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sábado, 9 de abril de 2011

Cibele Dorsa, revista Caras e a carta suicida

Não sou público-alvo de publicações e programas de TV voltados para a elite. Agora quando estes são envolvidos em brigas judiciais e quedas-de-braço com famosos "estribados", vale a pena conferir o imbróglio.


É que ricos e famosos só permitem publicações "a favor", por vezes destinados gordas mesadas a colunistas sociais, que vivem de chantagear os abastados para não divulgar os barracos, casos de polícia, e coisas negativas; o inverso é providenciado prontamente: fotos em aniversário (até de cachorro), jantares sem-motivo viram manchetes com comentários sobre etiqueta, moda e namoros inventados para colocá-los em evidência e um sem-fim de outras manobras. Até a compra de um novo anel, uma viagem em família, e o nascimento do novo rebento: por vezes feio que só briga-de-foice-no-escuro, mas que fica um príncipe sangue-azul sob os truques do Photoshop.


Agora, caro leitor, quando a coisa fica fora de controle, e a publicidade negativa vai para os holofotes, não tem outro jeito: processos judiciais para barrar notícias, que por vezes correm em segredo de justiça (duvido que um pobre tenha esse mesmo direito).


É o que ocorre no caso da carta suicida divulgada por Cibele Dorsa, que, em vasta matéria na revista Caras é questionada judicialmente, com tentativa de censurar o conteúdo da carta, que já é de conhecimento do mundo inteirinho...


Veja matéria publicada na Folha sobre o problema com a "Caras":


08/04/2011 - 20h08

"Caras" diz que está impedida pela Justiça de comentar carta de Doda




A revista "Caras" afirma estar impedida de comentar a carta de Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, sobre a morte de sua ex-companheira Cibele Dorsa.

Segundo a editora que produz a publicação, o processo está "sob segredo de Justiça" e que, portanto, não pode se manifestar sobre detalhes.

Doda questiona a postura da "Caras", que publicou uma suposta carta de suicídio da atriz. Por decisão da Justiça, na semana passada, a revista foi obrigada a retirar todo o conteúdo da carta de seu site, assim como toda e qualquer menção a Doda, com quem Cibele tinha uma filha, Viviane.

A decisão, no entanto, foi revogada pelo Tribunal de Justiça no começo desta semana.
Nesta sexta-feira (8), Doda divulgou carta sobre o posicionamento da revista em relação a uma suposta carta de suicídio enviada por ela antes de sua morte.

Leia íntegra do comunicado da revista "Caras"

"O processo que impediu a editora Caras de veicular as mensagens que a atriz e escritora Cibele Dorsa deixou antes de morrer, aos 36 anos, está sendo analisado sob segredo de Justiça. Por este motivo, e mesmo após vitória no recurso em que obteve autorização para publicar o conteúdo "Caras" não pode se manifestar sobre os detalhes do processo.

O cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda Miranda, casado com a bilionária grega Athina Onassis, moveu ação proibindo a divulgação da carta enviada a um dos editores da revista e a citação de seu nome na matéria que seria publicada na edição da semana passada. Como a edição já estava em processo de impressão, a única solução, diante do mandado judicial, era colocar tarjas pretas sobre as citações e as fotos em que ele aparecia ao lado de Cibele, com quem manteve um relacionamento e ainda tem uma filha, Viviane, de 8 anos. Além disso, todo o conteúdo referente a Doda teve de ser retirado do site. Mas "Caras", na terça-feira passada, 5, obteve o direito de publicar a carta e republicar em seu site todas as informações.

Nesta sexta-feira, 8, alguns veículos de comunicação procuraram representantes de "Caras" para informar que Doda havia escrito uma carta, dirigida à imprensa, em que diria as verdadeiras razões pelas quais entrou na Justiça contra "Caras". Ninguém da Editora Caras recebeu a suposta carta de Doda. A imprensa cobra uma resposta da editora Caras, o que é impossível, diante do segredo de Justiça. Segundo os advogados que atuam no caso, qualquer tipo de manifestação sobre os detalhes necessário para a resposta, pode comprometer o segredo de Justiça.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tiroteio em escola do Rio de Janeiro: carta do suicida

O atirador-suicida Wellington Menezes de Oliveira, que invadiu escola municipal no Rio de Janeiro, no dia de hoje, e num gesto extremo e incomum no Brasil, abriu fogo contra estudantes, deixando saldo de 13 mortos e dezenas de feridos, deixou carta de despedida.


Leia abaixo o teor da Carta, que foi divulgada na tarde hoje pela polícia do Rio de Janeiro. 


Nos posts mais abaixo você pode acompanhar as notícias do episódio, que entristeceu o dia no mundo inteiro.



“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu.
Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna.”

"Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado a uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se alimentarem, por isso, os que se apropriarem de minha casa, eu peço por favor que tenham bom senso e cumpram o meu pedido, por cumprindo o meu pedido, automaticamente estarão cumprindo a vontade dos pais que desejavam passar esse imóvel para meu nome e todos sabem disso, senão cumprirem meu pedido, automaticamente estarão desrespeitando a vontade dos pais, o que prova que vocês não tem nenhuma consideração pelos nossos pais que já dormem, eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi."

Foto de Wellington, após tombar, morto.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Cibele Dorsa: carta de uma suicida

Não pretendo competir com a Sônia Abrão, que comentou a carta suicida de Cibele Dorsa nos mínimos detalhes, por vezes adivinhando ou supondo até o que a atriz estava pensando quando escreveu cada palavra do texto.


A tal carta virou uma espécie de texto reflexivo, em que faz afirmações contundentes quanto aos seus relacionamentos, além de ensaios sobre vidas futuras e espiritualismo.


A princípio o caso foi investigado como "queda" do apartamento, mas a suicida não deixou dúvidas de seu ato, havendo feito o registro de várias formas irrefutáveis, incluindo a tal carta, que hoje foi o prato do dia, no programa da apresentadora citada acima.


A atriz e escritora Cibele Dorsa estava vivendo um drama terrível e passando por perturbações, após o suicídio de seu esposo Gilberto Scarpa, que pulou da mesma janela e do mesmo apartamento, no dia 30 de janeiro de 2011. 


Ela deixou dois filhos menores, de 8 e 11 anos de idade.


Se você tem a curiosidade de conhecer o texto, vai postado logo abaixo. Só leia se tiver estômago:


“Viver sem o Gilberto é pra mim uma sobrevida desumana. De todos os homens que passaram por mim quem me fez mais mal foi sem dúvida alguma, o Doda, pai da filha que nem mais contato pude ter, e quem mais me fez bem, em vida, foi o Gilberto. Viver sem meus dois filhos e sem o amor da minha vida me dilacera por inteiro, é como se eu estivesse acordada passando por uma cirurgia cardíaca, sinto meu coração sendo cortado, um bisturi elétrico que não para nunca. Não aguento mais chorar, quando não estou soluçando de tanto chorar, fico com lágrimas calmas mas, elas não cessa, nunca! Não aguento mais viver, ou melhor, sobreviver. A comida não desce, sinto um nó na garganta, estou ficando cada dia mais magra, sinto minha pele se descolando do meu corpo. (…) Minha cabeça não consegue pesar menos que 10 toneladas, eu não tenho mais paz, a cena da morte do meu amor me atropela constantemente, lembro do corpo do Gilberto no meio da rua mas, os olhos estavam abertos e eu achei que ele pudesse me ouvir… Falei muito com ele acho que ele deve ter ouvido mas, falei tarde demais. Eu disse que me casaria, que teria o filho, que ele não poderia morrer, molhei o rosto dele de tantas lágrimas e, nada de conseguir que ele se salvasse. (…) Estou sofrendo mais dor agora do que quando sofri o acidente de carro. Agora não tem morfina, não tem nada que acalme essa dor, nada que faça parar essa sensação de perfuração no meu peito. Ainda por cima, o Doda parece nunca cansar de me humilhar, ele não se satisfará nunca mesmo. É o pior homem que já conheci em minha vida, um lobo em pele de cordeiro.”
“Doda, Que um dia Deus te perdoe pelo que vc fez e faz comigo, com a Athina e com as crianças, tente ser alguém melhor, tenho pena da Athina… essa nunca vai conhecer um homem de verdade, um amor. Eu sofro agora, no entanto, fui plenamente feliz ao lado do Gilberto, homem de verdade, que mostra a cara, que não menti, não dissimula, e, assim ele foi até o final. Ele pulou do prédio por vergonha de ter sido vencido pelas drogas…uma pena. Quem devia se matar não se mata…”
“Perdoem a mamãe, mas, a solidão é uma prisão terrível, é como se eu estivesse trancada dentro de mim mesma, estou cansada, sinto muito a falta de vcs mas, confesso que com o Gilberto aqui era mais fácil suportar, eu o amo muito, não sei nem como posso continuar… aqui em casa ficou frio, me sinto fora do meu corpo às vezes, e, isso me dá uma pausa na dor, só que depois volta em dose mais pesada. Faz algumas semanas que sinto uma leveza no corpo, como se eu estivesse já com um pouco de ausência do mundo terreno. (…) Amo vcs e estarei olhando vcs (…) meu sonho é encontrar o Gilberto em Aruanda e virar guia espiritual. Vivi, ainda vamos nos encontrar em outras vidas, nunca te bandonei, seu pai fez um plano milionário para tirá=la de mim, não tive saída. Fe, idem… vou estar torcendo por vc no futebol, na realização de seus sonhos.. O inacabado, o interrompido tem que ter um fim.”
(trechos publicados em: CNews
Foto: Divulgação
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