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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Seja como uma Criança

Desejo que neste feriado em que se comemora a Páscoa renovemos nossas mentes com o propósito do Maior mandamento: Amar ao próximo.

Não é fácil. Certamente por isso o Evangelho nos sugere sermos como as crianças: inocentes, sem maldade e com uma percepção extraordinariamente pura do mundo que os rodeia.

Neste sentido, compartilho uma reportagem singela e marcante, que de forma oblíqua e paradoxal acaba nos mostrando o quanto uma criança – mesmo calada e com medo – tem a nos ensinar.

Já tinha visto a imagem e comentários sobre ela nas redes sociais, mas confesso que fiquei ainda mais tocado com o relato do fotógrafo da cena, e da realidade que ela expõe: o quanto estamos distantes de sermos Amor na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo – algumas distantes e desconhecidas, e outras bem ali, nas nossas calçadas.

Bom fim de semana e prolongada reflexão.

Joserrí de Oliveira Lucena
“Frase de rodapé não diz quem a gente é”. Joseph Smile


Foto: Osman Sagirli, turco
Desvendado mistério de foto viral de criança síria que "se rende"

Milhares de pessoas compartilharam a imagem de uma criança síria com as mãos para cima, como se estivesse se entregando, ao confundir a câmera fotográfica com o cano de uma arma.

Mas quem fez este flagrante?

A imagem começou a viralizar no Twitter na terça-feira da semana passada, quando foi postada por Nadia Abu Shaban, uma fotógrafa baseada em Gaza.

A mensagem original foi retuitada mais de 11 mil vezes. "Estou chorando", "muito triste" e "a humanidade fracassou" foram alguns dos comentários.

Na sexta-feira, a imagem foi compartilhada no Reddit, onde recebeu mais de 5.000 votos positivos e 1.600 comentários.

Não demorou para que surgissem acusações de que a foto era falsa. Muitos no Twitter questionaram quem seria o autor da foto e por que a imagem havia sido postada sem crédito.

Nadia confirmou que não tinha tirado a foto, mas não sabia explicar quem havia feito a imagem.

No Imgur, um site de compartilhamento de imagens, um usuário pesquisou a origem da fotografia - um clipping de um jornal - e disse que ela era real, mas tirada "por volta de 2012". A mensagem também nomeou o fotógrafo: o turco Osman Sagirli.

A BBC conversou com Sagirl, que agora trabalha na Tanzânia, e desvendou o mistério.

A criança é uma menina, Hudea, de 4 anos. A imagem foi tirada no campo de refugiados de Atmeh na Síria, em dezembro do ano passado. Hudea viajou ao campo - a cerca de 10 km da fronteira turca - com a mãe e dois irmãos, a 150 km da cidade deles, Hama.

"Eu usei uma lente de telefoto e ela pensou que fosse uma arma", disse Sagirli.

"Depois que eu tirei, eu olhei [para a foto] e percebi que ela [a criança] estava assustada, porque ela mordeu os lábios e levantou as mãos. Normalmente, crianças correm, escondem os rostos ou sorriem quando veem uma câmera", disse.

Ele diz que fotos de crianças dos campos de refugiados são especialmente reveladoras.

"Você sabe que há pessoas que foram desalojadas nos campos. Faz mais sentido ver o que elas sofreram através das crianças e não dos adultos. São as crianças que refletem os sentimentos com a inocência que têm."

A imagem foi publicada inicialmente no jornal "Türkiye" em janeiro e foi amplamente compartilhada pelas redes sociais em turco, mas só na semana passada se tornou viral em mídias na língua inglesa.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Transborde do que te sobra.


Amar a Deus sobre todas as coisas, é ver Deus no próximo e amá-lo como a si mesmo


Tinha acabado de fazer esta postagem no Facebook, Darquinha chega em casa relatando que viu na rua uma mãe com seus filhos, menores, pedindo algo.
De pronto tivemos a iniciativa de ir lá deixar algo prá eles.
Não estavam mais no mesmo trecho de rua…
… inquieto, saí percorrendo as ruas vizinhas, até encontrar apenas a mãe e o filho mais novo nos braços - um bebê.

Tivemos o seguinte diálogo com ela:
- Vocês que estavam agora há pouco na rua tal? Ela: sim.
- Cadê os outros?
- O Juizado mandou prá casa. Queriam tomar meus filhos e saí correndo com esse… os outros foram embora.
- E este, quantos meses tem?
- 2 meses.
- Como chama-se?
- Lucas Emanuel.
Vi Emanuel, como Jesus na manjedoura; bem aconchegado ao colo da mãe, sentada num latão de tintas vazia, comendo algo que tinha acabado de receber de outra pessoa.
Continuei...
- Onde a senhora mora?
- No Planalto.
- E se eu te der algo, como levará para casa?
- Pego um ônibus bem aqui, na esquina. Passa pertinho lá de casa.
Entreguei o que levei. Estava no porta malas desde a manhã, quando fiz a feira, e meu coração me pediu para comprar, mesmo sem fazer a menor idéia de a quem dar.
Ela me agradeceu tanto… gratidão em sua pureza mais sincera. Ela não sabe que nós podemos fazer mais (eu e você que me lê).
Eu disse a ela:
- Dê a seus filhos a chance de estudar. O estudo pode mudar vidas, e a minha é um testemunho disso.
Ela disse:
- Eu não pude estudar… agora está sem jeito.
E eu disse: - Mesmo para você, a educação tem oportunidades.
Fiz pouco. Fazemos muito menos do que podemos. O juizado agiu certo, mas sem opção, a quem esses pequeninos recorrerão?
Esta não foi uma experiência isolada em nossas vidas. Tem se tornado comum, e é mote de vida pessoal, sem a necessidade de publicidade; nada em troca; é do que nos sobra.

Saí dali com a convicção de que não há evangelho maior do que esse, não há cristianismo mais autêntico do que esse, não participei de culto com momento mais abençoado do que esse, em 2013.

Juntos, podemos muito mais. Mas decidimos não ficar esperando um despertar coletivo. Sentir compaixão é importante, mas Agir é mais que sentir.

Transborde do que te sobra.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

E o Evangelho? um artigo de Olavo Saldanha

Vale a pena gastar 5 minutos na leitura do texto abaixo, sobre o Evangelho, a Graça de Deus (ou fundamentalismo religioso, depende da abordagem).



O artigo faz um relato histórico das "tendências" religiosas, neo-pentecostais na sua maioria, e com bom humor nos faz refletir sobre que tipo de cristianismo temos vivido.



Joserrí de Oliveira Lucena
E O EVANGELHO? - Por Olavo Saldanha

Nas denominações evangélicas, quando um homem demonstra que se converte, ele imediatamente é separado para o discipulado, até aí tudo bem, o problema é que, enquanto ele foi justificado pela graça de Jesus quando creu, o relacionamento dele com Deus foi reparado, no entanto, os lideres passaram aos demais a idéia de que o convertido sofreu uma espécie de transfiguração.


Tornou-se algo parecido com um anjo, um super-humano. Então ele espera que tudo comece a se resolver; dívidas, doenças, a causa na justiça, nem importa se for justo ou não. A desculpa quando nada acontece... fé insuficiente, pecado dele, pecado de outro...pecado.  Deus fecha, portanto,  o guichê das distribuições de serviços até regularizar o imbróglio.


É um relacionamento de miudezas, de mesquinharia, de sovinice e de avareza.


Durante a vida cristã, as experiências religiosas das outras pessoas passam a ser o ensino básico, “acontece assim, acontece assado”. Soma-se a isso o evangelho moralista que se sobrepõe ao da graça. A graça só é aceita teoricamente, para tornar a pregação atraente ou para estudos em seminários, na prática nada é o que deveria.


É como alguém que lê os evangelhos e diz:


- Cara, isso é fácil demais, é bom demais pra ser verdade. Vamos mudar isso um pouco. Num pode ser assim não.


Essa incompreensão causou um dano incalculável a gerações inteiras de cristãos. Por não haver graça nenhuma, pessoas sinceras passaram a viver na casa do terror e não na casa do amor. Eu quero lembrar isso a todos nesta pequena e resumida linha do tempo. Alguns de vocês lembrarão de coisas ainda mais bizarras.


A Era dos demônios


Pastores consagrados nos púlpitos transformaram a vida de milhares de cristãos num verdadeiro inferno. Ninguém podia comprar, ouvir ou assistir mais nada, tudo estava satanizado.   Bonecos engoliam crianças, desenhos animados mandavam comer carne humana, até as histórias clássicas da infância, das quais o mundo inteiro cresceu ouvindo ou aprendendo a ler com elas, transformaram-se em mercado literário de demônios. Toda a igreja estava envolvida. Nunca satanaz cirandou tanto com os cristãos como naquela época. Era um filme de terror.

Só para lembrar:


Um pastor afirmava que as crianças que assistiam ao filme O Rei Leão seriam os assassinos de amanhã... Em outras palavras, quase todos os jovens assistiram ao filme, inclusive eu.


O mais incrível é alguém perder o tempo da vida assistindo quase todos os filmes em slow-motion (câmera lenta), para ver as nuvens de poeira, o movimento labial ou o movimento do corpo dos personagens.


Pobres pastores andavam com uma radiola tecnicamente modificada debaixo do braço para cima e para baixo, num alvoroço incontrolável, para que o povo, num silêncio sepulcral e juntando silabas calmamente que saim quando o disco era girado ao contrário, ouvissem nos templos a voz dos demônios dizendo:


- Eu sou mal, vou pegar você...


Não escapou ninguém. Xuxa era a chifruda em pessoa.


Onde estavam os crentes enquanto o mundo se acabava lá fora, os verdadeiros necessitados, onde estavam os lideres tão sábios?


E o evangelho?


Aconteceram muitas outras coisa nesta época, mas vamos para a próxima.


A Era das Penitências:


Unha cravada, perfume do amor, emprego garantido, marido de volta. Uma verdadeira feira livre de serviços espirituais invadia agora o mundo evangélico.

Novas denominações com os nomes mais absurdos foram criadas: Igreja Pentecostal o Fogo Azul, Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas, Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho a Sumidade, Igreja Filho do Varão, Igreja Pentecostal do Pastor Sassá, Igreja Caverna do Adulão, e por aí vai...


Agora tudo estava ao alcance de qualquer um, havia uma igreja pra cada coisa. Bastava um simples sacrifício, às vezes um grande, dependendo da causa. Pessoas perderam dinheiro, casas, saúde em dias sem fim de reuniões de prosperidade. Nunca se levantou tanto dinheiro nos templos. Foi quando começaram as mega igrejas e a fé evangélica começou a se tornar popular. Aí pessoas ficaram ricas também, os maridos voltaram. Tudo virou sucesso, desde que se desse algo em troca.


E o evangelho?


A era da riqueza:


Pronto, o dinheiro entrou aos borbotões. Templos imensos foram erguidos. Começam os grandes eventos, os grandes shows, os grandes cantores, tudo ficou rico demais, luxuoso demais, ninguém podia mais ficar sem um condicionador de ar no templo... Templos com heliportos. Denominações com TV própria, com editora própria. Os famosos da TV chegaram aos montes. Tudo se tornou passível de compra. Pastores foram eleitos vereadores, deputados, senadores...


Pregações que parecem anestesia. Profecias pessoais, ao gosto do freguês. Etc...


 “Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.” (apocalipse 3:17)


E o evangelho?


Há a história que um pecador notório foi excluído e proibido de entrar na igreja. Ele levou as suas dores a Deus:


— Eles não me deixam entrar, Senhor, porque sou um pecador.


— Do que é que você está reclamando? — Deus perguntou. — Eles também não me deixam entrar.


Viver pela graça significa reconhecer toda a história da minha vida, o lado bom e o ruim. Ao admitir o meu lado escuro, aprendo quem sou e o que a graça de Deus significa. Como colocou Thomas Merton: "Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus".


Soli Deo Gloria
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