essa reação e preconceito pode até ser comum para alguém que nunca me viu. Mas, nos conhecemos há 6 anos. Nossa convivência certamente dá para que um e outro tenhamos alguma noção acerca do que o outro representa, o que pensa e o que é. Se seu conceito a meu respeito depende da cor de minhas unhas, ambos desperdiçamos alguns anos de tempo em amizade fútil.


Não faria de propósito, mas estou gostando do pretexto para provocar desequilíbrios cognitivos. É minha contribuição para um mundo menos intolerante.

Parafraseando o poeta:
"Sou uma gota d'água; sou um grão de areia..."

Talvez eu seja como o primeiro homem que um dia vimos usar brincos.

Espero que no futuro, a cor das unhas importe menos que o caráter da pessoa.

Um abraço,

Joserrí de Oliveira Lucena
Fui fotografado pelo jornalista Marcos Bezerra
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Se fizer citação, favor indicar a fonte.

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